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  1. sexta-feira, 20 de abril de 2012

    Tem uma coisa que me deixa muito cismada.
    Quando eu to na rua, principalmente com fone de ouvido, eu viajo muito. Começo a pensar alguma coisa estúpida, a imaginar uma situação ou lembrar de alguma coisa, ou ter alguma ideia. Fico pensando quantos segundos eu sobreviveria no apocalipse zumbi (poucos), se eu conseguiria aprender japonês (não), se eu teria coragem de pular de paraquedas e se a minha mãe sobreviveria a essa ideia (não) e qualquer outro tipo de baboseira.

    As vezes, eu acabo tendo ideia pra alguma história e planejo ela na minha cabeça. Fico escolhendo palavras (mesmo que não lembre de mais nada depois) e é aí que eu me preocupo. Já repetiu uma palavra um monte de vezes até ela começar a soar estranha? Pronto. Eu começo a repetir ela na minha cabeça, até ficar esquisito. Aí eu quero repetir ela em voz alta, pra conferir se aquela macumba vinda sabe Deus de onde continua funcionando. Mas eu to na rua. Devia me conter. Eu sei disso. Mas meu cérebro troll não se importa.

    É, eu já saí na rua repetindo uma palavra em voz alta.
    Quando percebi, quase explodi de tanta vergonha.
    Eu devia parecer uma pessoa perturbada, andando na rua com fones de ouvido e repetindo, sei lá, "pipoca, pipoca, pipoca" loucamente, aos sussurros.

    Meu Deus, que coisa assustadora...

    Enfim. Depois disso acontecer umas duas ou três vezes, eu comecei a ficar muito cismada. Então, sempre que eu me empolgo pensando alguma coisa, eu sempre me assusto comigo e fico pensando: "Ai Deus, não deixa eu ter ficado falando sozinha em voz alta dentro desse ônibus, pelo amor das criancinhas!".

    Por isso, quando eu vi aquela mulher empolgada com seus fones de ouvido, eu meio que compreendi.

    Eu entrei no ônibus, muito atrasada pra aula, e nem pensei onde iria sentar. Só sentei. Do lado de uma moça, de seus 30 anos, muito alta, carregando mochila e pasta no colo. E fones de ouvido.
    Ok, normal.
    A música tava meio alta no fone dela. Eu sei disso porque eu tava ouvindo música também, mas quando um dos meus fones caiu um minuto, eu ouvi o ruído da música dela.
    A moça tava feliz da vida com sua música, seja ela qual fosse. Ficava balançando a cabeça e sorrindo. Bonitinho, até. Engraçadinho de um jeito meio esquisito. Nada demais. Continuei na minha.
    Ela parecia o Jim Carrey naquele video do "What is Love?"



    Mas ela não se conteve.
    Não, não. Sorrir e balançar a cabeça não era o suficiente para o nível de alegria daquela mulher. Aquilo dentro dela precisava sair (soou nojento). Ela começou a balançar o corpo. Eu tava concentrada no meu  fone, mas reparei quando ela começou a me empurrar enquanto balançava. Olhei pra a mulher, com o meu melhor olhar de "Que é isso, dona?". Mas ela nem se abalou, de olhos fechados, balançando a cabeça e o corpo, me dando pequenos escorões dentro do ônibus.

    Olha, eu sou esquisita. Eu faço esquisitices em público e me contorço de vergonha quando percebo. Mas eu não fico agredindo as pessoas com a minha felicidade, gente!
    Eu tava atrasada. Caramba, eram 10 pras 8. Minha aula começava às 8h. O ônibus ainda ia levar uma boa meia hora pra chegar na universidade.
    OITO HORAS DA MANHÃ, e a mulher dançante do ônibus me dando tecos.
    Eu só tenho um metro e meio, mal ocupo uma cadeira inteira no ônibus. A mulher precisa ficar invadindo meu mísero espaço e me agredindo daquela forma?

    Eu mereço.

    Aí você pensa:
    "Não, a essa hora da manhã, já deu, né?"
    HAHAHAHA, claro...

    A moça continuava feliz demais. Me empurrar não era o bastante. Não, ela estava feliz demais, meros empurrões não eram suficientes!
    Ela resolveu cantar.
    Começou baixinho, só uns ruídos, uns sussurros. Seria assustador se ela não tivesse dançando junto. Como ela dançava, ficou só tosco mesmo. Foi aumentando o barulho, até ficar qualquer coisa parecida com um latido com um certo ritmo.

    Como se a cena não fosse estranha o suficiente, a moça alternava momentos em que cantava mais alto, com momentos em que dançava. Mas dançava mesmo. Dançava balançando os braços, fazendo ondinhas com os dedos, passando os braços na frente do rosto e tudo mais.
    Era impossível não parar o que quer que você estivesse fazendo pra olhar pra aquela moça com uma cara chocada e surpresa. Eu não era a única fazendo isso. Metade das pessoas ao nosso redor tavam olhando pra ela, tentando compreender aquilo.

    O meu medo era que ela resolvesse que aquilo não era o bastante pra tanta alegria e saísse se pendurando naqueles ferros do ônibus, fazendo pole dance e cantando I will survive, ou coisa parecida.
    Acho que nem o ônibus ia ser suficiente pra tanta felicidade. Ela ia sair pela rua dançando e parando o trânsito, dançando aquela dancinha assustadora por toda parte, deixando todas as pessoas do mundo chocadas e rindo durante o resto do dia.

    É, rindo dela.
    Mas quem se importa?
    A maluquinha dançante tava feliz.
    Deixa ela, então!

    :)



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  2. 2 comentários:

    1. Antes de eu me indignar pensando que você não tem o direito de, tão nova, escrever tão bem, por favor me diga: o que danado é "apocalipse zumbi"?

    2. Tuíla disse...

      Apocalipse zumbi: reza a lenda nas internets que um dia algum vírus vai se espalhar por aí e começar a transformar as pessoas em zumbis, e isso vai se espalhar e modo que cidades e países inteiros serão destruídos. Por isso todo mundo tem que se preparar pro ataque de zumbis vai causar o fim da civilização (isso pode ser ruim ou bom).

      Essa coisa se espalhou pelo tanto de filme com esse tema, eu acho. Então uma das leseras de internet que se espalha por aí é essa. O que me diz? Sabe matar um zumbi, Jair?

      E obrigada pelos elogios, mestre!
      :D