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  1. sábado, 14 de setembro de 2013

    Essa mania feia que a gente tem de pensar. Pensar sobre as coisas da vida. Isso dá um trabalho e faz um mal desgraçado porque depois que você acostuma a pensar, você vicia. Os viciados em pensar quase não tem sossego. Você começa a pensar e a ver detalhes das coisas que você não tinha visto antes, e alguns deles são perturbadores, fazem com que você pense ainda mais e veja ainda mais coisas no mundo (nas coisas e nas pessoas) que seria muito mais confortável nunca ter visto.

    E tudo isso acontece por que coisas ruins são muito mais pesadas, chocantes e dolorosas que as boas. Elas chamam muito mais atenção. Elas ficam na sua cabeça por dias. A coisa que mais me incomoda pensar é na maldade das pessoas. E eu não me refiro à maldadezinha. Não me refiro à mania que a gente tem de querer sempre se dar bem, de contar mentirinhas pra se livrar de situações chatas, de fingir coisas que na verdade não sentimos. Com essa maldade eu consigo lidar. O que me incomoda são os extremos. São pessoas que dizem coisas deturpadas e absurdas que me fazem tremer do pé à cabeça.

    Dia desses eu ouvi rumores de uma música que insinuava que tudo bem o cara ir lá e forçar a menina a fazer sexo mesmo depois de ela dizer não, porque na verdade ela queria e estava fazendo doce. Fiquei com isso na cabeça por dias. Como alguém pode pensar que tudo bem estuprar uma menina?

    Fico abalada com essas coisas pelo simples motivo de que eu prefiro pensar que as pessoas são, no mínimo, racionais. E quando vem o mundo e joga uma imbecilidade dessas na minha cara, eu fico impressionada, quando na verdade, 90% das pessoas são imbecis completas. A imbecilidade humana é uma coisa tão gigantescamente descomunal que chega a assustar. Pode parecer uma certa ingenuidade minha, e provavelmente é. Mas eu sempre quero imaginar que os seres humanos não são assim tão babacas, que as pessoas desrespeitam, maltratam e são cruéis e maldosas com as outras porque estavam em um mau dia, acordaram chateadas, bateram o mindinho no pé da cama quando acordaram. Mas parece que não é bem assim que a banda toca.

    Acho que uma boa parte dos problemas do mundo seriam resolvidos apenas com, sei lá, uns cinquenta centavos de bom senso. Bom senso, caros amigos, aquela coisinha que lembra a gente que não devemos fazer com os outros o que não queremos que façam com a gente. Aquela coisinha que lembra a gente de princípios tão simples como respeito e tolerância. Respeito pelas pessoas, pela menina que não, querido, não achou você irresistível, não quer você e ta te dizendo isso, ta te dizendo não. Ela não ta fazendo doce. É só que você não é tão impressionante assim como achou que seria, sinto dizer.


    E, com esse texto todo, eu só quero dizer, para aqueles que não são imbecis completos: vamos fazer um esforço, mesmo nas pequenas coisas, pra sermos pessoas decentes. O mundo já tem uma quantidade de estupidez tão grande que já está transbordando.  
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  2. segunda-feira, 19 de agosto de 2013

    Esperar o fim de semana, esperar o pagamento. Esperar o fim do mês.
    Agosto, ô mês pra demorar. Acaba o mundo e não acaba agosto.

    Esperar encomenda. Esperar o chip novo que eu não faço ideia de quando chega.
    Esperar encomenda chinesa, que eu nem sei se chega.
    As vezes chega dobrada, então esquece esse ponto.

    Esperar as coisas se resolverem. Esperar a justiça resolver as coisas. 
    Mas essa eu já espero há tantos meses, que né? Acostuma. Você para de contar com isso.

    Esperar o fim da reforma, da poeira e da rinite alérgica.
    Esperar o fim do ano, esperar o fim do curso.
    Esperar o que vem depois.

    Esperar promoção de passagem. Esperar o dinheiro pra comprar a passagem na promoção.
    Esperar por um abraço. Pra ver, pra dizer um oi cara a cara.
    Esperando rindo, esperando chorando, e esperando recebendo conforto.
    Todo dia. Eu penso nisso todo dia. 
    E todo dia eu respiro fundo e continuo esperando.
    O tempo que for.
    Porque vale a pena. Tá valendo a pena.

