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  1. terça-feira, 11 de agosto de 2015

    Conheço gente que já morou em todas as regiões desse país. Gente que já morou em outros países. Gente que se mudou de casa mais vezes do que eu já arrumei meu quarto. Pra essas pessoas, esse post provavelmente vai soar bobo.

    Porque eu morei a vida inteira no mesmo canto. Metade dessa vida inteira em uma casa. Metade em outra. Sempre com meus pais.
    Sair da casa deles pra morar em outra cidade tão longe foi, com certeza, a coisa mais arriscada que eu já fiz na vida. Mas também foi a mais certa. 
    Fácil certamente não foi. Adaptação é um negócio complicado pra quem conhecia a cidade que vivia, as linhas de ônibus, as ruas, os lugares que gostava, a comida, os amigos, a família, tudo aquilo desde sempre. Chamar um lugar novo de lar não acontece do dia pra noite. Mas acontece, uma hora ou outra.

    O engraçado é notar quando isso aconteceu. Pra mim, foi na época em que eu chegava morta da universidade, no semestre passado, me jogava na minha cama e pensava: "Ah, tava doida pra chegar em casa". Minha casa. Meu canto. Um lugar que você entra e tem certeza de que eu moro ali, e nem é só porque você vai encontrar um sapato meu na porta e outro debaixo da minha cama. Não é só porque você vai entrar no meu quarto e ver o ninho que eu costumo fazer enquanto estudo, deixando caderno, óculos, lápis, água, livros, computador e tudo que eu possa imaginar que vá ser necessário enquanto to ali, pra nem precisar levantar. Não é porque o lugar está coberto das minhas manias. É porque ali dentro você vai olhar pro meu rosto e perceber que eu to em casa.

    Assim como estive em casa em João Pessoa nos primeiros 23 anos da minha vida.

    Em julho, eu passei três semanas em João Pessoa. 
    Antes de viajar eu fiquei muito tempo imaginando como seria isso. 

    Como seria visitar o lugar que por tanto tempo foi a minha casa? Como seria rever as pessoas que por tanto tempo eu encontrava quase diariamente? Como seria estar na minha casa de lá de novo? Será que seria possível ter dois lares?

    Pensei em todas essas coisas com uma curiosidade animada. Eu tava simplesmente morrendo de vontade de verificar tudo isso.

    E a experiência me marcou demais. 

    Sim, eu me senti em casa. De um jeito diferente. 
    Foi curioso perceber como eu continuava dirigindo pela cidade sem prestar a menor atenção no caminho e mesmo assim chegando onde eu pretendia. Foi engraçado notar como lugares que eu conhecia fecharam e lugares novos abriram, e quando eu comentava isso, Taiane dizia coisas como "Ah, é, nem notei que tinha isso aí agora". Mas eu notei. 
    Foi tão gostoso entrar na casa da minha mãe e olhar o jeito dela em cada cantinho. Olhar o meu quarto que agora é de Taiane e perceber que sim, eu tenho um lugar ali, mas é um lugar diferente. É aquela visita que é de casa. É engraçado. E não é ruim, é muito bom, aliás. 
    Com chuva e sem sol

    Sentir minha família perto foi maravilhoso. Rir do jeito que só dá pra rir com eles. Implicar com a minha mãe até deixar ela na beira da irritação e da palhaçada. Correr dentro de casa feito criança, rindo e fazendo meu pai gritar que a gente tava gritando demais. Acordar Taiane todo santo dia pra ir pra praia, com ou sem sol, com ou sem chuva. Reforçar o que eu já sabia. Tempo e distância não desgastam família.

    Foram três semanas revendo todo mundo e dando abraços tão cheios de significados e saudade. Três semanas parece pouco. Mas foi mais do que suficiente pra me ensinar coisas que eu já devia ter aprendido há muito tempo sobre amizade. A distância faz um negócio engraçado com a amizade. Ela abala umas e fortalece outras. É natural, até.
    Propaganda involuntária da cia
    aérea que eu nem gosto
    Isso eu já imaginava. Só estava esperando pra ver como aconteceria. E foi surpreendente.

    Essa viagem me mudou de um jeito muito mais intenso que qualquer outra. Me modificou muito mais até do que o dia em que eu me mudei. Na verdade, eu acho que me mostrou o quanto eu mudei desde aquele dia. Aprendi a cuidar de mim, me respeitar e valorizar as coisas certas. São essas coisas que fazem a saudade valer a pena.

    Saudade, minha terra. Saudade, meu povo. Que as vezes amarga que nem jiló, mas quando a gente mata, é doce feito rapadura.
    Três semanas que eu não mudaria uma vírgula. Porque tudo foi como deveria ser, me fez rir e ficar leve, e me fez aprender muito também.

    E me deu ainda mais vontade de voltar logo!



