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  1. sábado, 14 de setembro de 2013

    Essa mania feia que a gente tem de pensar. Pensar sobre as coisas da vida. Isso dá um trabalho e faz um mal desgraçado porque depois que você acostuma a pensar, você vicia. Os viciados em pensar quase não tem sossego. Você começa a pensar e a ver detalhes das coisas que você não tinha visto antes, e alguns deles são perturbadores, fazem com que você pense ainda mais e veja ainda mais coisas no mundo (nas coisas e nas pessoas) que seria muito mais confortável nunca ter visto.

    E tudo isso acontece por que coisas ruins são muito mais pesadas, chocantes e dolorosas que as boas. Elas chamam muito mais atenção. Elas ficam na sua cabeça por dias. A coisa que mais me incomoda pensar é na maldade das pessoas. E eu não me refiro à maldadezinha. Não me refiro à mania que a gente tem de querer sempre se dar bem, de contar mentirinhas pra se livrar de situações chatas, de fingir coisas que na verdade não sentimos. Com essa maldade eu consigo lidar. O que me incomoda são os extremos. São pessoas que dizem coisas deturpadas e absurdas que me fazem tremer do pé à cabeça.

    Dia desses eu ouvi rumores de uma música que insinuava que tudo bem o cara ir lá e forçar a menina a fazer sexo mesmo depois de ela dizer não, porque na verdade ela queria e estava fazendo doce. Fiquei com isso na cabeça por dias. Como alguém pode pensar que tudo bem estuprar uma menina?

    Fico abalada com essas coisas pelo simples motivo de que eu prefiro pensar que as pessoas são, no mínimo, racionais. E quando vem o mundo e joga uma imbecilidade dessas na minha cara, eu fico impressionada, quando na verdade, 90% das pessoas são imbecis completas. A imbecilidade humana é uma coisa tão gigantescamente descomunal que chega a assustar. Pode parecer uma certa ingenuidade minha, e provavelmente é. Mas eu sempre quero imaginar que os seres humanos não são assim tão babacas, que as pessoas desrespeitam, maltratam e são cruéis e maldosas com as outras porque estavam em um mau dia, acordaram chateadas, bateram o mindinho no pé da cama quando acordaram. Mas parece que não é bem assim que a banda toca.

    Acho que uma boa parte dos problemas do mundo seriam resolvidos apenas com, sei lá, uns cinquenta centavos de bom senso. Bom senso, caros amigos, aquela coisinha que lembra a gente que não devemos fazer com os outros o que não queremos que façam com a gente. Aquela coisinha que lembra a gente de princípios tão simples como respeito e tolerância. Respeito pelas pessoas, pela menina que não, querido, não achou você irresistível, não quer você e ta te dizendo isso, ta te dizendo não. Ela não ta fazendo doce. É só que você não é tão impressionante assim como achou que seria, sinto dizer.


    E, com esse texto todo, eu só quero dizer, para aqueles que não são imbecis completos: vamos fazer um esforço, mesmo nas pequenas coisas, pra sermos pessoas decentes. O mundo já tem uma quantidade de estupidez tão grande que já está transbordando.  
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