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  1. quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

    Eu me lembro porque comecei a escrever. Fazia isso quando tava triste, com raiva ou confusa. Ajudava a colocar as coisas em ordem, a cavar um sentido pro monte de pensamentos malucos que brotavam todos ao mesmo tempo, me deixando com vontade de correr e gritar. Aí, pra não fazer isso e assustar os vizinhos e os pedestres inocentes, eu escrevia. Tinha cadernos, agendas e folhas de papel com coisas soltas escritas por todo lado. Guardei a maior parte. Pretendo reler tudo quando a vergonha de mim mesma e das minhas bobagens não me atacar mais.

    Eu lembro da época em que eu não entendia por que as pessoas tinham medo de se arriscar. Quando eu achava que o máximo que podia me acontecer eram uns arranhões, cortes ou ossos quebrados. Nada que um gesso desenhado ou um band-aid colorido não resolvesse.
    E aí me arrebentei um monte de vezes. Ganhei cicatrizes grandes e pequenas. Desenhei em muito gesso (menos quando ele tava na mão direita, aí era um saco).

    E aí o tempo passou. E eu me arrebentei com as pessoas. E no começo não era nada que xingar e discutir um pouco não resolvesse. Quando muito, reclamar pras amigas era o suficiente. Mas essa época também passou. E eu precisei começar a reclamar pro caderno, pra agenda, pra a folha de papel mais próxima.

    Lembro de quando comecei com o blog, porque eu queria escrever coisas bobas pra fazer as pessoas rirem. Pra eu rir também. Um jeito de guardar as coisas malucas que me aconteciam e de me lembrar como eu me senti na hora, como eu vi aquilo. Era uma fase boa. Era divertido.

    Mas as coisas mudam. As pessoas mudam.
    Eu me decepcionei comigo, uma ou duas vezes. Ou mais. E aí, escrever começou a ficar complicado. Era me ver no papel. Olhar as palavras e ver, de um jeito claro e ordenado, tudo aquilo que eu era. Tudo o que eu não queria ser misturado com o que eu queria e com o que eu podia ser, de bom ou de ruim. E eu não quis ver aquilo. E não quis mostrar a ninguém.

    E foi por isso que eu parei de escrever aqui. E só hoje me dei conta disso. Das muitas vezes que abri essa página, com umas 3 ou 4 histórias bobas pra contar. Mas não conseguia. E fui deixando.

    Mil perdões pela choradeira. Mas grandes merda, o blog é meu e eu escrevo nele a porcaria que eu quiser.


    Até não sei quando.

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  2. 5 comentários:

    1. BrisaLunar ~° disse...

      Adoro o que tu escreve, e volta e meia me vejo aqui relendo o que já li, só pra rir ctg.
      Não para não! Quem não gosta que se dane!
      Como o amigo ali de cima disse: Você é a melhor!
      beijos

    2. Tuíla disse...

      *-*
      Sou nada, vocês que são!
      Obrigada!

    3. Minha filha dos outros, ao comentar o post "O que você sabe ou não", eu lhe disse que... "a dona do blog verá o tempo em que este post fará mais sentido do que hoje jamais conseguiria, o tempo em que a certeza da ausência de respostas será a única ciência. Só não sei, quando esse tempo chegar, quantos posts o blog conterá, testemunhando a sabedoria, primeiro impúbere, no meio moça, no fim adulta. Dele dirão o que declarou Neruda de um amigo profundo: 'Quando Nicodemos Guzmán descarregou seus livros tremendos, a balança veio abaixo porque nunca recebera peso tão verdadeiro.' "
      Parece que tive uma premonição... aquilo que tem de acontecer parece ter começado a acontecer. Vida longa ao blog, agora de mulher adulta. Shalom. (E continue escrevendo, mesmo para dizer que não vai escrever tanto).

    4. Tuíla disse...

      Ah, Jair, tu nem imagina como é difícil continuar hehehe.
      Mas eu vou tentando.

      Obrigada, mestre!