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  1. domingo, 14 de agosto de 2011

    Quero deixar claro aqui, pra todo mundo ver, que vocês podem se estapear de tentar, mas nunca vão conseguir ser melhores que o meu pai.

    É, desistam.
    Não vão.

    Meu pai foi o cara que disse "Vai, menina, deixa de ser besta, tu sobe mais alto que isso nessa árvore, anda!", mesmo enquanto minha mãe choramingava que eu ia cair e morrer. E aí eu aprendi, desde criança que eu podia sim, ir mais alto que aquilo. Que eu não precisava ter tanto medo das coisas, que eu era mais forte do que parecia, que ele estava ali embaixo, pra me segurar se eu caísse, ou cuidar de mim se eu me machucasse.

    Foi ele quem disse várias vezes "Deixe de choro, menina, isso nem tá doendo tanto!", até eu perceber que não tava mesmo. Até me ensinar que o machucado sempre ficava bom, e que eu podia correr, pular, me jogar e fazer outro, porque o outro ia sarar também. Me ensinou que eu não devia ter medo de me machucar, porque se eu tivesse, eu ia perder toda a diversão que acontece antes do joelho arrebentado. E aí eu descobri que tem risco que vale a pena, porque mesmo que eu me machuque, aquilo sempre passa. E nem dói tanto assim.


    Quando eu não queria comer, meu pai sentava comigo na mesa, enchia uma colher de feijão (eu detesto feijão), e dizia:
    - Essa colher ta dentro de uma caixa de madeira, enrolada por correntes, presa num guindaste muito alto do chão. Como você faz pra chegar nela?
    E de repente, descobrir como alcançar aquela colher de feijão parecia super importante, e eu tinha que pensar em como fazer aquilo pra poder comer. E assim terminava o almoço e eu ficava querendo que tivesse mais feijão pra a brincadeira continuar.
    Meu pai me ensinou a pensar no caminho pra alcançar o objetivo, me ensinou a procurar as ferramentas onde fosse, pra conseguir alguma coisa. E a fazer disso uma coisa divertida, que dá vontade de continuar, e de ficar tentando por horas, pensando sobre aquilo, imaginando, inventando, e tentando de novo, quando não dava certo da primeira vez.

    Meu pai me ensinou, com a vida dele, a ser honesta. A fazer por merecer alguma coisa. Meu pai me ensinou a interpretar aquele olhar que significa "Você quer apanhar, sua cabrita?", e obedecer, a ser uma pessoa decente, educada. A saber que tem coisas que são minhas e coisas que são dos outros e que não adianta o quando eu chore e esperneie gritando "me dá, me dá", ninguém vai me dar tudo o que eu quiser. E que se eu chorar e espernear, é pêia garantida.

    Ele até me ensinou a me defender, brincando de luta e me derrubando no chão, ou na areia da praia e gritando de novo: "Vem, parou por quê?". E eu ia, rindo. E não pensem que não doía. Mas eu realmente nem ligava, e aquilo acabou por me ensinar que tem dor que não mata, não te destrói, ao contrário, é aquela dorzinha gostosa que te dá vontade de levantar, correr e lutar mais um pouco, e ir mais longe.

    Meu pai me ensinou a não ser boba, chorona ou medrosa. Me ensinou que ninguém lá fora vai ter pena de mim, e que eu tenho mais é que ser forte. Me ensinou a ser resistente.

    E o melhor de tudo:
    Me ensinou que poucas coisas são melhores na vida que rir, brincar, ter amigos, falar besteira, tirar onda e ver graça nas coisas.

    Painho, obrigada por brincar comigo, rir comigo e passar tempo comigo. Você me ensinou coisas que eu vou levar pra sempre.



    EU AMO VOCÊ!

    Feliz dia dos Pais, mas só pra aqueles que sabem o valor de passar tempo com seus filhos!
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  2. 5 comentários:

    1. Anônimo disse...

      Tuíla

      Sei que não sou tudo isso, mas pra mim é muito importante que voce e Taiane me vejam assim.
      Houve um momento que pensei ter falhado muito, pois falhas todos nós temos.
      Dou Glória a Deus pela vida de vocês duas, por serem justamente como são, e por depois que conversamos mesmo que seja uma conversa dura, tudo passa e a harmonia continua.
      Se Deus me levasse hoje eu estaria muito feliz e realizado.
      Em prantos Painho.

    2. Homem que é homem chora.
      Você merece sim, poeta, um balaio de amor-de-filha pra levar nas costas.

    3. Vic Madeiro disse...

      Sou fã de seu pai Tuíla. Orgulho-me de tê-lo como amigo e irmão.

    4. Eliane disse...

      Dá honra a quem tem honra.
      Parabéns Tuilinha pelo pai que escolhi para ti.
      kkkkkkkkkkkkkk
      bjs

    5. Tuíla disse...

      Ele é o cara, é ou não é?
      ;D