    Acho que to num momento da minha vida que tudo o que eu tenho que fazer é esperar. Passei um bom tempo lutando, brigando e dando a cara a tapa. Depois passei um bom tempo limpando os machucados e sarando todos eles. E agora to esperando.
    Esperando o resultado disso tudo.

    O resultado de quatro anos enfiada na UFPB vendo tudo dar errado, vendo a burocracia ferrar com a gente, vendo como serviço público faz você perder os cabelos e a paz, e vendo como parece que tem gente cuja única alegria na vida é infernizar os outros.
    Digo pra todo mundo e vou dizer aqui: No meu diploma não vai ter "Formada em Psicologia", "Psicóloga" ou nada disso. Vai ter assim: "Sobreviveu à UFPB, na primeira turma do currículo novo. Pode contratar que ela sobrevive a qualquer coisa."
    E é verdade.
    Se a universidade não acabou comigo, nada mais acaba. 

    Se eu chegar a me formar, eu consigo qualquer coisa na vida.


    E vou continuar esperando.
    Tem coisa que a gente pensa como seria melhor se acontecesse de uma vez. Se o resultado aparecesse logo.
    Tem coisa que a gente sabe que tem que esperar mesmo.

    Na verdade, é melhor esperar mesmo, por todas essas coisas. Porque elas vão acontecer na hora certa. Eu passei muito tempo me esforçando e fazendo a minha parte. E continuo fazendo isso, mas de forma bem menos sofrida e sangrenta que antes. E agora o resto do mundo, os outros, Deus, a vida, o universo e tudo mais, estão todos fazendo o que tem que fazer.
    Preciso dar tempo pros outros também.

    Tudo tem seu tempo determinado. Tem tempo pra tudo debaixo do céu.
    O jeito é esperar. E crescer enquanto isso.



    Crescer figurativamente falando, claro.


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  3. terça-feira, 30 de julho de 2013

    Hoje eu atendi uma criança pela primeira vez.
    Calma, não sou tonta, não vou revelar nada que não deva, pelo amor de Deus.

    Só preciso dizer como me senti.
    Olha, deu medo. Um medo que começou ali, naquele momento, e foi se espalhando por todo canto. Medo de falar algo que não devia, medo de ficar calada demais, medo de errar. Medo daquela criança não gostar de mim, eu que já tinha gostado dela de cara. 

    E depois eu pensei que não deveria estar ali, que eu não ia conseguir, que não tava pronta, e provavelmente ia fazer alguma besteira constrangedora e ter vontade de morrer. Cheguei a pensar que tava fazendo tudo errado na vida, que tinha escolhido o curso errado, que psicologia não era pra mim, e eu nunca ia conseguir me dar bem e fazer nada direito na minha vida.

    Pensei também em todos os erros já cometidos durante a graduação. Todas as milhares de vezes que eu disse que ia estudar e deixei pro outro dia. Aquele monte de dias que eu parei e me programei e me organizei e disse que ia fazer tudo bonitinho a semana inteira pra ter o direito de relaxar no fim de semana. E tantas vezes que não cumpri as coisas que prometi pra mim mesma, as vezes em que eu sei que podia ter feito melhor. 

    E decidi que não merecia estar ali. Era responsabilidade demais.

    Tudo isso passou na minha cabeça em meio segundo, naquele tempo minúsculo em que eu abri a porta pra aquela criança e disse: "Entra!", com um sorriso no rosto.
    E ela sorriu de volta pra mim.

    E pouco a pouco eu comecei a perceber que éramos eu e aquela criança ali, naquela sala, brincando e conversando, e importava somente isso. Que eu estivesse ali pra ela, disposta e pronta a aceitar e compreender tudo o que ela quisesse dizer ou fazer, independente de ser aquilo que eu esperava ou não. 
    Foi quando eu relaxei.
    E percebi que todos esses medos, dúvidas e incertezas eram meus. Não dela. E que aquele tempo, aqueles 45 minutos eram dela. E meu trabalho era estar ali pra ela. E eu guardei aqueles medos pra mais tarde, pra a hora de cuidar deles. E olhei pra aquela criança, de verdade.

