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  1. sexta-feira, 20 de maio de 2011


    Eles me deixam cada dia mais impressionada. Comigo. E com as pessoas.
    Ler provoca em mim reações que nenhum filme, nem nada mais, nunca conseguiu.
    Eu nunca chorei vendo um filme. Eu nunca tive raiva por causa de um filme (só quando era um filme ruim). Eu nunca fiquei triste por causa de um filme.

    Quando algo no livro não acontece como eu queria, quando o personagem que eu gosto morre, ou não aparece o suficiente, ou não se dá bem, eu fico realmente com raiva. Raiva mesmo. Eu li um livro da minha irmã hoje, estilo os que eu costumava ler quando comecei a gostar de ler. Precisava de um pouco de palavras leves, que me fizessem rir. Lá vou eu pra Meg Cabot, me distrair.
    O livro não era ruim, mas:
    a) Aconteceu uma coisa que eu não queria/não concordei
    b) Meu personagem preferido passou METADE do livro sem aparecer.
    c) Terminei, e percebi que era um livro com continuação.
    Fiquei com tanta raiva que Taiane pediu pra eu ir ler em outro canto pra ela ligar a TV e eu xinguei ela.

    Outra vez eu tava lendo algum livro, onde o protagonista sofria como um condenado. Daí deu a hora de ir pra aula e eu larguei o livro. Na parte triste.
    Passei o resto do dia deprimida e chorei quando derrubei água no chão da cozinha.
    E eu nem tava de TPM.

    Já chorei de rir com Veríssimo. Já tive medo de trechos de livros que não me lembro agora.

    E já aconteceram vezes de eu ficar paralisada na frente de um livro, pensando como alguém era capaz de se expressar de uma maneira tão maravilhosa e tão linda.

    E quem me proporcionou a sensação foi Jair, mostrando um trecho de um livro e descrevendo a sensação que eu ia ter de uma forma exata, que eu nunca ia conseguir.
    A sensação de "que bom que eu vivi pra ler isso" e a conclusão de "eu nunca vou escrever assim".
    A satisfação de que existe gente de verdade que tem talento pra fazer coisas que nos impressionem, mesmo que aquilo seja inatingível pra você. Mas que vai te dar aquela vontade louca de tentar fazer melhor mais uma vez.
    Eu li aquilo, e me senti ainda menor que meu 1,54m. Me senti o Frodo encontrando as pessoas grandes, tentando montar um cavalo normal. Encolhi pelo menos meio metro. E fiquei olhando aquelas palavras tão perfeitas e tão precisas que pareciam formar uma imagem na minha frente, simples, e incrível.

    Se contorçam, como eu:
    "Não há nada mais solitário do que estar em um carro à noite na chuva. Eu estava em um carro. E estava feliz com isso. Entre um e outro ponto do mapa havia o estar sozinho no carro na chuva. Dizem que você só é você em relação com outras pessoas. Se não existssem outras pessoas não existiria você, porque o que você faz, o que você é, apenas tem significado em relação às outras pessoas. Este é um pensamento muito reconfortante quando se está sozinho em um carro à noite na chuva, pois lá você não é você, e, não sendo você ou nada, você pode realmente deitar-se e descansar. São férias de ser você. Há apenas o fluxo do motor sob seu pé girando aquele frágil fio de som que sai do metal como uma aranha, aquele filamento, aquela ligação, que não está realmente lá, entre o você que acabou de deixar em um lugar e o você que será quando chegar ao outro lugar.
    Você tem que convidar os dois vocês para a mesma festa, qualquer dia desses. Ou pode fazer uma reunião de família para todos os vocês, um churrasco sob as árvores. Seria divertido saber o que eles diriam uns aos outros.
    Mas, enquanto isso, não há nenhum deles, e eu estou no carro, na chuva à noite."

    Diretamente do email de Jair, um trecho de "Todos os homens do rei", de Robert Penn Warren.
    E repito o que respondi pra ele:
    Eu PRECISO ler esse livro.
    Eu preciso DECORAR esse livro.

    E eu já tive essa sensação antes.
    De pensar, CARACA ESSE(A) CARA(MENINA) É UM GÊNIO!

