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  1. quarta-feira, 2 de novembro de 2011

    Você sabe que horas são.
    Você não sabe quanto tempo vai levar pra curar uma dor.

    Você sabe se tá chovendo lá fora.
    Você não sabe se alguém tá inteiro por dentro.

    Você sabe o número de telefone de alguém.
    Você não sabe quantas vezes essa pessoa pensou em largar tudo e sumir.

    Você sabe qual a banda que alguém gosta.
    Mas não se atreva a dizer o que ele sente ou não.
    Não se atreva a dizer que ela não gosta, não sente ou não quer.
    Não ouse falar que ele quer, precisa ou deveria.

    Você sabe quanto tem na sua carteira.
    Você não sabe o que passa na cabeça de quem tá do seu lado.
    Mesmo que seu nome tenha sido o primeiro que ela falou.
    Mesmo que você saiba quando e como foram todas as experiências dele.
    Você não sabe quais foram realmente as mais importantes.
    De quais ele lembra melhor.
    E quais ela queria esquecer.

    Você sabe o que comeu no almoço.
    Você certamente não sabe de tudo o que alguém pretende fazer da vida.
    Não sabe de tudo o que ele gostaria que acontecesse.
    Não sabe do que ele sente falta.
    Não sabe onde ele queria estar.

    Você sabe seu endereço.
    Você pode até saber o endereço de alguém.
    O email, @ do twitter, facebook, orkut, nº do cartão, curso da universidade, RG e CPF, quantos irmãos, tios, primos, cachorros e papagaios, quantos cigarros fuma num dia, signo, nome do primeiro namorado, quantas vezes já foi presa e quantas brigas teve no meio da rua.
    Mas você certamente não sabe quantas vezes ela prendeu o choro na frente dos outros.
    E quantas vezes riu sem ter vontade.
    E como ele enxerga o mundo.

    Você pode achar que sabe tudo de alguém.
    Principalmente alguém que costuma ter emoções estampadas na cara.
    Mas ainda assim, as pessoas podem surpreender.
    Podem não ser como você achava que eram.

    Você não sabe o que os outros pensam ou sentem.
    Nem se sentem ou pensam.
    Você mal sabe sobre você.
    Imagina sobre os outros.
    Então não fale como se soubesse.
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  2. 1 comentários:

    1. De coisas sabidas e outras encobertas é que se faz nossa "vita brevis", cara escriba. Eu, por exemplo, sei hoje que hei de cercar-me apenas de caídos que se levantaram, os únicos que têm algo a dizer-me. Estou farto de biografias triunfais, por Deus infalivelmente abençoadas. Sei outra: que a dona do blog verá o tempo em que este post fará mais sentido do que hoje jamais conseguiria, o tempo em que a certeza da ausência de respostas será a única ciência. Só não sei, quando esse tempo chegar, quantos posts o blog conterá, testemunhando a sabedoria, primeiro impúbere, no meio moça, no fim adulta. Dele dirão o que declarou Neruda de um amigo profundo: "Quando Nicodemos Guzmán escarregou seus livros tremendos, a balança veio abaixo porque nunca recebera peso tão verdadeiro." Continue escrevendo.