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  1. terça-feira, 30 de julho de 2013

    Hoje eu atendi uma criança pela primeira vez.
    Calma, não sou tonta, não vou revelar nada que não deva, pelo amor de Deus.

    Só preciso dizer como me senti.
    Olha, deu medo. Um medo que começou ali, naquele momento, e foi se espalhando por todo canto. Medo de falar algo que não devia, medo de ficar calada demais, medo de errar. Medo daquela criança não gostar de mim, eu que já tinha gostado dela de cara. 

    E depois eu pensei que não deveria estar ali, que eu não ia conseguir, que não tava pronta, e provavelmente ia fazer alguma besteira constrangedora e ter vontade de morrer. Cheguei a pensar que tava fazendo tudo errado na vida, que tinha escolhido o curso errado, que psicologia não era pra mim, e eu nunca ia conseguir me dar bem e fazer nada direito na minha vida.

    Pensei também em todos os erros já cometidos durante a graduação. Todas as milhares de vezes que eu disse que ia estudar e deixei pro outro dia. Aquele monte de dias que eu parei e me programei e me organizei e disse que ia fazer tudo bonitinho a semana inteira pra ter o direito de relaxar no fim de semana. E tantas vezes que não cumpri as coisas que prometi pra mim mesma, as vezes em que eu sei que podia ter feito melhor. 

    E decidi que não merecia estar ali. Era responsabilidade demais.

    Tudo isso passou na minha cabeça em meio segundo, naquele tempo minúsculo em que eu abri a porta pra aquela criança e disse: "Entra!", com um sorriso no rosto.
    E ela sorriu de volta pra mim.

    E pouco a pouco eu comecei a perceber que éramos eu e aquela criança ali, naquela sala, brincando e conversando, e importava somente isso. Que eu estivesse ali pra ela, disposta e pronta a aceitar e compreender tudo o que ela quisesse dizer ou fazer, independente de ser aquilo que eu esperava ou não. 
    Foi quando eu relaxei.
    E percebi que todos esses medos, dúvidas e incertezas eram meus. Não dela. E que aquele tempo, aqueles 45 minutos eram dela. E meu trabalho era estar ali pra ela. E eu guardei aqueles medos pra mais tarde, pra a hora de cuidar deles. E olhei pra aquela criança, de verdade.

    Sinceramente? Eu posso não ter feito do jeito mais certo, mais bonito ou mais perfeito. Provavelmente não fiz (dá um desconto, foi o primeiro atendimento!).

    Mas eu estava ali com aquela criança. Só pra ela.
    Acho que isso foi centrado na pessoa o suficiente naquele momento.
    Acho que foi o melhor que eu poderia ter feito.
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