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    1. Eu adoro covers de músicas que eu gosto. Mas os covers tem que me agradar. Aí já complica mais.
    2. Sabe aquele povo que pensa demais sobre as coisas? Eu penso demais sobre uma coisa só e eu penso várias ao mesmo tempo.
    3. E eu esqueço o que eu tava pensando por causa disso. 
    4. Eu esqueço tudo, na verdade.
    5. Antes de sair de casa eu repito: "Chave, carteira, celular, sorine, agenda..."
    6. Mas houve um tempo, quando eu era mais nova, que eu chegava a conferir se tava usando todas as peças de roupa necessárias.
    7. Sim, eu já esqueci esse tipo de coisa.
    8. Eu costumava ter: um sorine na bolsa, um sorine na mesinha de cabeceira ao lado da cama, um sorine na escrivaninha.
    9. Já saí no meio da aula e voltei pra casa porque tinha esquecido meu sorine e meu nariz fechou e eu fiquei morrendo e fungando e não tava mais conseguindo pensar.
    10. Meu ouvido direito não funciona bem porque eu mergulhei muito fundo na piscina quando era pequena e meu tímpano rompeu com a pressão.
    11. Inclusive, eu passei alguns anos fazendo tratamentos diferentes nesse ouvido por causa disso.
    12. Por isso, eu tenho muita dificuldade de saber de onde um som ta vindo.
    13. Isso somado a minha distração total, completa e absurda faz com que eu fale "anh?" com muita frequência.
    14. Minha primeira reação quando alguém fala alguma coisa é sempre dizer "anh?" mesmo que alguns segundos depois eu entenda o que a pessoa disse. Porque as vezes as pessoas falam e eu fico tentando entender o que eu ouvi e não consigo e acaba ficando tarde demais pra pedir pra repetir.
    15. Eu morro de agonia com meus ouvidos. Limpo eles todo dia, as vezes mais de uma vez.
    16. Parei de escrever essa lista pra limpar o ouvido.
    17. Minha banda preferida de todos os tempos é o Oasis.
    18. E o Noel é infinitamente melhor que o Liam.
    19. Tenho uma tatuagem com o título de uma das músicas do Oasis, "Let there be love".
    20. Detesto começar parágrafos (ou frases) com a mesma letra. Isso acontece (acho) porque eu escrevo muito em carderninhos pra organizar os pensamentos e a maior parte das frases começa com "Eu".
    21. Eu tive meu primeiro diário com sete anos. 
    22. Esse diário tinha um cadeadinho daqueles meia boca que qualquer grampo abre. Eu perdi esse. Aí peguei um cadeado de verdade, pequeno, que tinha lá em casa e fiquei usando ele. Perdi a chave e meu pai teve que quebrar o cadeado a marteladas.
    23. Quando eu era criança, meu pai comprava pintinho colorido na feira pra a gente criar. E a gente criava até eles virarem galinhas enormes, daí o meu pai dava todas elas pro moço que limpava o jardim dizendo que Seu Adalberto (o moço) tinha uma granja e as galinhas iam ser muito mais felizes lá.
    24. Eram sempre cinco pintinhos, pra gente e pros meus primos. O meu era sempre o amarelo.
    25. Amarelo é minha cor preferida.
    26. Mas no geral, eu prefiro coisas coloridas.
    27. Se "colorido" fosse uma cor, seria minha cor preferida.
    28. Eu tive uma cadelinha uma vez. O nome dela era Lince.
    29. Eu adoro Elvis.
    30. Sou péssima com números. Mesmo as contas mais simples eu faço e refaço mil vezes porque eu sempre acho que eu errei.
    31. Quando eu to usando relógio de ponteiro e alguém me pergunta as horas, eu fico nervosa e praticamente não consigo enxergar o visor do relógio e digo que o relógio ta atrasado e olho as horas no celular.
    32. Mas eu sei ler horas, tá? Demorei, mas aprendi.
    33. O twitter é infinitas vezes melhor que o facebook. 
    34. Na verdade, de todas as redes sociais que existem, o facebook é a mais sem gracinha.
    35. Não ligo muito pra cheiro de livro novo. Mas o peso do livro nas mãos é maravilhoso.
    36. Quando eu vou em livraria e vejo um livro que eu queria, eu pego ele e fico andando abraçada com o coitado enquanto olho outras coisas. Depois eu solto ele de volta porque obviamente não tenho dinheiro pra comprar.
    37. Sempre tive preconceito com e-reader. Mas comprei um Kobo e olha, foi o dinheiro mais bem gasto da minha vida.
    38. Tenho um problema com séries, porque eu só sei assistir as coisas em maratonas, daquelas que você fica dias sem ver a luz do sol assistindo temporadas inteiras e fica tanto tempo deitada assistindo que quando levanta se sente mal por ser tão improdutiva nessa vida.
    39. Escuto Smash Mouth e saio dançando pela casa.
    40. Na 7ª série, eu desloquei o joelho pulando corda.
    41. Eu jogo totó muito bem. Juro!
    42. Fiz natação por um tempo e eu adorava.
    43. A melhor parte da praia é mergulhar no mar e depois deitar e ficar secando no sol.
    44. Detesto varrer casa porque sempre ficam umas poeirinhas que escapam da vassoura e eu acabo varrendo o mesmo lugar mil vezes tentando me livrar delas e nunca é o suficiente.
    45. Amo a Turma da Mônica de todo o meu coração porque foram com os gibis que eu comecei a gostar de ler.
    46. E comecei a gostar de escrever por causa do Diário da Princesa, que eu adorava quando era novinha.
    47. Tive um professor de português no ensino fundamental que dava a maior corda pro meu gosto por livros e vivia me indicando coisas pra ler.
    48. Adoro andar descalça.
    49. Sempre rabiscava meus All Stars e minha mãe ficava pra morrer.
    50. Meu nome tem acento no i, é tão difícil entender isso????