    Sinceramente? Eu posso não ter feito do jeito mais certo, mais bonito ou mais perfeito. Provavelmente não fiz (dá um desconto, foi o primeiro atendimento!).

    Mas eu estava ali com aquela criança. Só pra ela.
    Acho que isso foi centrado na pessoa o suficiente naquele momento.
    Acho que foi o melhor que eu poderia ter feito.
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  4. sexta-feira, 21 de junho de 2013

    Já tinha planos de escrever alguma coisa aqui sobre os últimos acontecimentos, desde que eles começaram. Mas preferi esperar até eu mesma ir pra rua.

    E vou começar com uma frase que ouvi na palestra da Marina Silva (gosto do discurso dessa moça), lá na UFPB, quarta de manhã. "Não é hora de ser otimista ou pessimista. É hora de ser persistente."
    Quando ela disse isso, estava falando sobre sustentabilidade. Esse era o tema da palestra. Mas acredito que isso faz muito sentido, com relação ao que a gente ta vivendo hoje.

    Desde que eu comecei a me entender por gente, e comecei a entender que eu vivia em um país cujo governo era democrático, eu aprendi também que "político é tudo corrupto". Aceitei essa declaração desde sempre e ignorei completamente o significado da palavra "Democracia". E na minha mente adolescente, apenas se assentou a ideia de que: "Se são todos bandidos, fazer o que?". Com isso, me desinteressei completamente por política. 
    Eu resolvi que a única coisa a se fazer pra melhorar o país, era fazer o que fosse possível com as próprias mãos. Pensamento ingênuo, mas me dá um desconto, eu era adolescente.
    Mas eu assistia aula de história, e via tudo o que era dito sobre a ditadura e os caras pintadas e etc e tal. E eu sempre pensava que teria sido legal ter vivido naquela época, onde fazia sentido se levantar por uma causa. E fim.

    Eu tava dormindo.
    Minha geração inteira estava.
    A geração que via absurdos acontecendo no país, via roubos imensos, xingava muito no twitter e depois esquecia tudo.

    Até que, semana passada, uma galera resolveu ir pra rua reclamar da passagem cara de ônibus, e apanhou.
    Aí pisaram no meu calo.
    Como assim, não pode reclamar? Tirar liberdade de expressão das pessoas foi mais do que a minha apatia podia suportar. Impedir as pessoas de irem pro meio da rua reclamar do que quer que fosse me incomodou profundamente.
    Me deu raiva.
    Ver videos, depoimentos e fotos de pessoas assustadas e machucadas porque estavam reclamando do preço da passagem me deu uma raiva que fazia tempo que eu não sentia. Aquela raiva subiu, me agitou, me fez gritar "QUE MERDA É ESSA?" por dentro, direto, por dias, por noites! Tomou conta de todo meu tempo, de todo meu interesse, de todas as minhas conversas, dos meus sonhos (sério), de tudo!. Me fez consumir tudo o que fosse de informação sobre aquilo, sobre outras cidades, outros protestos, na tv, na internet, onde quer que fosse.

    Mas o mais importante.
    Me fez pensar. 

    Ontem eu fui pra rua.
    Fiz meus cartazes e fui. 
    E vi 20 mil pessoas do meu lado. 20 mil pessoas que pararam pra pensar, que tava errado e alguém tinha que fazer alguma coisa. E começaram a perceber que "alguém" era "eu". Aquelas 20 mil pessoas viraram um grande EU junto com todas as milhões do resto do país. E gritou, junto com todo o resto, que "QUEM MANDA AQUI SOU EU".


    A geração Coca-Cola explodiu, pra todo lado, por todo o país, respingou em cada cidadezinha, estourou descontrolada e meio sem rumo. Mas explodiu. Com uma força imensa e descontrolada que deixou todo mundo meio apavorado. Assustou as pessoas do poder, que viram aquela antiga facilidade de fazer besteira ficar ameaçada. Assustou a população, porque foi uma explosão louca, súbita, que acordou a violência de alguns inconsequentes. 


    E me assustou porque eu não achava que isso era possível.
    E falando pessoalmente, eu nunca tinha percebido como eu precisava acordar. E isso me assustou muito.

