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  1. quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

    Antes de qualquer palavra eu aviso logo que eu não sou ninguém pra dar as regras e dizer como as pessoas devem viver ou se comportar. Aliás, o que eu tenho a dizer vai exatamente contra isso.

    Pensei em escrever esse texto pra comentar um fenômeno que eu (e a torcida do flamengo) percebo há um bom tempo: uma imensa falta de autenticidade.

    Temos internet 24h por dia, certo? Certo. Temos redes sociais que nos ligam às pessoas que conhecemos e aos conhecidos delas e daí vai mundo afora. Isso é ruim? Eu não acho. Eu acho maravilhoso, sempre achei, e acho ainda mais agora que moro em outra cidade e todos os meus amigos e minha família estão na outra ponta do país. Facilita imensamente minha vida poder mandar fotos pra eles e ficar sabendo o que eles andam fazendo de bom da vida enquanto eu junto as moedinhas pra poder ir visitar todo mundo. É ótimo.

    Minha mãe sempre diz que tudo em excesso é veneno e quanto mais o tempo passa, mais eu percebo como isso é verdadeiro. Mas gente, é tudo mesmo. A gente se acostumou a compartilhar a vida inteira por aqui. Compartilha-se tanta coisa que, olha, eu já senti altas vergonhas alheias com coisas que surgiram na minha timeline no facebook e eu pensei: "Opa, informação demais, amigo, eu não queria saber disso".


    Minha cara, exatamente assim.

    A internet é uma vitrine e o que eu vejo é a vida virar uma corrida de quem aparenta estar melhor nessa vitrine. Quem vai pros lugares mais ~top~ (senhor, como eu odeio essa expressão), quem tem coisas mais caras, quem tem a vida mais perfeita, o corpo mais perfeito, a cara mais perfeita.

    Sério, é feio de ver. Dá um nervoso ver pessoas se afogando nisso como se aparentar ser alguma coisa especial fosse mais importante do que fazer da própria existência alguma coisa especial. Eu não vejo nenhum problema você querer sair bem nas fotos que tira, quem não quer? O problema começa quando se tem tanto desgosto da própria vida que surge uma necessidade sufocante de criar uma realidade alternativa pra mostrar pras pessoas que "Olha só como eu sou feliz". 

    Me deu vontade de escrever sobre isso desde o dia em que eu li o post do Rob Gordon no Championship Chronicles. Ele falou sobre como as pessoas se comportam feito loucas na internet, e também disse no twitter algo como "A vida online direciona a vida real das pessoas. Devia ser o contrário". 

    E é exatamente isso o que eu (e você também, aposto) vejo todo dia. É assustador. FIcou quase natural contabilizar a importância de alguém ou de algum fato com base na quantidade de likes que a foto recebeu no instagram, ou quantas pessoas comentaram "Lindaaaaa", "Ryyyycoooo", "Gataaaaaa", "Tooooooop" (ai meu deus, esta palavra de novo). 

    Vamo com calma, amiguinhos.

    Eu fico meio nervosa com isso porque é uma coisa tão excessiva que me dá aquela vontade de gritar: "Pessoal, todo mundo sabe que a vida de seu ninguém é um conto de fadas". Ou então: "Amiguinha, você não é a Beyoncé e essa bunda não é sua". Ou melhor:

    GENTE, NINGUÉM PRECISA SER PERFEITO!

    Respiremos fundo, todos juntos e vamos dar as mãos. Agora olha todo mundo pra cara do coleguinha. Não, caramba, não pra foto. Não pro perfil do facebook. Não pros filtros do instagram. Olha pra cara daquela pessoa que você conhece. Olha pra cara de todas elas. Essa é a cara da pessoa. É assim que a pessoa é. E tem falhas e tem defeitos, tem problemas, tem uma história de vida e sofre e ri e tudo mais que nem eu você. E o valor do amiguinho não é medido em likes.


    E, por favor, faça um favor a si mesmo (como eu fiz pra mim): não se deixe afogar por isso. Não se encha da filosofia das redes sociais. Aproveite delas e tudo mais, mas cuidado pra isso não te sufocar e você começar a viver em função dessa vitrine. 

    Vai viver tua vida que tem muito pra te acontecer ainda.
    E você vai perceber (como eu percebi) que as coisas mais importantes são aquelas que você acaba até esquecendo de postar sobre.







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