    Amiga Malu fez a listinha no blog dela e me indicou pra fazer também e aqui vai. Divirtam-se!
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  2. quinta-feira, 26 de março de 2015

    Quero começar ressaltando que: 
    1. Gente pode ser homem ou mulher.
    2. Babaca também.
    Tendo dito isso, podemos começar.

    Estou escrevendo este texto pra colocar pra fora (pra toda a internet ouvir) as coisas que eu gostaria de ter dito pra a moça que estava atrás de mim na fila do RU hoje no almoço.

    Mas antes, um pouco de contexto:

    Eu adoro entreouvir conversas. Horrível, eu sei. Mas é uma mania incontrolável que eu tenho. Ando na rua prestando atenção no que os outros estão dizendo e me distraindo de todo o resto. E hoje tinha uma moça atrás de mim na fila do RU que em determinado momento atendeu ao telefone. 
    Não dei muita atenção ao início da conversa, mas sabia que ela tava falando com o namorado porque atendeu com "Oi, amor". Eu só realmente dei atenção a conversa quando o tom de voz dela pareceu ficar meio irritado. E lá vai o que eu ouvi:


    - Do que é que você ta falando? Eu não dei risadinha nenhuma.
    - "..." - o boy responde algo
    - Fulano, eu não dei risadinha nenhuma. Eu falei com a boca assim *abre a boca* e o som da voz sai diferente.
    "..."
    - Eu já disse a você que eu estou na fila do RU sozinha. Eu vim almoçar sozinha hoje. Não tem ninguém aqui comigo.
    - "..."
    - Claro, tem gente na fila na minha frente e atrás de mim, mas eu estou sozinha... Que risadinha, eu não dei risadinha nenhuma!
    - "..."
    - Eu estava ouvindo rádio e mandando uma mensagem, por isso eu demorei pra lhe atender. Eu vou mandar a mensagem pra você quando a gente desligar.
    - "..."
    - Fulano, eu não estou com ninguém aqui!
    - "..."
    - Não tem nada de estranho nisso, não tem ninguém aqui comigo, eu estou sozinha.
    - "..."
    - Você vai ter que acreditar em mim, eu vou lhe mandar a mensagem, vou mostrar que tava ouvindo rádio, eu posso provar.
    - "..."
    - Eu estou sozinha. Não teve risadinha nenhuma.
    - "..."
    - Eu vou tirar foto pra você ver que eu to aqui sozinha.

    *Opa, vai tirar foto, moça, espera eu arrumar meu cabelo*

    - "..."
    - Mas não tem ninguém aqui comigo.
    - "..."
    - Eu não ri!

    E depois de ficar repetindo isso por mais uns 10 minutos, a moça desliga o telefone. E logo liga de novo.

    - Viu a mensagem que eu mandei? Eu tava escrevendo ela, como é que eu ia ter tempo pra ouvir rádio e escrever uma mensagem se eu estivesse aqui com alguém?

    E a conversa recomeça por mais 10 minutos.


    Agora que apresentei a situação a todos vocês, posso falar sobre o assunto.
    Foram quase 30min de fila do RU. RU, o restaurante universitário, onde você pega uma fila gigantesca, paga R$1,30 e almoça. E o cara pirou achando que ela estava com alguém na fila do RU e ficou todo esse tempo brigando no telefone. Agora eu me pergunto, o que diabos esse rapaz tava pensando? Que a namorada dele estava tendo um encontro romântico com o outro no refeitório da universidade? Olha, sem querer criticar o lugar que me fornece almoço cinco dias por semana, mas o RU não é nem de longe o lugar ideal para se encontrar um paquera.

    E isso é apenas para ressaltar o absurdo da situação.

    Porque o que mais me chamou atenção nessa zona toda foi que em nenhum momento eu ouvi a moça falar nada do tipo: 

    "VOCÊ TA FICANDO MALUCO DE REGULAR COM QUEM EU ALMOÇO OU DEIXO DE ALMOÇAR? SEU DOENTE". 

    Porque é exatamente isso o que eu diria.

    Ela não. Ela parecia estar achando aquela situação chata e incômoda como seria brigar com o namorado por qualquer motivo justo. Ela achava que o problema principal (não sei se ficou claro na minha "transcrição") era o cara acusar ela de dar uma ~risadinha~ que ela afirmava não ter acontecido. 

    ESSE era o problema. 
    Não o fato de o namorado dela querer controlar com quem ela almoça. Não o fato de o namorado dela ter ciúmes por ela supostamente estar com alguém no romanticíssimo RU. Não o fato de ela precisar repetir um milhão de vezes que não estava com ninguém e o cara ainda assim não acreditar. Não, esses eram detalhes. 

    Eu fico realmente horrorizada com o quanto soa normal para algumas pessoas a ideia do ter que dar satisfação de cada mínimo passo pra o outro com quem você resolve se relacionar como se a partir do momento que aquela pessoa recebe o título de "namorada(o)" ela passasse a ser também dono.
    Porque a atitude de um cara como esse é a de alguém que se considera dono do outro. Que acredita que tem o direito de saber e impedir a pessoa de fazer alguma coisa que ele sinta que o desagrada de alguma forma. 