    E a gente começou a fazer barulho, pra acordar os outros, e pra mostrar àqueles que estão no poder que os donos da brincadeira somos nós. A gente fez barulho, sem rumo e meio na doida, mas fez. Precisávamos fazer. A gente nunca tinha feito isso! A imensa maioria (e eu me incluo) se sentiu como uma criança, quando alguém diz: "Vai, pode escolher o que você vai fazer!", e que ficou tão confuso e assustado com esse poder súbito que tudo o que conseguiu fazer foi sair pulando e gritando: "EU POSSO, EU DECIDO, EU ESCOLHO, QUEM MANDA SOU EU!". Perfeitamente compreensível e, na minha humilde opinião, muito bonito de se ver.


    Aos que estão pessimistas, eu tenho uma pitada de esperança pra deixar. O movimento ta confuso, ta perdido, e inclusive, ta perigoso. Nesse momento, ta fácil de manipular. Isso é verdade. Mas as pessoas pararam pra pensar. As pessoas pararam pra pensar tempo o suficiente pra perceber que precisavam fazer alguma coisa. O que falta agora é a gente se organizar, ter foco e não parar de pensar. E continuar pensando até as próximas eleições. E usar os símbolos que a gente criou pra não deixar a população esquecer a força que tem. Se a gente começou a pensar, existem chances de continuar pensando.

    Aos que estão otimistas demais, cuidado. A gente precisa de foco, precisa se organizar. Precisa resolver uma merda de cada vez. Precisa definir cada luta, cada estratégia com calma e inteligência. Atualmente, eu vejo uma massa furiosa (com motivo) e descontrolada. É forte, mas perigoso. Precisa continuar, mas com foco. E mudar por dentro, mudar suas próprias concepções e criar responsabilidade, porque se tem bandido fazendo cagada com o nosso país, foi porque a gente deixou eles chegarem lá. A gente precisa aprender a pensar, a refletir sobre o que acontece ao nosso redor, de forma crítica, sem ingenuidade, com cuidado e calma. A nossa situação agora é bem tensa. Já tá na hora de se acalmar e pensar nos próximos passos.


    A todos que pararam pra dar cabimento às palavras de uma pirralha de 22 anos que acordou um dia desses, eu digo: As pessoas acordaram e perceberam que têm força. Só precisamos saber aonde ir.

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    P.S.: Ontem, no protesto de João Pessoa (que foi pacífico e muito bonito), eu tirei fotos loucamente. Essas que tão aqui no post, e outras, inclusive.  Falei com pessoas desconhecidas e disse: "Posso tirar uma foto do seu cartaz?". É, exercitei a cara de pau. 

    E ouvi um comentário: "Bando de fútil, tirando foto pra colocar no feice e no instagram".
    Não vi quem foi, e só gritei de volta, pro tempo: ISSO TUDO COMEÇOU NA INTERNET, IGNORANTE.
    Eu tava meio agitada ontem.

    Então, aqui fica meu recado.
    Eu não fiquei correndo atrás de pessoas com cartazes legais ou procurando pontos altos pra tirar foto da multidão pra depois colocar no feeeeeice com a hashtag #partiu #protestar #quem #gostou #curti #aee.
    O nome disso é informação. Algumas pessoas não são boas em usar isso, mas a internet dá pra gente poder pra mostrar pro resto do mundo um pedaço do nosso mundinho. 

    Foi o que eu fiz: tá aqui o registro da minha cidade, se levantando
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  5. domingo, 9 de junho de 2013

    Eu sou uma pessoa muito distraída. Todo mundo que me conhece certamente já percebeu. Eu esqueço coisas em todo canto, eu erro o caminho pra lugares que eu já conheço e eu esqueço rostos com uma facilidade constrangedora.
    Uma vez eu conheci uma menina, amiga de uma amiga, em um determinado lugar. Depois, outra amiga me apresentou a menina em outro lugar, por um apelido. E depois, a menina me adicionou no facebook. 
    Resultado: passei MESES achando que eram três pessoas diferentes.

    É, eu sou assim, shame on me.

