Rss Feed
  1. quinta-feira, 25 de outubro de 2012

    A noite estava sendo longa. Eram umas 3h da madrugada e ele continuava fitando o teto, decorando as marcas, os cantos mais ou menos escuros, contando as aranhas e pensando como precisava limpar aquilo ali. Se virava na cama devagar e olhava a parede bem de perto, tocando nela, depois olhando os próprios dedos. Olhou por cima do ombro e viu a respiração que vinha seguindo seu ritmo e servindo de fundo musical para aquela insônia.

    Pensar em qualquer coisa era melhor do que pensar em si, porque precisava fazer silêncio para não atrapalhar aquele ritmo e cortar aquele sono tão tranquilo e merecido. Ela merecia mesmo. Se virou outra vez, ainda mais devagar e voltou ao teto. Pensou em três ou quatro nomes e pediu, com força, que tivessem o que mereciam: um sono tranquilo. 

    Então olhou para si. Os olhos encheram de água. Ninguém vê nada de bom em si mesmo no meio da noite. Nada além de erros, de faltas, de males que não se sabe quem causou. Mas, às 3h da manhã, a culpa é sempre de quem está acordado, remoendo o assunto. Nada além de um nó na garganta, que deixa difícil respirar, ou um aperto por dentro, que dói de verdade, como um machucado. Cada um com seus erros, cada um com suas dores, carregando sua cruz. Ele escolheu a madrugada, interrompendo o próprio sono para pensar. E pensava suas escolhas, repensava sua vida, profissional, pessoal. Lembrava da família, longe. E as oportunidades perdidas que não voltavam mais. E ainda aqueles pensamentos acerca do próprio caráter, que vêm completamente contra a vontade e trazem o reconhecimento de que ninguém é tão bom quanto parece à luz do dia.

    Olhou para o lado, para o corpo que se movia lentamente, de um jeito tranquilo, que confortava sem saber. Aquela respiração que fazia com que cada erro parecesse menor. E cada falta não parecia mais tanta falta. As culpas passavam a ser dividas por entre os muitos personagens de todas as histórias. E cada inspirar e expirar dizia que ele não podia ser tão ruim, ou ela não estaria ali. E é por ela que ele seria melhor. O melhor que pudesse. Abraçou aquele corpo com cuidado e foi seguindo o ritmo daquela respiração sossegada. E dormiu. Porque, no final, ele sabia que também merecia.




    ---------------------------------------------------------------------------

    Eu sabia que um dia ia voltar com o blog. Passei umas boas eras sem pisar aqui. Aliás, sem postar. Porque só Deus sabe quantas vezes abri essa página e escrevi mil vezes um primeiro parágrafo. E mil vezes apaguei tudo de novo. Cheguei mesmo a pensar que não conseguia mais escrever. Ou pelo menos não conseguia mais gostar do que escrevia.

    Uma coisa é certa: eu nunca quis fazer do meu blog uma obrigação, uma coisa forçada, que eu tinha que fazer mesmo quando estava cansada, sem saco, com ódio da vida, do universo e de tudo mais. Mas nunca quis largar isso aqui. Porque sempre foi minha terapia.

    E agora eu to tentando voltar. A falta de tempo causada pela universidade é o menor dos meus problemas. Eu to torcendo é contra a falta de inspiração. Ou a falta de tolerância com meus textos. Whatever.

    Enfim.
    Oi de novo.

    |