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  1. terça-feira, 11 de agosto de 2015

    Conheço gente que já morou em todas as regiões desse país. Gente que já morou em outros países. Gente que se mudou de casa mais vezes do que eu já arrumei meu quarto. Pra essas pessoas, esse post provavelmente vai soar bobo.

    Porque eu morei a vida inteira no mesmo canto. Metade dessa vida inteira em uma casa. Metade em outra. Sempre com meus pais.
    Sair da casa deles pra morar em outra cidade tão longe foi, com certeza, a coisa mais arriscada que eu já fiz na vida. Mas também foi a mais certa. 
    Fácil certamente não foi. Adaptação é um negócio complicado pra quem conhecia a cidade que vivia, as linhas de ônibus, as ruas, os lugares que gostava, a comida, os amigos, a família, tudo aquilo desde sempre. Chamar um lugar novo de lar não acontece do dia pra noite. Mas acontece, uma hora ou outra.

    O engraçado é notar quando isso aconteceu. Pra mim, foi na época em que eu chegava morta da universidade, no semestre passado, me jogava na minha cama e pensava: "Ah, tava doida pra chegar em casa". Minha casa. Meu canto. Um lugar que você entra e tem certeza de que eu moro ali, e nem é só porque você vai encontrar um sapato meu na porta e outro debaixo da minha cama. Não é só porque você vai entrar no meu quarto e ver o ninho que eu costumo fazer enquanto estudo, deixando caderno, óculos, lápis, água, livros, computador e tudo que eu possa imaginar que vá ser necessário enquanto to ali, pra nem precisar levantar. Não é porque o lugar está coberto das minhas manias. É porque ali dentro você vai olhar pro meu rosto e perceber que eu to em casa.

    Assim como estive em casa em João Pessoa nos primeiros 23 anos da minha vida.

    Em julho, eu passei três semanas em João Pessoa. 
    Antes de viajar eu fiquei muito tempo imaginando como seria isso. 

    Como seria visitar o lugar que por tanto tempo foi a minha casa? Como seria rever as pessoas que por tanto tempo eu encontrava quase diariamente? Como seria estar na minha casa de lá de novo? Será que seria possível ter dois lares?

    Pensei em todas essas coisas com uma curiosidade animada. Eu tava simplesmente morrendo de vontade de verificar tudo isso.

    E a experiência me marcou demais. 

    Sim, eu me senti em casa. De um jeito diferente. 
    Foi curioso perceber como eu continuava dirigindo pela cidade sem prestar a menor atenção no caminho e mesmo assim chegando onde eu pretendia. Foi engraçado notar como lugares que eu conhecia fecharam e lugares novos abriram, e quando eu comentava isso, Taiane dizia coisas como "Ah, é, nem notei que tinha isso aí agora". Mas eu notei. 
    Foi tão gostoso entrar na casa da minha mãe e olhar o jeito dela em cada cantinho. Olhar o meu quarto que agora é de Taiane e perceber que sim, eu tenho um lugar ali, mas é um lugar diferente. É aquela visita que é de casa. É engraçado. E não é ruim, é muito bom, aliás. 
    Com chuva e sem sol

    Sentir minha família perto foi maravilhoso. Rir do jeito que só dá pra rir com eles. Implicar com a minha mãe até deixar ela na beira da irritação e da palhaçada. Correr dentro de casa feito criança, rindo e fazendo meu pai gritar que a gente tava gritando demais. Acordar Taiane todo santo dia pra ir pra praia, com ou sem sol, com ou sem chuva. Reforçar o que eu já sabia. Tempo e distância não desgastam família.

    Foram três semanas revendo todo mundo e dando abraços tão cheios de significados e saudade. Três semanas parece pouco. Mas foi mais do que suficiente pra me ensinar coisas que eu já devia ter aprendido há muito tempo sobre amizade. A distância faz um negócio engraçado com a amizade. Ela abala umas e fortalece outras. É natural, até.
    Propaganda involuntária da cia
    aérea que eu nem gosto
    Isso eu já imaginava. Só estava esperando pra ver como aconteceria. E foi surpreendente.

    Essa viagem me mudou de um jeito muito mais intenso que qualquer outra. Me modificou muito mais até do que o dia em que eu me mudei. Na verdade, eu acho que me mostrou o quanto eu mudei desde aquele dia. Aprendi a cuidar de mim, me respeitar e valorizar as coisas certas. São essas coisas que fazem a saudade valer a pena.

    Saudade, minha terra. Saudade, meu povo. Que as vezes amarga que nem jiló, mas quando a gente mata, é doce feito rapadura.
    Três semanas que eu não mudaria uma vírgula. Porque tudo foi como deveria ser, me fez rir e ficar leve, e me fez aprender muito também.

    E me deu ainda mais vontade de voltar logo!



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  2. 1 comentários:

    1. Aninha disse...

      Linnndo texto!!!