    E por ser assim, eu aprendi a sempre dar uma segunda olhada nas coisas. Aprendi a conferir o conteúdo da bolsa antes de ir pra aula apresentar trabalho mais de uma vez. Aprendi olhar paisagens com mais calma, mais de uma vez (e sempre achar uma coisa que eu não tinha visto). A dar uma segunda e uma terceira chance a coisas que eu não gostava, pra conferir se eu realmente não gostava daquilo. E aprendi a fazer um esforço escalafobético pra decorar rostos e nomes.

    Mas uma coisa que eu nunca tinha feito: tentar conhecer de novo pessoas que eu já conhecia.

    A gente tem uma mania muito feia de deduzir que conhece alguém depois de ter um mínimo de informações sobre a pessoa. Você sabe que fulaninho gosta de, sei lá, pipoca, Led Zeppelin e chega atrasado nas segundas feiras. Ou então que fulana rói a unha, canta bem e tem medo de palhaço. E pronto: você já carimba a criatura com um "EU TE CONHEÇO" bem grande na testa dela.

    Algumas pessoas me ensinaram ontem o quanto isso é bobo de se fazer.
    Não é por mal. Mas é bobo.

    As pessoas são profundas pra caramba, mesmo que não saibam disso. Todas as coisas que você viveu, boas ou ruins, engraçadas ou constrangedoras, que fazer você sentir alegria, saudade ou culpa, tudo isso faz parte de você. E todas as ideias que você vai construindo dia após dia, sem nem reparar, isso faz parte de você também. 
    É muito bobo a gente simplesmente deduzir que, sabendo nome e email de um ser humano, a gente conhece aquela pessoa. Conhece uma pinóia.

    Da primeira vez que eu fui na terapia eu falei durante uma hora sem parar como se eu tivesse um motor na minha boca, sem conseguir focar num assunto só, porque pra contar uma coisa eu precisava explicar outra, e pra explicar essa, tinha mais uma que eu precisava contar, e assim foi até que eu simplesmente esqueci o assunto inicial. 
    E minha terapeuta riu. Minha psicóloga. Ela riu.
    Nem me incomodei, eu ri também!

    Eu nunca tinha reparado como as minhas próprias coisas são complexas. Como é difícil explicar pra alguém quem eu sou. 
    Com que direito, então, eu olho pra alguém e digo: "Ah, esse eu já conheço"?

    Dica para a vida: a gente nunca conhece ninguém de verdade. 
    E isso é uma coisa boa :)


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    Agradecimento especial às pessoas que me fizeram voltar ao blog, voltar atrás, olhar de novo, olhar pra elas mais uma vez. E aprender coisas novas! Mais uma vez!
    Valeu, gente! \o/
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  6. quarta-feira, 13 de março de 2013

    Dá pra ver a parte 1 aqui.

    Como prometido, aqui está a parte 2 daquele dia em nada ou pouca coisa deu certo pra mim. E tudo isso só numa ida até a universidade. Porque, é claro, eu estava de ônibus.
    Depois de ter "participado" de uma conversa estranha e ter dado tchauzinho pra gente desconhecida, eis o que ainda me aconteceu naquele dia.

    3) Depois de um bom tempo (é claro, porque se fosse rápido, não era comigo), o ônibus chega. Yay. Entro e me sento. Chega a parada nº 2. Me preparo pra descer. 

    Vai descer motoristaaaaaaaaaa
    Antes de continuar, uma pausa pra dizer que ninguém, NINGUÉM, tem o direito de dizer que eu sou uma pessoa nervosa, estressada e que pelamordedeus eu devia me acalmar. Eu moro na ponta da cidade, num bairro onde o ônibus para porque uma galera de vacas (eu esqueci o coletivo de vaca) está atravessando a rua. Daí pra chegar em praticamente qualquer outro ponto da cidade que não seja, sei lá, a padaria da esquina, eu preciso pegar mais de um ônibus. E os ônibus que eu preciso pegar pra chegar na universidade passam uma vez a cada vida. E passam tão cheios que você pensa que só pode ter alguém distribuindo dinheiro lá dentro.
    Se eu passo essa agonia (demora, lotação e vacas) todo santo dia e ainda não matei ninguém (em especial Taiane), vocês deviam estar me premiando com um Nobel da Paz.

