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  1. quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

    A culpa é da minha mãe. Ela fez uma assinatura de gibis da Turma da Mônica quando eu era criança e foi lá que tudo começou. Talvez eu até já tenha falado sobre isso aqui. Minha mãe guardava a sacolinha de gibis quando chegava no correio e me dava um por semana. Mas naquela época eu não tinha realmente uma noção de tempo muito boa, então o conceito de "um por semana" era muito vago pra mim. Quase todo santo dia eu perguntava pra minha mãe: "Hoje é dia de gibi novo?". E ela, com a paciência de 200 monges tibetanos me respondia que não, que não era hoje ainda.

    Enfim, aprendi a adorar ler por causa dos gibis que a minha mãe me dava semanalmente e eu lia e relia até quase decorar a historinha inteira. E dei sorte de ter um professor de português sensacional quando tava no ensino fundamental, que viu que eu tinha interesse e me incentivava a ler mais e escrever mais e corrigia minhas redações e me fazia gostar ainda mais de mergulhar em histórias.

    Mas acontece que o tempo passa, a gente cresce e a vida vira uma loucura de prazos e obrigações e o bom e velho tempo livre vira um bichinho raro que a gente não tem tempo de perseguir. Percebi que eu lia muito mais quando tava na escola do que hoje, que eu tenho um Kobo e uma infinidade de eBooks pra baixar nessa internet maravilhosa de meu Deus. 

    No comecinho desse ano, Alex viu no 9gag um Reading Challenge, uma lista de coisas pra ler no prazo de um ano. Eu traduzi o bagulho e salvei a listinha:


    Eu achei sensacional. E muito mais difícil do que parece. A lista não te dá nomes de livros, quantos livros você deve ler por mês ou coisa parecida. São "categorias" e cabe a você encontrar um livro que se encaixe em cada uma. Sempre que eu penso em um livro que eu quero ler, eu olho pra essa lista e procuro em qual item dá pra encaixar. 

    Quero muito saber onde eu vou encontrar um livro banido. Também gostaria de salientar que um livro que eu possa terminar em um dia é um conceito meio abstrato. 


    Em janeiro eu li três livros. Memórias Póstumas de Brás Cubas eu devia ter lido pro 
    Pia que linda a estante nova!
    vestibular, mas confesso que nunca li. Passou vestibular, passou graduação e precisou chegar 2015 pra eu tomar vergonha na cara e ler o negócio. 

    Viagem ao centro da terra e Incidente em Antares foram indicações dos meus coleguinhas do Bacanudo, um blog que eu participo (vai lá dar uma olhadinha, eu espero), no podcast Caçadores da Lista Perdida #25. Adorei os dois livros (e os outros que foram indicados também vão entrar no desafio), principalmente o do Érico Veríssimo, que eu achei sensacional. Sempre tive planos de ler as coisas do Érico, mas simplesmente nunca tinha acontecido, sabe? 

    É por isso que eu adorei o desafio. Uma chance de organizar a listinha de leitura e me aventurar em coisas novas que eu provavelmente demoraria bem mais pra ler. Além disso, quando a gente quer fazer alguma coisa, a gente tem que fazer dar tempo. Não adianta ficar esperando não ter o que fazer da vida, porque você sempre vai estar ocupado. E quando não estiver, certamente vai estar muito cansado e doido pra tirar um cochilo. 

    Não sei se eu vou conseguir completar o desafio daqui pro fim do ano. Pelas minhas contas, o resultado mais provável é: NÃO. Mas, né? Tentarei mesmo assim. E se terminar o ano e eu não tiver completado todos os itens, vou continuando até chegar ao fim.

    Me façam a fineza de me sugerir livros, aceito de bom grado! E quem quiser, entra no desafio também que ainda dá!

    :D




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  2. quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

    • Tirar roupa do varal, dobrar e guardar tudo às 23h30 de um sábado. Desculpa, mas aquilo ali tava me incomodando e, bom, minha mãe não vai aparecer pra arrumar a casa por mim, certo? OK, eu entendo, não precisava ser naquela hora (como Alex disse: não dá pra a gente fazer isso de manhã?), mas quando você é parte responsável por manter a casa em pé, você começa a entender a urgência que a sua mãe tinha de ver seu quarto arrumado.