    Olha, vou te dizer, eu me sinto extremamente incomodada de ver coisas desse tipo. Ela não era uma menininha (o que poderia indicar que "ah, coitada, não sabe nada da vida ainda, ela vai aprender, não vai mais deixar ninguém tratar ela assim"). Não, ela era uma moça, já. De seus 20 e poucos pra 30 anos. Imagina quanto tempo essa mulher vive desse jeito e por quanto mais tempo ela vai viver sem liberdade, sem mandar no próprio nariz, tendo que tirar fotos dos lugares pra provar pra um namorado doente e inseguro que ela está sozinha no FUCKING RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO.

    Estou escrevendo esse texto porque quando eu entreouvi essa conversa absurdamente longa e incrivelmente chocante, eu lembrei de pessoas que eu conheço. Amigas e amigos que vivem em relacionamentos baseados em posse. Em controle, em ciúme, em desconfiança. Eu realmente não sei como vocês conseguem. 

    O meu recado vai pros meus amigos:

    Se você está com uma pessoa que NÃO RESPEITA TUA LIBERDADE, você está JOGANDO SUA VIDA FORA.

    Não troque sua liberdade por um(a) babaca. Não passe sua vida presa(o) a babacas. Porque um dia você vai olhar pra trás e ver que não viveu nada porque estava com uma pessoa que não queria que você vivesse nada. E você permitiu isso. Não permita. Sua vida é sua.

    Pra fechar com chave de ouro, Jout Jout resumindo tudo:




    LINDA JOUTJOUT TE AMO.
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  3. quinta-feira, 19 de março de 2015

    Essa história foi citada no facebook, só a título de informação.

    -
    Quem me viu duas vezes e meia na vida já consegue perceber que orientação (e foco) não é o meu forte. Eu esqueço as coisas, eu esqueço nomes, eu esqueço a cara das pessoas, avalie se eu consigo lembrar nome de rua? Morei 23 anos em João Pessoa e invariavelmente confundia a Rui Carneiro com a Beira Rio (sempre culpei o fato de os dois nomes terem palavras começadas em R).

    Por este motivo, logo que me mudei, tomei a providência de conhecer os arredores da minha casa. Descobri farmácias, pet shops, lojinhas de 1,99 (importantíssimas), passei horas analisando o Google Maps e tentando extrair algum sentido das linhas de ônibus e dos nomes de bairros desconhecidos. 
    Andei bastante aqui por perto e numa bela manhã de sol decidi que estava pronta para encarar um novo desafio: pegar a bicicleta e ir até o parque da Redenção. Sozinha.

    Um pequeno passo para a humanidade, um passo gigante para um hobbit perdido.

    Então, decidida, enchi meu coraçãozinho de coragem e alonguei minhas perninhas sedentárias e fui.
    Eu devia ter percebido meu erro quando peguei o caminho errado logo na ida. 
    Saí de casa contando as ruas para pegar a 2ª a direita depois daquele sinal. Você não me pergunte como diabos eu consegui errar isso. Era só olhar pro sinal, contar um, dois e entrar na rua. Como é possível que um ser humano erre isso?

    Não sei.
    Sei que eu errei.

    Sorte que era só pegar a avenida em linha reta até dar uma dor. Aí você chegava no parque.
    Fiz isso. Quando cheguei, achei que minhas perninhas iam chamar um nome feio comigo e me abandonar lá mesmo. E acho que isso não aconteceu por muito pouco.

    Sei que dei umas voltas no parque, encontrei um pessoal que faz yoga por lá, dei umas esticadas e resolvi voltar pra casa. Eram umas 11h da manhã. Era outubro. O que significa que a primavera estava indo embora, já tinha um solzinho considerável no céu naquela hora.
    Peguei a bicicletinha e pensei: voltarei pelo caminho que vim. É mais longo, porém é mais fácil.

    Ah, esqueci de mencionar uma coisa importante:
    Sabe Deus qual motivo eu tive pra fazer uma estupidez dessa magnitude, mas quando eu saí de casa, eu achei por bem deixar a minha bolsa com a chave de casa e a carteira na portaria do prédio. Eu tinha pensado em dar só uma voltinha, na hora fez sentido não carregar nada além do celular comigo.
    Genial, não? Sou o orgulho da mamãe.



    Enfim, peguei o caminho que tinha vindo e não tinha pedalado nem um terço do trajeto quando percebi que o guidom da bicicleta não estava mais fazendo o seu trabalho. Algo aconteceu que o pneu da frente ia para onde queria e não para onde eu mandava ele ir. E adivinhem em que momento eu percebi isso?
    Exatamente, quando estava atravessando uma avenida.

    Naquele momento, eu pensei que ia morrer jovem sem nunca nem ter comido sushi no Japão.

    E foi por muito pouco.

    Quando consegui chegar na outra calçada puxando aquele monte de ferros inútil que quase me matou, foi que eu me dei conta da dimensão da minha desgraça. Lá estava eu, a pelo menos 40min de caminhada até a minha casa, numa cidade desconhecida, sem a chave da corrente da bicicleta pra amarrar ela em nenhum lugar e sem dinheiro pra pegar o ônibus.
    Percebi que minha única saída era caminhar até em casa sob o sol do meio dia empurrando uma bicicleta cujo pneu insistia em ir pra o lado mais errado possível, me puxando pra cima das pessoas ou pro meio da rua enquanto eu andava.