    Maaaas... Voltando ao assunto
    O ônibus para num sinal pouco antes da parada. O motorista, muito gentil, abre a porta pra quem quiser descer ali logo. E nessa hora, um "deficiente" tenta entrar no ônibus e o motorista não deixa.

    Antes que todo mundo entre em choque e pegue as tochas, deixa eu explicar. O suposto moço com necessidades especiais não tinha aquela carteirinha que permite que ele pegue ônibus de graça. E pelo jeito, aquele motorista já tinha deixado ele entrar algumas vezes sem pagar e ele tinha xingado todo mundo, feito briga e confusão. O que me leva a lembrar daquelas figuras que tem em toda cidade que todo mundo sabe do fundo do coração que a única deficiência que tem é ser cara de pau, e isso sem é uma deficiência, e como essas pessoas fingidas acabam fazendo a gente desconfiar de quem realmente tem necessidade especial. 

    Longe de mim querer opinar se o moço era ou não deficiente. O motorista não achava muito que ele era. Fechou a porta mesmo com o cara forçando pra tentar entrar, e disse a ele que se ele quisesse entrar, tinha que pagar ou ir atrás da carteirinha, já que aquilo é direito dele, que ele já tinha dado uma chance pro cara e ele desperdiçou e já era, meu bem, a fila anda e o recalque aqui bate e volta.

    Enfim, o que eu tenho com isso?
    Tinha uma velhinha na minha frente, em pé perto da porta. E do tumulto. Quando ela viu o moço gritando e o motorista fechando a porta, ela se apavorou. O sentido de 'deu merda' dela apitou loucamente E o que você acha que ela decidiu fazer pra preservar sua vida? Isso mesmo, ela saiu de onde tava e veio SE ESCONDER atrás de mim.
    Ah, parabéns, minha senhora, seu instinto de sobrevivência tá espetacular. Realmente, eu sou enorme, posso te proteger. Na verdade, esse ônibus inteiro está seguro comigo aqui. Nada temam, cidadãos. 
    Fiquei mesmo em dúvida se deveria me sentir orgulhosa porque aquela senhora achou que eu era grande, forte e corajosa o suficiente pra salvar a pele dela caso a coisa ficasse feia, ou se me ofendo por ela ter pensado: "Eu vou é me esconder aqui porque se der merda, essa baixinha morre primeiro".

    Ainda to na segunda opção.
    Mas nem precisei salvar o dia. O motorista disse que chamar a polícia e o moço desistiu.

    4) E aí lá vou eu sofridamente pegar o segundo ônibus. Sento do lado de um moço com cara de ter seus 30 e poucos anos. Assim que eu sentei, ele me encarou, todo sério. Pensei: "Mas será possível que eu acabei de sentar e essa pessoa já me odeia?". Porque, sim, esse tipo de coisa acontece comigo.

    Pouco tempo depois, percebo que ele parece estar "falando" sozinho: mexe a boca, mas não faz sons, gesticula, vira a cabeça, faz caretas...
    Fico prestando atenção nele e começo a entender a surpresa dele comigo ali. Acho que ninguém queria sentar do lado dele, já que ele parecia estar fazendo um esforço enorme pra não mexer as mãos, ou continuar a conversa dele lá. Mas nem sempre conseguia. 

    Continuei ouvindo minha música, pensando sobre isso, sobre como as pessoas são preconceituosas e assustadas, afinal o cara não tava fazendo nada que invadisse o espaço de ninguém, mas algumas pessoas têm aquela visão de que "o cara deve ter algum problema psicológico, ai meu deus, ele vai me atacar"; e aquele rapaz não estava mexendo com ninguém, e como a sociedade deveria mudar e aceitar as diferenças das pessoas e... Até que reparo no moço um pouco mais agitado do meu lado. Se mexendo bem mais, e olhando pra janela, e encolhendo as mãos...

    O que será que esse moço tem? Olho pra ele. Ele olha pras minhas mãos, olha pra janela, conversa com o vazio e olha pras minhas mãos. Eu olho pra elas...

    Caso alguém ainda não saiba, eu tenho uma mania horrorosa. Pessoas comuns roem unhas. Eu cutuco a pele ao redor delas. Com os dedos. Vou arrancando pouquinho em pouquinho, o que já gerou uns machucados bem feios. E era isso que eu tava fazendo ali, enquanto pensava, como faço todo tempo. E tava uma bagunça nos meus dedos. Bem feio.