    • Andar 30min pra pegar uma bicicleta, pedalar 5km e andar mais meia hora de volta pra casa. Porque quando você cozinha sua própria comida, você começa a consumir muito mais miojo e sanduíche do que é considerado saudável.

    • Olhar pro céu às 20h e ainda ver o maior solzão lá fora. Horário de verão somado à duração bizarra que o dia tem nessa época do ano foi motivo de muita confusão logo que eu me mudei. É extremamente constrangedor ter vontade de jantar enquanto ainda é dia lá fora.

    Uma foto publicada por @tuilamaciel em

    • Olhar a previsão do tempo pra o fim de semana pra decidir se vale a pena pegar três horas de ônibus pra ir pra praia. Sério, por que tão longe? Por que Porto Alegre não pode ser no litoral?
    O Google mandou dizer que não vai estar rolando praia nesse fim de semana.

    • Sentir saudades da praia. Eu sempre tive pra mim a sensação de que uma cidade sem praia é fechada demais. A praia funciona quase como uma saída de emergência psicologicamente falando. Sempre tive a sensação de que se João Pessoa fosse atacada por um exército inimigo, tava tudo bem porque eu poderia fugir pelo mar. Mas eu já passei meses sem pisar na praia durante o dia pra tomar um sol e nadar enquanto morava lá. Só de saber que a saída tava ali, tudo bem, era o bastante. Até não ter mais.

    • Aguentar um calor sufocante 37°C num dia e 26°C no outro. Juro a você, o clima de Porto Alegre é violento. Parece que tem alguém lá em cima das nuvens dizendo: "Vamo ver até quando essas pestes aguentam". E tome calor sufocante do inferno. E na mesma noite, chuva apocalíptica e raios e trovões e no outro dia a temperatura não passa de 25°C e a minha rinite ataca e depois vento derrubando árvores e coisa e tal. Aos gaúchos, minha mais sincera admiração.

    • Ver uma tempestade de raios toda semana. Confirmando o item acima.
    Um vídeo publicado por @tuilamaciel em

    • Comer um sanduíche do tamanho de um prato sem morrer. Desde a primeira vez que eu vim nessa cidade, eu falo pra todo mundo que comida é uma coisa muito barata aqui. Porque gaúcho come pra caramba (e não engorda, incrível), então as porções de comida pra uma pessoa são o suficiente pra alimentar uma Tuíla por duas semanas. To começando a pegar o jeito com essas porções, mas ainda me sinto tentada a perguntar ao moço do xis se ele não vende meia porção de sanduíche.

    Uma foto publicada por @tuilamaciel em
    • Tomar chá sem açúcar. Depois de tomar chimarrão algumas vezes, você começa a perceber que tem um ou outro chá que não precisa mesmo de açúcar. Pode acreditar, eu coloco açúcar demais em tudo, então me considero uma autoridade no assunto. 

    • Saber em qual mercado a laranja é mais barata, e em qual deles tem do pão integral que eu gosto, e se vale mais a pena comprar verdura no mercado da esquina ou andar 20min até aquele outro e trazer a carne junto. Eu nunca pensei nem que eu saberia o que tem de comer no armário sem precisar olhar.

    • Sonhar que comia caranguejo. Ou açaí. Ou cuscuz com ovo. Ou macaxeira com carne de sol. Ou tapioca.


    Mas acima de tudo isso, eu nunca achei que eu sobreviveria tomando conta de mim mesma. Até agora, não botei fogo na casa (embora tenha esquecido uma panela com meio litro de água no fogo e só percebi depois que evaporou tudo e o cheio da panela se espalhou), não me perdi (mentira, me perdi sim, mas consegui achar o caminho de volta) e to viva. Honestamente, to me saindo muito melhor do que eu esperava!

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  3. quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

    Antes de qualquer palavra eu aviso logo que eu não sou ninguém pra dar as regras e dizer como as pessoas devem viver ou se comportar. Aliás, o que eu tenho a dizer vai exatamente contra isso.

