Rss Feed
  1. quarta-feira, 13 de março de 2013

    Dá pra ver a parte 1 aqui.

    Como prometido, aqui está a parte 2 daquele dia em nada ou pouca coisa deu certo pra mim. E tudo isso só numa ida até a universidade. Porque, é claro, eu estava de ônibus.
    Depois de ter "participado" de uma conversa estranha e ter dado tchauzinho pra gente desconhecida, eis o que ainda me aconteceu naquele dia.

    3) Depois de um bom tempo (é claro, porque se fosse rápido, não era comigo), o ônibus chega. Yay. Entro e me sento. Chega a parada nº 2. Me preparo pra descer. 

    Vai descer motoristaaaaaaaaaa
    Antes de continuar, uma pausa pra dizer que ninguém, NINGUÉM, tem o direito de dizer que eu sou uma pessoa nervosa, estressada e que pelamordedeus eu devia me acalmar. Eu moro na ponta da cidade, num bairro onde o ônibus para porque uma galera de vacas (eu esqueci o coletivo de vaca) está atravessando a rua. Daí pra chegar em praticamente qualquer outro ponto da cidade que não seja, sei lá, a padaria da esquina, eu preciso pegar mais de um ônibus. E os ônibus que eu preciso pegar pra chegar na universidade passam uma vez a cada vida. E passam tão cheios que você pensa que só pode ter alguém distribuindo dinheiro lá dentro.
    Se eu passo essa agonia (demora, lotação e vacas) todo santo dia e ainda não matei ninguém (em especial Taiane), vocês deviam estar me premiando com um Nobel da Paz.

    Maaaas... Voltando ao assunto
    O ônibus para num sinal pouco antes da parada. O motorista, muito gentil, abre a porta pra quem quiser descer ali logo. E nessa hora, um "deficiente" tenta entrar no ônibus e o motorista não deixa.

    Antes que todo mundo entre em choque e pegue as tochas, deixa eu explicar. O suposto moço com necessidades especiais não tinha aquela carteirinha que permite que ele pegue ônibus de graça. E pelo jeito, aquele motorista já tinha deixado ele entrar algumas vezes sem pagar e ele tinha xingado todo mundo, feito briga e confusão. O que me leva a lembrar daquelas figuras que tem em toda cidade que todo mundo sabe do fundo do coração que a única deficiência que tem é ser cara de pau, e isso sem é uma deficiência, e como essas pessoas fingidas acabam fazendo a gente desconfiar de quem realmente tem necessidade especial. 

    Longe de mim querer opinar se o moço era ou não deficiente. O motorista não achava muito que ele era. Fechou a porta mesmo com o cara forçando pra tentar entrar, e disse a ele que se ele quisesse entrar, tinha que pagar ou ir atrás da carteirinha, já que aquilo é direito dele, que ele já tinha dado uma chance pro cara e ele desperdiçou e já era, meu bem, a fila anda e o recalque aqui bate e volta.

    Enfim, o que eu tenho com isso?
    Tinha uma velhinha na minha frente, em pé perto da porta. E do tumulto. Quando ela viu o moço gritando e o motorista fechando a porta, ela se apavorou. O sentido de 'deu merda' dela apitou loucamente E o que você acha que ela decidiu fazer pra preservar sua vida? Isso mesmo, ela saiu de onde tava e veio SE ESCONDER atrás de mim.
    Ah, parabéns, minha senhora, seu instinto de sobrevivência tá espetacular. Realmente, eu sou enorme, posso te proteger. Na verdade, esse ônibus inteiro está seguro comigo aqui. Nada temam, cidadãos. 
    Fiquei mesmo em dúvida se deveria me sentir orgulhosa porque aquela senhora achou que eu era grande, forte e corajosa o suficiente pra salvar a pele dela caso a coisa ficasse feia, ou se me ofendo por ela ter pensado: "Eu vou é me esconder aqui porque se der merda, essa baixinha morre primeiro".

    Ainda to na segunda opção.
    Mas nem precisei salvar o dia. O motorista disse que chamar a polícia e o moço desistiu.

    4) E aí lá vou eu sofridamente pegar o segundo ônibus. Sento do lado de um moço com cara de ter seus 30 e poucos anos. Assim que eu sentei, ele me encarou, todo sério. Pensei: "Mas será possível que eu acabei de sentar e essa pessoa já me odeia?". Porque, sim, esse tipo de coisa acontece comigo.

    Pouco tempo depois, percebo que ele parece estar "falando" sozinho: mexe a boca, mas não faz sons, gesticula, vira a cabeça, faz caretas...
    Fico prestando atenção nele e começo a entender a surpresa dele comigo ali. Acho que ninguém queria sentar do lado dele, já que ele parecia estar fazendo um esforço enorme pra não mexer as mãos, ou continuar a conversa dele lá. Mas nem sempre conseguia. 

    Continuei ouvindo minha música, pensando sobre isso, sobre como as pessoas são preconceituosas e assustadas, afinal o cara não tava fazendo nada que invadisse o espaço de ninguém, mas algumas pessoas têm aquela visão de que "o cara deve ter algum problema psicológico, ai meu deus, ele vai me atacar"; e aquele rapaz não estava mexendo com ninguém, e como a sociedade deveria mudar e aceitar as diferenças das pessoas e... Até que reparo no moço um pouco mais agitado do meu lado. Se mexendo bem mais, e olhando pra janela, e encolhendo as mãos...

    O que será que esse moço tem? Olho pra ele. Ele olha pras minhas mãos, olha pra janela, conversa com o vazio e olha pras minhas mãos. Eu olho pra elas...

    Caso alguém ainda não saiba, eu tenho uma mania horrorosa. Pessoas comuns roem unhas. Eu cutuco a pele ao redor delas. Com os dedos. Vou arrancando pouquinho em pouquinho, o que já gerou uns machucados bem feios. E era isso que eu tava fazendo ali, enquanto pensava, como faço todo tempo. E tava uma bagunça nos meus dedos. Bem feio.

    Eu tava assustando o moço. O moço que todo mundo tava com medo de sentar perto, porque gesticulava e falava sozinho, se assustou comigo. Minha maluquice assustou o maluquinho. 

    Aí depois dessa todo mundo repensando seus conceitos. 
    E agora, quem é doido? Ele ou eu?
    Vocês já sabem o meu voto ;)
    |


  2. 3 comentários:

    1. Alex disse...

      Meu voto: eu sempre soube!

      E pare de machucar os dedos! ò.ó

    2. Tuíla disse...

      hahahaha ainda bem que você sabe onde inventou de amarrar seu jegue ;D

    3. Marina Maciel disse...

      Oh céus. Não pe recomendável ler seus posts no trabalhos! Ri horrores e as pessoas que passaram no corredor do escritório, podem não ter entendido tamanha risadagem, uma vez que estou só.

      Eu voto que o maluquinho é realmente maluquinho. Qualquer um pode ter recaídas para roer unhas/dedos.
      askdhaskudhaskudhas

      Bjo!