    "Outros males existem que poderão vir; pois o próprio Sauron é apenas um servidor ou emissário. Todavia não é nossa função controlar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que pudermos para socorrer os tempos em que estamos inseridos, erradicando o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que viverem depois tenham terra limpa para cultivar. Que tempo encontrarão não é nossa função determinar." Gandalf, pág 148

    Tolkien, O senhor dos Anéis - O Retorno do Rei
    Não vou nem comentar sobre esse rapaz, porque não é normal uma coisa dessas.

    "Nós nunca mentimos. Quando mentimos, é para o bem de vocês. Verdade. Começa na infância, quando a gente diz para a mãe que está sentindo uma coisa estranha, bem aqui, e não pode ir à aula sob pena de morrer no caminho. Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a lição de casa e por isso não podíamos enfrentar a professora, a mãe teria uma grande decepção. Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter."

    Prefácio do livro As mentiras que os homens contam, do Veríssimo. Tenho dores na barriga de tanto rir. Por isso só leio em casa, onde não tenho mais imagem nenhuma pra cuidar.

    "- Nenhuma delas tem muita coisa que as recomende - replicou ele -; são todas tolas e ignorantes, como as meninas sempre são; mas Lizzy é um pouco mais esperta que as irmãs.
    - Sr. Bennet, como pode insultar assim suas próprias filhas? Você adora aborrecer-me. Não tem pena dos meus pobres nervos.
    - Engano seu, querida. Tenho muito respeito por seus nervos. São meus velhos amigos. Ouvi você mencioná-los com muita consideração nos últimos 20 anos, pelo menos.
    - Ah, você não sabe como eu sofro!"

    Depois da Elizabeth, o pai dela é o meu personagem preferido de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen!

    "No escuro, finalmente, alguma coisa começava a acontecer. Uma voz cantava. Muito longe. Nem mesmo era possível precisar a direção de onde vinha. Parecia vir de todas as direções, e Digory chegou a pensar que vinha do fundo da terra. Certas notas pareciam a voz da própria terra. O canto não tinha palavras. Nem chegava a ser um canto. De qualquer forma, era o mais belo som que ele já ouvira. Tão bonito que chegava a ser quase insuportável."

    As crônicas de Nárnia - O sobrinho do mago, de C. S. Lewis. Mais especificamente na criação de Nárnia.


    Se um dia eu conseguir provocar em alguém metade da sensação que eu tenho ao ler o que essas pessoas escreveram, e se eu conseguir empolgar alguém com as minhas palavras tontas organizadas numa frase, não vai ter nada que eu não seja capaz de fazer.
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  2. 6 comentários:

    1. AlexGoblin disse...

      Você tá no caminho certo, acredite!

    2. Tuíla, o melhor de tudo é que há tantas coisas pra se ler e diante das sucumbir, que constatamos como é inexorável a genialidade e a sensibilidade humanas. Daria pra passar a vida inteira, lendo numa rede, até reduzirmo-nos à caveira, e ainda não chegaríamos a ler nem 1% da produção do belo pela pena dos homens. Se ainda não o fez, experimente ler, por exemplo, Grande Sertão Veredas e então acho que me farei entender.

    3. lianne disse...

      tuila, desde que eu comecei a ler seu blog, fico sempre esperando seu proximo post... e qndo leio um post como esse fico cada vez mais com mt vontade de ler os livros q vc cita aqui...sua paixao pela leitura é admiravel... continue assim pq acredite, vc vai longe!

    4. Marina disse...

      em primeiro lugar: meus sinceros agradecimentos por você ter citado um trecho de Orgulho e Preconceito nesse post!
      em segundo lugar: não sei se vou conseguir atingir sua auto-estima (de um modo positivo, claro), mas eu atraso meu trabalho lendo teus posts! asdjkhakusdhakudh e já chorei de rir com vários posts seus (principalmente os de ônibus!)

      beijão prima!

    5. Tuíla disse...

      Toda vez que eu vejo qualquer coisa sobre Orgulho e Preconceito eu lembro de você, prima!

      E vocês todos: obrigada, de verdade! Amo ver comentários aqui :D

    6. Eliane disse...

      Tuíla
      Seus textos são excelentes. Amo ler o q vc escreve. " É a garotinha da mamãe"