    Eu tava assustando o moço. O moço que todo mundo tava com medo de sentar perto, porque gesticulava e falava sozinho, se assustou comigo. Minha maluquice assustou o maluquinho. 

    Aí depois dessa todo mundo repensando seus conceitos. 
    E agora, quem é doido? Ele ou eu?
    Vocês já sabem o meu voto ;)
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  7. quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

    A gente sabe que o mundo é um lugar esquisito. Que é recheado de pessoas com hábitos bizarros e/ou assustadores. E, na minha opinião, o ônibus é o lugar preferido das pessoas estranhas (depois do facebook). Quando um monte de gente esquisita se junta, vai dar merda. Vai acontecer coisa louca. E lógico que eu vou estar no meio dessas situações.

    Indo pra aula um dia desses, vi tanta coisa estranha que percebi que precisava fazer um post. Fazia tempo que não tinha um contando presepada. Mas foi tanta coisa louca que esse post vai ter que ser dividido em dois (sinta o nível). Prepare-se.

    Vamos numa lista pra ficar organizado:

    1) Chego na parada de ônibus. Uma tia chega depois. Ela dá boa tarde. Respondo, já que sou educada. Me concentro em esperar meu ônibus, ouvir minha musiquinha e morrer de calor, porque tem dia que parece que colocaram João Pessoa dentro do microondas do universo. De repente, ouço uma voz que não é o Elvis cantando ao meu ouvido (casa comigo, cara). Tiro o fone. A tia está do meu lado, falando. Comigo. 

    Juro a você. Ela estava conversando ~comigo~ há umas duas músicas (nova unidade de medida do tempo, porque eu quero). Agora veja bem, eu tenho consciência de pessoas que falam sozinhas. E também sei de pessoas que falam com gente que não conhece. Mas pessoas que falam sozinhas com gente que não conhece, é a primeira vez que eu vejo.

    Eu não sabia como reagir. Será que eu devia responder? Mas eu nem sabia do que ela tava falando. Tinha alguma coisa a ver com meteoros, ou com a construção do outro lado da rua. Não dava pra acompanhar o raciocínio dela. Então, resolvi que como ela não tinha precisado da minha participação na conversa até agora, ela poderia muito bem continuar sozinha.

    Sorri pra ela, coloquei o fone de volta e ela continuou lá, conversando, feliz da vida. Pra não dizer que eu não contribuí em nada no papo, eu respondi quando ela deu tchau e entrou no ônibus. 

    2) Permaneço na parada porque moro no interior da cidade e os ônibus passam a cada era. Olhando para a rua desolada, pensando se dava tempo, sei lá, voltar pra casa e ver um filme enquanto o ônibus não vinha. Até que prestei atenção num carro na esquina. Uma moça enlouquecida sorrindo, dando tchau e falando alguma coisa. Uma moça loira de óculos escuros. Por reflexo, deduzi que era com a outra menina que tava na parada atrás de mim. Relaxei com esse pensamento e nem olhei mais pra a moça. Até a menina me cutucar e dizer: "Acho que tão te chamando".
    Eu dando tchau pra gente desconhecida

    Comigo?? De novo? Olhei pra moça do carro. Ela continuava acenando. Me senti gente famosa, tamanha a alegria da mulher direcionada para mim.

    Sorri, dei tchauzinho e até mandei beijo. A pessoa do carro foi embora feliz da vida e eu me virei pra menina atrás de mim e disse:
    - Certeza que não era contigo?
    - Tenho...
    - Pois não faço ideia de quem era. E, pelo jeito, nunca vou saber.

    Recoloquei os fones e deixei a menina rindo atrás de mim. Não a culpo. Eu riria também.



    Aconteceram mais coisas. Mas vai ficar pra segunda parte, senão esse post vai ficar imenso demais. 
    Só quero dizer que se você era a pessoa do carro que falou comigo na rua (e me reconheceu de cabelo curto e óculos escuros - parabéns), por favor, não me odeie. Eu sou assim mesmo. Eu esqueço da minha própria cara, avalie da sua. Identifique-se da próxima vez, pela caridade!

    :)
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