    Pensei em escrever esse texto pra comentar um fenômeno que eu (e a torcida do flamengo) percebo há um bom tempo: uma imensa falta de autenticidade.

    Temos internet 24h por dia, certo? Certo. Temos redes sociais que nos ligam às pessoas que conhecemos e aos conhecidos delas e daí vai mundo afora. Isso é ruim? Eu não acho. Eu acho maravilhoso, sempre achei, e acho ainda mais agora que moro em outra cidade e todos os meus amigos e minha família estão na outra ponta do país. Facilita imensamente minha vida poder mandar fotos pra eles e ficar sabendo o que eles andam fazendo de bom da vida enquanto eu junto as moedinhas pra poder ir visitar todo mundo. É ótimo.

    Minha mãe sempre diz que tudo em excesso é veneno e quanto mais o tempo passa, mais eu percebo como isso é verdadeiro. Mas gente, é tudo mesmo. A gente se acostumou a compartilhar a vida inteira por aqui. Compartilha-se tanta coisa que, olha, eu já senti altas vergonhas alheias com coisas que surgiram na minha timeline no facebook e eu pensei: "Opa, informação demais, amigo, eu não queria saber disso".


    Minha cara, exatamente assim.

    A internet é uma vitrine e o que eu vejo é a vida virar uma corrida de quem aparenta estar melhor nessa vitrine. Quem vai pros lugares mais ~top~ (senhor, como eu odeio essa expressão), quem tem coisas mais caras, quem tem a vida mais perfeita, o corpo mais perfeito, a cara mais perfeita.

    Sério, é feio de ver. Dá um nervoso ver pessoas se afogando nisso como se aparentar ser alguma coisa especial fosse mais importante do que fazer da própria existência alguma coisa especial. Eu não vejo nenhum problema você querer sair bem nas fotos que tira, quem não quer? O problema começa quando se tem tanto desgosto da própria vida que surge uma necessidade sufocante de criar uma realidade alternativa pra mostrar pras pessoas que "Olha só como eu sou feliz". 

    Me deu vontade de escrever sobre isso desde o dia em que eu li o post do Rob Gordon no Championship Chronicles. Ele falou sobre como as pessoas se comportam feito loucas na internet, e também disse no twitter algo como "A vida online direciona a vida real das pessoas. Devia ser o contrário". 

    E é exatamente isso o que eu (e você também, aposto) vejo todo dia. É assustador. FIcou quase natural contabilizar a importância de alguém ou de algum fato com base na quantidade de likes que a foto recebeu no instagram, ou quantas pessoas comentaram "Lindaaaaa", "Ryyyycoooo", "Gataaaaaa", "Tooooooop" (ai meu deus, esta palavra de novo). 

    Vamo com calma, amiguinhos.

    Eu fico meio nervosa com isso porque é uma coisa tão excessiva que me dá aquela vontade de gritar: "Pessoal, todo mundo sabe que a vida de seu ninguém é um conto de fadas". Ou então: "Amiguinha, você não é a Beyoncé e essa bunda não é sua". Ou melhor:

    GENTE, NINGUÉM PRECISA SER PERFEITO!

    Respiremos fundo, todos juntos e vamos dar as mãos. Agora olha todo mundo pra cara do coleguinha. Não, caramba, não pra foto. Não pro perfil do facebook. Não pros filtros do instagram. Olha pra cara daquela pessoa que você conhece. Olha pra cara de todas elas. Essa é a cara da pessoa. É assim que a pessoa é. E tem falhas e tem defeitos, tem problemas, tem uma história de vida e sofre e ri e tudo mais que nem eu você. E o valor do amiguinho não é medido em likes.


    E, por favor, faça um favor a si mesmo (como eu fiz pra mim): não se deixe afogar por isso. Não se encha da filosofia das redes sociais. Aproveite delas e tudo mais, mas cuidado pra isso não te sufocar e você começar a viver em função dessa vitrine. 

    Vai viver tua vida que tem muito pra te acontecer ainda.
    E você vai perceber (como eu percebi) que as coisas mais importantes são aquelas que você acaba até esquecendo de postar sobre.







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