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  1. domingo, 9 de junho de 2013

    Eu sou uma pessoa muito distraída. Todo mundo que me conhece certamente já percebeu. Eu esqueço coisas em todo canto, eu erro o caminho pra lugares que eu já conheço e eu esqueço rostos com uma facilidade constrangedora.
    Uma vez eu conheci uma menina, amiga de uma amiga, em um determinado lugar. Depois, outra amiga me apresentou a menina em outro lugar, por um apelido. E depois, a menina me adicionou no facebook. 
    Resultado: passei MESES achando que eram três pessoas diferentes.

    É, eu sou assim, shame on me.

    E por ser assim, eu aprendi a sempre dar uma segunda olhada nas coisas. Aprendi a conferir o conteúdo da bolsa antes de ir pra aula apresentar trabalho mais de uma vez. Aprendi olhar paisagens com mais calma, mais de uma vez (e sempre achar uma coisa que eu não tinha visto). A dar uma segunda e uma terceira chance a coisas que eu não gostava, pra conferir se eu realmente não gostava daquilo. E aprendi a fazer um esforço escalafobético pra decorar rostos e nomes.

    Mas uma coisa que eu nunca tinha feito: tentar conhecer de novo pessoas que eu já conhecia.

    A gente tem uma mania muito feia de deduzir que conhece alguém depois de ter um mínimo de informações sobre a pessoa. Você sabe que fulaninho gosta de, sei lá, pipoca, Led Zeppelin e chega atrasado nas segundas feiras. Ou então que fulana rói a unha, canta bem e tem medo de palhaço. E pronto: você já carimba a criatura com um "EU TE CONHEÇO" bem grande na testa dela.

    Algumas pessoas me ensinaram ontem o quanto isso é bobo de se fazer.
    Não é por mal. Mas é bobo.

    As pessoas são profundas pra caramba, mesmo que não saibam disso. Todas as coisas que você viveu, boas ou ruins, engraçadas ou constrangedoras, que fazer você sentir alegria, saudade ou culpa, tudo isso faz parte de você. E todas as ideias que você vai construindo dia após dia, sem nem reparar, isso faz parte de você também. 
    É muito bobo a gente simplesmente deduzir que, sabendo nome e email de um ser humano, a gente conhece aquela pessoa. Conhece uma pinóia.

    Da primeira vez que eu fui na terapia eu falei durante uma hora sem parar como se eu tivesse um motor na minha boca, sem conseguir focar num assunto só, porque pra contar uma coisa eu precisava explicar outra, e pra explicar essa, tinha mais uma que eu precisava contar, e assim foi até que eu simplesmente esqueci o assunto inicial. 
    E minha terapeuta riu. Minha psicóloga. Ela riu.
    Nem me incomodei, eu ri também!

    Eu nunca tinha reparado como as minhas próprias coisas são complexas. Como é difícil explicar pra alguém quem eu sou. 
    Com que direito, então, eu olho pra alguém e digo: "Ah, esse eu já conheço"?

    Dica para a vida: a gente nunca conhece ninguém de verdade. 
    E isso é uma coisa boa :)


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    Agradecimento especial às pessoas que me fizeram voltar ao blog, voltar atrás, olhar de novo, olhar pra elas mais uma vez. E aprender coisas novas! Mais uma vez!
    Valeu, gente! \o/
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  2. 1 comentários:

    1. taiane ;) disse...

      Quem é você mesmo. Ha sim, aquela menina do cabelo cacheado que fazia medo as criançinhas. kkkk