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  1. sábado, 14 de março de 2015

    Para: Tuíla, 10 anos atrás.


    Opa, como vai?
    Nem precisa me contar, eu sei. Com 14 anos, ta tudo maravilhoso demais, eu lembro bem. Lembro que por muito tempo eu disse que 2005 tinha sido o melhor ano da minha vida. E também passei outros bons anos dizendo que 2006 tinha sido o pior. Pois é, você está nas portas de viver o que, por bastante tempo, você vai considerar o pior ano da sua vida, sem perceber que, na verdade, teve muita coisa boa acontecendo contigo e você tava tão compenetrada em reclamar daquelas que não tinham saído como você queria que não viu nada daquilo.
    Você é extremamente teimosa e reclamona. E claro, vai ler isso e me xingar e dizer "quem você pensa que é pra me chamar de reclamona? você nem sabe o que eu passei". Sei sim, pirralha. Melhor do que ninguém. E sei também que os próximos dois ou três anos só foram tão ruins como você diz por causa dessa sensação que você mesma alimentou de que tudo estava uma bosta porque você mudou de colégio, acabou um relacionamento e teve uns problemas com uns amigos. O que você não percebe é que mudar de colégio foi legal, te fez conhecer um monte de gente. E sobre o teu namoro: calma. Acabou e ué? Nem morreu. E sobre seus amigos: tudo se resolveu, o que te prova que eram amigos de verdade. A maior parte deles, inclusive, se mantém até hoje.

    Mas eu não quero que essa carta fique com um tom de bronca. Não me leve a mal. Mas é que você realmente precisava desse sacode. Você deixou de aprender e aproveitar muita coisa por estar só olhando o lado ruim de tudo. E por alimentar isso, você causou um monte de probleminhas futuros.

    Se vocês soubessem até onde eu tive que
     ir pra encontrar essa foto...

    2006 não foi o pior ano da tua vida. Ele foi muito bom, na verdade. E teria sido infinitamente melhor se você tivesse percebido isso. Um conselho que te dou, Tuíla (com 14 anos, na oitava série, estudando no colégio de sempre com os amigos que conhece desde os 8 anos) é: relaxa. Você é muito tensa, cismada contigo mesma, com pouca ou nenhuma auto confiança e cada dia que você passa alimentando esses sentimentos, tua ansiedade aumenta. E isso vai dar uma merda tão grande em 2014 que vai te fazer pensar que 2006 foi fichinha perto disso.

    Então, pelo amor das criancinhas, relaxe! Aprenda a sossegar, aprenda a ver do que você é capaz e acreditar nisso. Porque eu sei que você tem, desde essa época, uma mania horrorosa de ver as próprias habilidades, ver os resultados dos teus esforços e dizer: eu dei sorte.
    Sorte uma pinóia, minha filha. Você lutou pra caramba, dê a si mesma um pouco de crédito, faz favor.
    Ah, mais uma coisa: aprenda, de uma vez por todas, a seguir os conselhos que você dá pras tuas amigas. As vezes você até sabe do que ta falando, vive dizendo que elas precisam acreditar nelas mesmas e tudo mais. Por que danado você não faz o mesmo?

    E continua rindo das coisas. Porque isso é a melhor parte de você. Não deixe nada no mundo fazer você pensar que o teu jeito ou o teu senso de humor é exagerado ou bobo. Ria mesmo. E se alguém reclamar, ria dessa pessoa também. 
    Isso é a melhor coisa do mundo!

    Um abraço.
    E coloca outra roupa no dia depois da festa de São João do colégio em 2006. Você vai rasgar a calça no joelho quando cair do caminhão, então vai com uma mais velhinha nesse dia.
    Putz, eu adorava aquela calça.



    - Tuíla, de 24 anos.


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