    Quase chorei.

    Depois de andar quase uma hora pingando de suor e com uma cara de pouquíssimos amigos, chego em casa.
    O porteiro abre a porta pra mim e percebe minha expressão sofrida, me devolve minha bolsa e pergunta o que houve:

    - A bicicleta quebrou. Vim andando praticamente da Redenção até aqui.
    - Bah!
    - Pois é.

    Pois é, moço.
    Eu não poderia definir melhor.


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  4. sábado, 14 de março de 2015

    Para: Tuíla, 10 anos atrás.


    Opa, como vai?
    Nem precisa me contar, eu sei. Com 14 anos, ta tudo maravilhoso demais, eu lembro bem. Lembro que por muito tempo eu disse que 2005 tinha sido o melhor ano da minha vida. E também passei outros bons anos dizendo que 2006 tinha sido o pior. Pois é, você está nas portas de viver o que, por bastante tempo, você vai considerar o pior ano da sua vida, sem perceber que, na verdade, teve muita coisa boa acontecendo contigo e você tava tão compenetrada em reclamar daquelas que não tinham saído como você queria que não viu nada daquilo.
    Você é extremamente teimosa e reclamona. E claro, vai ler isso e me xingar e dizer "quem você pensa que é pra me chamar de reclamona? você nem sabe o que eu passei". Sei sim, pirralha. Melhor do que ninguém. E sei também que os próximos dois ou três anos só foram tão ruins como você diz por causa dessa sensação que você mesma alimentou de que tudo estava uma bosta porque você mudou de colégio, acabou um relacionamento e teve uns problemas com uns amigos. O que você não percebe é que mudar de colégio foi legal, te fez conhecer um monte de gente. E sobre o teu namoro: calma. Acabou e ué? Nem morreu. E sobre seus amigos: tudo se resolveu, o que te prova que eram amigos de verdade. A maior parte deles, inclusive, se mantém até hoje.

    Mas eu não quero que essa carta fique com um tom de bronca. Não me leve a mal. Mas é que você realmente precisava desse sacode. Você deixou de aprender e aproveitar muita coisa por estar só olhando o lado ruim de tudo. E por alimentar isso, você causou um monte de probleminhas futuros.

    Se vocês soubessem até onde eu tive que
     ir pra encontrar essa foto...

    2006 não foi o pior ano da tua vida. Ele foi muito bom, na verdade. E teria sido infinitamente melhor se você tivesse percebido isso. Um conselho que te dou, Tuíla (com 14 anos, na oitava série, estudando no colégio de sempre com os amigos que conhece desde os 8 anos) é: relaxa. Você é muito tensa, cismada contigo mesma, com pouca ou nenhuma auto confiança e cada dia que você passa alimentando esses sentimentos, tua ansiedade aumenta. E isso vai dar uma merda tão grande em 2014 que vai te fazer pensar que 2006 foi fichinha perto disso.

    Então, pelo amor das criancinhas, relaxe! Aprenda a sossegar, aprenda a ver do que você é capaz e acreditar nisso. Porque eu sei que você tem, desde essa época, uma mania horrorosa de ver as próprias habilidades, ver os resultados dos teus esforços e dizer: eu dei sorte.
    Sorte uma pinóia, minha filha. Você lutou pra caramba, dê a si mesma um pouco de crédito, faz favor.
    Ah, mais uma coisa: aprenda, de uma vez por todas, a seguir os conselhos que você dá pras tuas amigas. As vezes você até sabe do que ta falando, vive dizendo que elas precisam acreditar nelas mesmas e tudo mais. Por que danado você não faz o mesmo?

    E continua rindo das coisas. Porque isso é a melhor parte de você. Não deixe nada no mundo fazer você pensar que o teu jeito ou o teu senso de humor é exagerado ou bobo. Ria mesmo. E se alguém reclamar, ria dessa pessoa também. 
    Isso é a melhor coisa do mundo!

    Um abraço.
    E coloca outra roupa no dia depois da festa de São João do colégio em 2006. Você vai rasgar a calça no joelho quando cair do caminhão, então vai com uma mais velhinha nesse dia.
    Putz, eu adorava aquela calça.



    - Tuíla, de 24 anos.


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  5. quinta-feira, 5 de março de 2015

    Estou nos meus últimos dias de férias. Minha vida ociosa está lentamente se acabando. Na verdade, já era pra ter acabado completamente, mas alguns problemas com reformas mal planejadas (eu sei, universidades federais, sempre a mesma coisa, não importa onde você vá) fizeram com que meus dias de vadiagem em casa fossem prolongados.
    Nesses dias eu procurei o que fazer pra não ficar parada olhando pro teto até enlouquecer. Estudei coisas, li outras coisas, limpei a casa inúmeras vezes, peguei a bicicleta e fui resolver coisas que eu tava adiando desde que me mudei (tipo ir no banco, coisa que eu tive que fazer mais de três vezes pra resolver um único problema) e vi seriados até explodir. Comecei (de novo) e terminei de ver Dexter, vi Orphan Black, vi o que faltava de Orange is the new black, terminei Breaking Bad... E mais umas ou outras que não lembro agora.
    E hoje, eu resolvi ouvir música.

