Rss Feed
  1. quinta-feira, 26 de março de 2015

    Quero começar ressaltando que: 
    1. Gente pode ser homem ou mulher.
    2. Babaca também.
    Tendo dito isso, podemos começar.

    Estou escrevendo este texto pra colocar pra fora (pra toda a internet ouvir) as coisas que eu gostaria de ter dito pra a moça que estava atrás de mim na fila do RU hoje no almoço.

    Mas antes, um pouco de contexto:

    Eu adoro entreouvir conversas. Horrível, eu sei. Mas é uma mania incontrolável que eu tenho. Ando na rua prestando atenção no que os outros estão dizendo e me distraindo de todo o resto. E hoje tinha uma moça atrás de mim na fila do RU que em determinado momento atendeu ao telefone. 
    Não dei muita atenção ao início da conversa, mas sabia que ela tava falando com o namorado porque atendeu com "Oi, amor". Eu só realmente dei atenção a conversa quando o tom de voz dela pareceu ficar meio irritado. E lá vai o que eu ouvi:


    - Do que é que você ta falando? Eu não dei risadinha nenhuma.
    - "..." - o boy responde algo
    - Fulano, eu não dei risadinha nenhuma. Eu falei com a boca assim *abre a boca* e o som da voz sai diferente.
    "..."
    - Eu já disse a você que eu estou na fila do RU sozinha. Eu vim almoçar sozinha hoje. Não tem ninguém aqui comigo.
    - "..."
    - Claro, tem gente na fila na minha frente e atrás de mim, mas eu estou sozinha... Que risadinha, eu não dei risadinha nenhuma!
    - "..."
    - Eu estava ouvindo rádio e mandando uma mensagem, por isso eu demorei pra lhe atender. Eu vou mandar a mensagem pra você quando a gente desligar.
    - "..."
    - Fulano, eu não estou com ninguém aqui!
    - "..."
    - Não tem nada de estranho nisso, não tem ninguém aqui comigo, eu estou sozinha.
    - "..."
    - Você vai ter que acreditar em mim, eu vou lhe mandar a mensagem, vou mostrar que tava ouvindo rádio, eu posso provar.
    - "..."
    - Eu estou sozinha. Não teve risadinha nenhuma.
    - "..."
    - Eu vou tirar foto pra você ver que eu to aqui sozinha.

    *Opa, vai tirar foto, moça, espera eu arrumar meu cabelo*

    - "..."
    - Mas não tem ninguém aqui comigo.
    - "..."
    - Eu não ri!

    E depois de ficar repetindo isso por mais uns 10 minutos, a moça desliga o telefone. E logo liga de novo.

    - Viu a mensagem que eu mandei? Eu tava escrevendo ela, como é que eu ia ter tempo pra ouvir rádio e escrever uma mensagem se eu estivesse aqui com alguém?

    E a conversa recomeça por mais 10 minutos.


    Agora que apresentei a situação a todos vocês, posso falar sobre o assunto.
    Foram quase 30min de fila do RU. RU, o restaurante universitário, onde você pega uma fila gigantesca, paga R$1,30 e almoça. E o cara pirou achando que ela estava com alguém na fila do RU e ficou todo esse tempo brigando no telefone. Agora eu me pergunto, o que diabos esse rapaz tava pensando? Que a namorada dele estava tendo um encontro romântico com o outro no refeitório da universidade? Olha, sem querer criticar o lugar que me fornece almoço cinco dias por semana, mas o RU não é nem de longe o lugar ideal para se encontrar um paquera.

    E isso é apenas para ressaltar o absurdo da situação.

    Porque o que mais me chamou atenção nessa zona toda foi que em nenhum momento eu ouvi a moça falar nada do tipo: 

    "VOCÊ TA FICANDO MALUCO DE REGULAR COM QUEM EU ALMOÇO OU DEIXO DE ALMOÇAR? SEU DOENTE". 

    Porque é exatamente isso o que eu diria.

    Ela não. Ela parecia estar achando aquela situação chata e incômoda como seria brigar com o namorado por qualquer motivo justo. Ela achava que o problema principal (não sei se ficou claro na minha "transcrição") era o cara acusar ela de dar uma ~risadinha~ que ela afirmava não ter acontecido. 

    ESSE era o problema. 
    Não o fato de o namorado dela querer controlar com quem ela almoça. Não o fato de o namorado dela ter ciúmes por ela supostamente estar com alguém no romanticíssimo RU. Não o fato de ela precisar repetir um milhão de vezes que não estava com ninguém e o cara ainda assim não acreditar. Não, esses eram detalhes. 

    Eu fico realmente horrorizada com o quanto soa normal para algumas pessoas a ideia do ter que dar satisfação de cada mínimo passo pra o outro com quem você resolve se relacionar como se a partir do momento que aquela pessoa recebe o título de "namorada(o)" ela passasse a ser também dono.
    Porque a atitude de um cara como esse é a de alguém que se considera dono do outro. Que acredita que tem o direito de saber e impedir a pessoa de fazer alguma coisa que ele sinta que o desagrada de alguma forma. 

    Olha, vou te dizer, eu me sinto extremamente incomodada de ver coisas desse tipo. Ela não era uma menininha (o que poderia indicar que "ah, coitada, não sabe nada da vida ainda, ela vai aprender, não vai mais deixar ninguém tratar ela assim"). Não, ela era uma moça, já. De seus 20 e poucos pra 30 anos. Imagina quanto tempo essa mulher vive desse jeito e por quanto mais tempo ela vai viver sem liberdade, sem mandar no próprio nariz, tendo que tirar fotos dos lugares pra provar pra um namorado doente e inseguro que ela está sozinha no FUCKING RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO.

    Estou escrevendo esse texto porque quando eu entreouvi essa conversa absurdamente longa e incrivelmente chocante, eu lembrei de pessoas que eu conheço. Amigas e amigos que vivem em relacionamentos baseados em posse. Em controle, em ciúme, em desconfiança. Eu realmente não sei como vocês conseguem. 

    O meu recado vai pros meus amigos:

    Se você está com uma pessoa que NÃO RESPEITA TUA LIBERDADE, você está JOGANDO SUA VIDA FORA.

    Não troque sua liberdade por um(a) babaca. Não passe sua vida presa(o) a babacas. Porque um dia você vai olhar pra trás e ver que não viveu nada porque estava com uma pessoa que não queria que você vivesse nada. E você permitiu isso. Não permita. Sua vida é sua.

    Pra fechar com chave de ouro, Jout Jout resumindo tudo:




    LINDA JOUTJOUT TE AMO.
    |


  2. 0 comentários: