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  1. quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

    Como todo mundo que me conhece um pouquinho já sabe, eu tenho um monte de manias. Uma delas, que se desenvolveu quando eu tava na 5ª série (que agora é 6º ano, só pra me confundir), foi a de manter diários, registrando tudo de mais importante que acontecia comigo, porque eu morria de medo de esquecer. 
    Ainda bem que eu nunca disse a ninguém que eu era normal. 
    Eu tenho montes e montes de diários daquela época aqui em casa, e passando o olho neles, eu percebo que são só descrições, registros. Uma vez perdida eu registrava um sentimento que escapava naquelas páginas. Mas todo o resto servia só de recordação.

    E mais ou menos nessa época, eu desenvolvi a mania de fazer listas com resoluções ano novo. Eu fazia isso sempre no dia 31 de dezembro. E todo ano, a lista era praticamente igual a do ano anterior: 
    1. Vou parar de roer as unhas (não parei até hoje).
    2. Vou estudar mais (isso eu até que melhorei, ponto pra mim).
    3. Vou ser uma pessoa organizada (não, não deu).
    4. Não vou arengar na escola, me meter em briga, nem xingar as coleguinhas (er...)
    5. Não vou mais me meter em problemas (olha... eu tenho cicatrizes em número suficiente pelo meu corpo pra provar que essa eu nunca cumpri mesmo).

    Daí que quando chegou o dia 31 de dezembro de 2013, eu parei pra fazer minha listinha. E lembrei de tudo isso, de todas as listas, todos esses anos, que eu costumava esquecer que tinha feito antes de chegar no meu aniversário, poucos dias depois. Pra quê fazer isso de novo? Pra quê anotar coisas que eu não vou cumprir?
    Pra quê prometer ser uma pessoa mais calma e tranquila se eu vou xingar com todas as minhas forças a primeira alma sebosa que buzinar pra mim quando eu tiver dirigindo? Ou dizer que eu vou ser uma pessoa melhor? Melhor como? Pra quem? Mas eu já não sou maravilhosa?? (não)

    Deixa eu ilustrar melhor meu pensamento naquele instante:
    ~ Senta que lá vem a história:

    Me fizeram ir no shopping no dia 24 de dezembro.
    Sério.
    Minha amada mãezinha, linda, especial e fofa, cheia de amor no coração, me acordou naquele lindo dia natalino e disse:
    - Levanta e vai logo no shopping senão vai ficar tarde e tu não vai conseguir nem chegar lá.
    Não me diga.
    E lá vou eu, com ódio do mundo, com sono, com olheiras que diziam: "Mataria um ser humano em troca de uma cama" e com cerca de zero de espírito natalino no meu organismo. Lá vou eu me enfiar no shopping. Sozinha.

    Devo dizer que quando eu cheguei, fiquei até surpresa de conseguir estacionar sem muito esforço. E mais ainda quando eu vi que tinham outras vagas. Bom, menos mal. Parti em minha missão de comprar os troços que a minha mãe deixou pra última hora.

    Sim, que fique bem claro: eu estava lá porque a minha mãezinha deixou compras para última hora. Beijo, mãe, te amo.

    Depois de rodar por aproximadamente 10min, o shopping já tinha lotado. Crianças choravam por brinquedos, pessoas atropelavam umas as outras, derrubavam coisas das prateleiras, enfim. O caos reinava. Toda a pouca paz que eu tinha conseguido por arrumar vaga pro carro já tinha ido embora. 
    Cheguei na fila do caixa e ela meio que dava a volta na loja inteira. Senti uma lágrima no canto do olho. Mas fazer o que? Já estava com merda até na canela, melhor me jogar de vez. Esperei pacientemente na fila, que estava daquele tamanho por motivos de: só tinha um caixa trabalhando.

    Agora você me explique como eu poderia manter a calma se em plena véspera de Natal, um miserável de um gerente de loja acha por bem pensar que um caixa só dá conta? Eu quase consigo ver a maldade no olhar, quando ele decidiu que odiava o Natal, queria ver todo mundo ferrado e pensou: "Quem mandou esse bando de folgado deixar pra comprar qualquer coisa que seja no dia 24? Vou transformar a vida de todos num inferno só por causa disso". 
    Eu já estava vermelha, soltando fumacinha pelo nariz, como um desenho animado, quando percebi isso. Achei que nada podia ser pior. Mas podia. Sabe por quê? 

    Porque sempre tem alguém que acha que tudo bem furar fila.

    Não vou perder tempo aqui explicando a logística da situação em que a mulher furou a fila. Mas o fato é que aquela senhora furou a fila. 
    Eu juro a você que todas as cenas de assassinato que eu vi em Dexter passaram na minha cabeça naquele momento. Me vi jogando o corpo daquela senhora partido em muitos pedacinhos, dentro de um saco plástico preto, lá depois de Areia Vermelha. Pensei também que tava assistindo seriado demais.

    Aí eu pensei: "Ainda bem que ainda é 2013, eu não fiz minha listinha de ano novo, posso xingar essa velha horrorosa até a língua cair". 
    Foi nesse momento que eu parei.
    E comecei a pensar por que danado eu só precisaria ser uma boa pessoa depois do dia 1? Por que a gente para pra planejar o que vai ser nesse próximo ano como se o reveiôn fosse alguma coisa mágica que fosse mudar toda a nossa vida? Por que, pelo amor das criancinhas, a gente fica desejando que "2014 seja isso e seja aquilo", se o pobre do 2014 não tem a obrigação de ser nada?

    E foi quando eu percebi o óbvio. Que a gente tem a obrigação de se renovar e lutar pelo que a gente quer todo santo dia e não ficar esperando que o número que mudou no calendário vá trazer algum tipo de mágica que vai me fazer virar uma pessoa calma, paciente e fofa.

    Foi nessa hora também que o menino atrás de mim me avisou que já era minha vez no caixa.

    Toda essa historinha e tagarelice pra fazer uma confissão: eu realmente estava contando os dias pra 2014 porque muita coisa ta pra acontecer na minha vida esse ano. Muita coisa vai mudar e eu vou ter muito com o que lidar. E eu estava agindo como se no dia 1º de janeiro eu fosse acordar magicamente mais madura, mais forte e mais confiante, preparada pra lidar com todos os muídos e babados que estão me esperando nos próximos meses. 
    No dia 1º eu era exatamente a mesma pessoa que eu fui no dia 31. Mas naquele dia 24 eu saí de outro jeito daquele shopping barulhento e infernal. 

    Eu levei vidas pra chegar em casa naquele dia. Tava um engarrafamento louco de gente querendo chegar no lugar de onde eu tava tentando sair. Eu tranquei um cara que passou pelo acostamento e tava tentando entrar na rua de volta. Eu xinguei esse cara. Eu me irritei quando tive que descer do carro pra abrir o portão porque o controle não funcionou. Eu era a mesma pestinha mau humorada que acordou naquele dia. Mas agora eu era uma mau humorada consciente de que se eu queria força pra lidar com 2014, eu tinha que começar naquele momento.

    E eu vou te dizer: to me borrando de medo de tudo que vai acontecer daqui pra frente.
    Mas eu sei que o ano de 2014 vai ser o que eu fizer dele. Então, eu vou fazer o melhor possível!



    Feliz ano novo pra tudo mundo (sim, ainda vale)!
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  2. 2 comentários:

    1. Alex disse...

      Vamos fazer o melhor possível! 2014 é ano de batalhas a vencer. =)

    2. ArMandoca disse...

      2014 eu te quero. vou fazer diferença tu vai ver.