    Eu tenho altas faxinas pra fazer na casa e o único jeito de fazer faxina ser uma coisa suportável é ouvir música no processo, porque aí você dança (mal) enquanto varre a casa. Então, eu abri o Spotify e fiquei olhando pra tela tentando decidir o que eu queria escutar. E daí eu resolvi procurar músicas da Disney. Sério. 

    Essa aqui, especificamente.



    Essa música é sensacional, e sempre que eu escuto eu fico pelo menos uma semana cantarolando ela na minha cabeça, misturando as frases que eu sei da letra original com a versão em português (que também é linda, maravilhosa e sensacional).
    Daí eu emendei procurando outras músicas e comecei a lembrar de quando eu assistia esses filmes de manhã, antes de ir pra escola, todo santo dia.
    Pode anotar aí.

    Quando eu tinha uns, sei lá, cinco ou seis anos, a minha rotina começava com Rei Leão.

    Eu acordava de manhã, pegava a fita VHS e colocava no video e assistia o filme inteiro enquanto tomava café da manhã. Então o desenho terminava e eu rebobinava a fita (socorro, tem gente que não vai saber o que significa rebobinar) e assistia tudo de novo. As vezes eu ainda fazia isso uma terceira vez naquele mesmo dia. 
    Se tinha uma criancinha propensa a ser afetada por aquelas mensagens subliminares que o pessoal diz que tem nos desenhos da Disney, essa criancinha fui eu.

    Eu sei absolutamente todas as falas decoradas.
    De vez em quando Alex fala alguma coisa e eu solto uma frase de algum filme da Disney da minha infância e ele fica me olhando como se eu fosse completamente maluca. E eu devo ser mesmo.

    Mas o meu ponto aqui não são os meus probleminhas psicológicos que são óbvios e de conhecimento geral.

    O negócio é que: as músicas daqueles desenhos me trazem tantas lembranças que eu tenho vontade de explodir.
    Sério, eu tenho vontade de chorar com:



    Disney, sua linda, como você faz isso?
    E daí as pessoas começam a fazer versões das músicas e algumas delas são apenas sensacionais, e sabe por quê? Por que a música é boa. E mais, as versões em português das músicas dos filmes mais antigos da Disney são maravilhosas, como poucas músicas "traduzidas" hoje são. 

    Cês sabiam que tem um cd que chama Disney Adventures in Samba?

    Pois é, Taiane que me mandou. E os meus vizinhos devem ter ficado bem curiosos com o fato de que eu passei metade da minha manhã ouvindo "Eu vou, eu vou" dos sete anões cantado pelo Molejo. Juro.


    Me diga mesmo se é qualquer musiquinha de desenho animado que fica boa assim em samba? Sério, procurem no youtube a música da Bela e a Fera cantada pela Alcione. Dá vontade de chorar de tão maravilhosa.

    Ouvi todas essas e mais umas outras hoje pela manhã e lembrei de muita coisa da minha infância, muita coisa boa. Quando a Disney faz uma coisa ela capricha (claro, tem uma ou outra porcaria; até hoje eu não sei que merda foi aquela que eles fizeram com Anastasia, que filme horrível). 

    Eu cresci com esses desenhos. E aposto que vou continuar soltando frases que eu decorei quando era criança e nunca vou conseguir esquecer.

    ~
    Um brinde à quem teve uma infância mágica!
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  6. quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

    A culpa é da minha mãe. Ela fez uma assinatura de gibis da Turma da Mônica quando eu era criança e foi lá que tudo começou. Talvez eu até já tenha falado sobre isso aqui. Minha mãe guardava a sacolinha de gibis quando chegava no correio e me dava um por semana. Mas naquela época eu não tinha realmente uma noção de tempo muito boa, então o conceito de "um por semana" era muito vago pra mim. Quase todo santo dia eu perguntava pra minha mãe: "Hoje é dia de gibi novo?". E ela, com a paciência de 200 monges tibetanos me respondia que não, que não era hoje ainda.

    Enfim, aprendi a adorar ler por causa dos gibis que a minha mãe me dava semanalmente e eu lia e relia até quase decorar a historinha inteira. E dei sorte de ter um professor de português sensacional quando tava no ensino fundamental, que viu que eu tinha interesse e me incentivava a ler mais e escrever mais e corrigia minhas redações e me fazia gostar ainda mais de mergulhar em histórias.

    Mas acontece que o tempo passa, a gente cresce e a vida vira uma loucura de prazos e obrigações e o bom e velho tempo livre vira um bichinho raro que a gente não tem tempo de perseguir. Percebi que eu lia muito mais quando tava na escola do que hoje, que eu tenho um Kobo e uma infinidade de eBooks pra baixar nessa internet maravilhosa de meu Deus. 

    No comecinho desse ano, Alex viu no 9gag um Reading Challenge, uma lista de coisas pra ler no prazo de um ano. Eu traduzi o bagulho e salvei a listinha:


    Eu achei sensacional. E muito mais difícil do que parece. A lista não te dá nomes de livros, quantos livros você deve ler por mês ou coisa parecida. São "categorias" e cabe a você encontrar um livro que se encaixe em cada uma. Sempre que eu penso em um livro que eu quero ler, eu olho pra essa lista e procuro em qual item dá pra encaixar. 

    Quero muito saber onde eu vou encontrar um livro banido. Também gostaria de salientar que um livro que eu possa terminar em um dia é um conceito meio abstrato. 


    Em janeiro eu li três livros. Memórias Póstumas de Brás Cubas eu devia ter lido pro 
    Pia que linda a estante nova!
    vestibular, mas confesso que nunca li. Passou vestibular, passou graduação e precisou chegar 2015 pra eu tomar vergonha na cara e ler o negócio. 

    Viagem ao centro da terra e Incidente em Antares foram indicações dos meus coleguinhas do Bacanudo, um blog que eu participo (vai lá dar uma olhadinha, eu espero), no podcast Caçadores da Lista Perdida #25. Adorei os dois livros (e os outros que foram indicados também vão entrar no desafio), principalmente o do Érico Veríssimo, que eu achei sensacional. Sempre tive planos de ler as coisas do Érico, mas simplesmente nunca tinha acontecido, sabe? 

    É por isso que eu adorei o desafio. Uma chance de organizar a listinha de leitura e me aventurar em coisas novas que eu provavelmente demoraria bem mais pra ler. Além disso, quando a gente quer fazer alguma coisa, a gente tem que fazer dar tempo. Não adianta ficar esperando não ter o que fazer da vida, porque você sempre vai estar ocupado. E quando não estiver, certamente vai estar muito cansado e doido pra tirar um cochilo. 

    Não sei se eu vou conseguir completar o desafio daqui pro fim do ano. Pelas minhas contas, o resultado mais provável é: NÃO. Mas, né? Tentarei mesmo assim. E se terminar o ano e eu não tiver completado todos os itens, vou continuando até chegar ao fim.

    Me façam a fineza de me sugerir livros, aceito de bom grado! E quem quiser, entra no desafio também que ainda dá!

    :D




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  7. quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

    • Tirar roupa do varal, dobrar e guardar tudo às 23h30 de um sábado. Desculpa, mas aquilo ali tava me incomodando e, bom, minha mãe não vai aparecer pra arrumar a casa por mim, certo? OK, eu entendo, não precisava ser naquela hora (como Alex disse: não dá pra a gente fazer isso de manhã?), mas quando você é parte responsável por manter a casa em pé, você começa a entender a urgência que a sua mãe tinha de ver seu quarto arrumado.

    • Andar 30min pra pegar uma bicicleta, pedalar 5km e andar mais meia hora de volta pra casa. Porque quando você cozinha sua própria comida, você começa a consumir muito mais miojo e sanduíche do que é considerado saudável.

    • Olhar pro céu às 20h e ainda ver o maior solzão lá fora. Horário de verão somado à duração bizarra que o dia tem nessa época do ano foi motivo de muita confusão logo que eu me mudei. É extremamente constrangedor ter vontade de jantar enquanto ainda é dia lá fora.

    Uma foto publicada por @tuilamaciel em

    • Olhar a previsão do tempo pra o fim de semana pra decidir se vale a pena pegar três horas de ônibus pra ir pra praia. Sério, por que tão longe? Por que Porto Alegre não pode ser no litoral?
    O Google mandou dizer que não vai estar rolando praia nesse fim de semana.

    • Sentir saudades da praia. Eu sempre tive pra mim a sensação de que uma cidade sem praia é fechada demais. A praia funciona quase como uma saída de emergência psicologicamente falando. Sempre tive a sensação de que se João Pessoa fosse atacada por um exército inimigo, tava tudo bem porque eu poderia fugir pelo mar. Mas eu já passei meses sem pisar na praia durante o dia pra tomar um sol e nadar enquanto morava lá. Só de saber que a saída tava ali, tudo bem, era o bastante. Até não ter mais.

    • Aguentar um calor sufocante 37°C num dia e 26°C no outro. Juro a você, o clima de Porto Alegre é violento. Parece que tem alguém lá em cima das nuvens dizendo: "Vamo ver até quando essas pestes aguentam". E tome calor sufocante do inferno. E na mesma noite, chuva apocalíptica e raios e trovões e no outro dia a temperatura não passa de 25°C e a minha rinite ataca e depois vento derrubando árvores e coisa e tal. Aos gaúchos, minha mais sincera admiração.

    • Ver uma tempestade de raios toda semana. Confirmando o item acima.
    Um vídeo publicado por @tuilamaciel em

    • Comer um sanduíche do tamanho de um prato sem morrer. Desde a primeira vez que eu vim nessa cidade, eu falo pra todo mundo que comida é uma coisa muito barata aqui. Porque gaúcho come pra caramba (e não engorda, incrível), então as porções de comida pra uma pessoa são o suficiente pra alimentar uma Tuíla por duas semanas. To começando a pegar o jeito com essas porções, mas ainda me sinto tentada a perguntar ao moço do xis se ele não vende meia porção de sanduíche.

    Uma foto publicada por @tuilamaciel em
    • Tomar chá sem açúcar. Depois de tomar chimarrão algumas vezes, você começa a perceber que tem um ou outro chá que não precisa mesmo de açúcar. Pode acreditar, eu coloco açúcar demais em tudo, então me considero uma autoridade no assunto. 

    • Saber em qual mercado a laranja é mais barata, e em qual deles tem do pão integral que eu gosto, e se vale mais a pena comprar verdura no mercado da esquina ou andar 20min até aquele outro e trazer a carne junto. Eu nunca pensei nem que eu saberia o que tem de comer no armário sem precisar olhar.

    • Sonhar que comia caranguejo. Ou açaí. Ou cuscuz com ovo. Ou macaxeira com carne de sol. Ou tapioca.


    Mas acima de tudo isso, eu nunca achei que eu sobreviveria tomando conta de mim mesma. Até agora, não botei fogo na casa (embora tenha esquecido uma panela com meio litro de água no fogo e só percebi depois que evaporou tudo e o cheio da panela se espalhou), não me perdi (mentira, me perdi sim, mas consegui achar o caminho de volta) e to viva. Honestamente, to me saindo muito melhor do que eu esperava!

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  8. quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

    Antes de qualquer palavra eu aviso logo que eu não sou ninguém pra dar as regras e dizer como as pessoas devem viver ou se comportar. Aliás, o que eu tenho a dizer vai exatamente contra isso.

    Pensei em escrever esse texto pra comentar um fenômeno que eu (e a torcida do flamengo) percebo há um bom tempo: uma imensa falta de autenticidade.

    Temos internet 24h por dia, certo? Certo. Temos redes sociais que nos ligam às pessoas que conhecemos e aos conhecidos delas e daí vai mundo afora. Isso é ruim? Eu não acho. Eu acho maravilhoso, sempre achei, e acho ainda mais agora que moro em outra cidade e todos os meus amigos e minha família estão na outra ponta do país. Facilita imensamente minha vida poder mandar fotos pra eles e ficar sabendo o que eles andam fazendo de bom da vida enquanto eu junto as moedinhas pra poder ir visitar todo mundo. É ótimo.

    Minha mãe sempre diz que tudo em excesso é veneno e quanto mais o tempo passa, mais eu percebo como isso é verdadeiro. Mas gente, é tudo mesmo. A gente se acostumou a compartilhar a vida inteira por aqui. Compartilha-se tanta coisa que, olha, eu já senti altas vergonhas alheias com coisas que surgiram na minha timeline no facebook e eu pensei: "Opa, informação demais, amigo, eu não queria saber disso".


    Minha cara, exatamente assim.

    A internet é uma vitrine e o que eu vejo é a vida virar uma corrida de quem aparenta estar melhor nessa vitrine. Quem vai pros lugares mais ~top~ (senhor, como eu odeio essa expressão), quem tem coisas mais caras, quem tem a vida mais perfeita, o corpo mais perfeito, a cara mais perfeita.

    Sério, é feio de ver. Dá um nervoso ver pessoas se afogando nisso como se aparentar ser alguma coisa especial fosse mais importante do que fazer da própria existência alguma coisa especial. Eu não vejo nenhum problema você querer sair bem nas fotos que tira, quem não quer? O problema começa quando se tem tanto desgosto da própria vida que surge uma necessidade sufocante de criar uma realidade alternativa pra mostrar pras pessoas que "Olha só como eu sou feliz". 

    Me deu vontade de escrever sobre isso desde o dia em que eu li o post do Rob Gordon no Championship Chronicles. Ele falou sobre como as pessoas se comportam feito loucas na internet, e também disse no twitter algo como "A vida online direciona a vida real das pessoas. Devia ser o contrário". 

    E é exatamente isso o que eu (e você também, aposto) vejo todo dia. É assustador. FIcou quase natural contabilizar a importância de alguém ou de algum fato com base na quantidade de likes que a foto recebeu no instagram, ou quantas pessoas comentaram "Lindaaaaa", "Ryyyycoooo", "Gataaaaaa", "Tooooooop" (ai meu deus, esta palavra de novo). 

    Vamo com calma, amiguinhos.

    Eu fico meio nervosa com isso porque é uma coisa tão excessiva que me dá aquela vontade de gritar: "Pessoal, todo mundo sabe que a vida de seu ninguém é um conto de fadas". Ou então: "Amiguinha, você não é a Beyoncé e essa bunda não é sua". Ou melhor:

    GENTE, NINGUÉM PRECISA SER PERFEITO!

    Respiremos fundo, todos juntos e vamos dar as mãos. Agora olha todo mundo pra cara do coleguinha. Não, caramba, não pra foto. Não pro perfil do facebook. Não pros filtros do instagram. Olha pra cara daquela pessoa que você conhece. Olha pra cara de todas elas. Essa é a cara da pessoa. É assim que a pessoa é. E tem falhas e tem defeitos, tem problemas, tem uma história de vida e sofre e ri e tudo mais que nem eu você. E o valor do amiguinho não é medido em likes.


    E, por favor, faça um favor a si mesmo (como eu fiz pra mim): não se deixe afogar por isso. Não se encha da filosofia das redes sociais. Aproveite delas e tudo mais, mas cuidado pra isso não te sufocar e você começar a viver em função dessa vitrine. 

    Vai viver tua vida que tem muito pra te acontecer ainda.
    E você vai perceber (como eu percebi) que as coisas mais importantes são aquelas que você acaba até esquecendo de postar sobre.







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