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  1. quinta-feira, 7 de abril de 2011

    Não é um post, não é uma história. É um momento babaca.

    Acho que todo mundo devia dedicar alguns momentos da própria vida pra aprender a não fingir.
    Eu tenho mania de tentar fingir, mas não consigo.
    E eu achava que isso era um defeito.

    Fingir, no meu caso, não funciona. Nunca vai convencer ninguém.
    Porque eu falo demais, então todo mundo sabe quem eu sou.

    Já me disseram que eu era "fria e calculista", e que eu nunca falava sobre mim, sobre as minhas coisas, sobre o que eu tava pensando. Eu não acredito nisso, sinceramente. É muito raro que eu consiga guardar uma coisa minha. Tudo que me acontece, ou que eu penso, eu preciso contar pra pelo menos uma pessoa. Ou escrever no blog.

    Calma, deixa eu me organizar:
    É aquela velha história clichê de fingir ser alguém que você não é pra agradar os outros. Não funciona comigo. E eu tinha raiva de não conseguir fazer isso. De não saber calar minha boca. Ainda tenho. Mas desisti de tentar ser outra pessoa. Eu nunca conseguia mesmo.

    Uma vez, quando eu tinha 11 anos, minhas amigas resolveram que estavam cansadas de ser criança.
    Deixa eu dizer que, naquela idade, esse conceito não entrava na minha cabeça. Eu só tinha 11 anos. O que aquelas meninas queriam ser, pelo amor de Deus?
    Naquele tempo, no colégio, a gente passava o intervalo:
    a) Passando trote no orelhão
    b) Jogando qualquer coisa
    c) Brincando de compasso
    d) Arrancando flores do jardim e pingando aquela seiva nas pálpebras das outras e dizendo que a pessoa pra quem ela olhasse ia se apaixonar por ela, e rindo quando ela acreditava.
    e) Subindo no muro e gritando: "Ei laranja, né tu não, bagaço" pra quem passasse na rua.

    Mas elas não queriam mais. Queriam ser como as meninas das turmas mais pra frente da nossa. Ou mesmo como aquelas da nossa turma que a gente costumava zoar internamente por serem pequenas aprendizes de prostitutas, mas por quem os meninos eram loucos. A gente não se incomodava com aquilo.
    Bom, pelo menos eu não.

    E quando elas quiseram agir daquele jeito, elas sabiam que eu não concordaria. E não me contaram.
    Só passaram a me evitar.
    E quando eu perguntei o que estava acontecendo, foi que me disseram.
    Se eu não tivesse passado um dia inteiro (e na época, pra mim, isso era muito tempo) pra descobrir o que elas tinham, o meu impulso seria rir.
    Mas elas estavam falando sério.

    Eu deveria ter rido. Sei que deveria.
    Não sei o que teria acontecido se eu tivesse agido como tive vontade. Talvez o resultado não fosse tão bom (elas cansaram da tentativa e voltaram ao normal em, no máximo, dois dias depois). Mas hoje eu não ia olhar pra trás e lembrar daquele episódio como o momento em que eu me senti mais babaca na minha vida inteira.

    Eu concordei.

    Cada fibra do meu ser gritava pra eu deixar de ser imbecil, e não fazer aquilo.
    Mas eu não fiz.
    Pensei: Bom, talvez elas estejam certas. Talvez eu seja só muito tonta e infantil, e deva crescer então.

    Incrível como essa palavra me persegue.
    In-fan-til.

    Eu sempre fui considerada infantil.
    Pelos outros.
    E acabei me considerando assim também.

    1. Eu era infantil porque aos 13 anos, nunca tinha beijado. Então eu fingia já ter, pra ninguém pensar assim.

    2. Era infantil porque não usava maquiagem, mesmo com 14 ou 15 anos.

    3. Infantil porque pediam pra ficar comigo e eu dizia não.

    4. Porque adoro desenho animado.

    5. Por causa das coisas que eu leio.

    6. Dos jogos.

    7. Da coisa da maquiagem, que me persegue ainda hoje.

    Entre outros motivos.
    Mas vou falar a verdade:

    Eu tenho 20 anos, eu assisto desenho animado, eu jogo Sonic no computador, disputo BattlePaint como se minha vida dependesse disso, leio gibi da Mônica quando tou entediada, tenho medo de andar pela casa quando todo mundo já dormiu, ODEIO me arrumar e me incomodo, sim, com o que pensam de mim.

    Mas uma coisa eu aprendi nesse meio tempo:
    Eu prefiro fingir que não me incomodo, e ser eu como eu quiser, do que fingir ser de outro jeito, pra não me incomodarem por isso.

    Uma pessoa me disse uma vez pra eu tomar cuidado, porque quando se chega nos 20, as pessoas começam a supor que se é adulto.
    Acho que ele sabia do que tava falando.


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  2. 6 comentários:

    1. Tem nada não, coleguinha. Eu, com quase 38, confesso: eu paro quando vejo Pernalonga... Depois do pimpoio, sei de todos os desenhos legais, não porque assista como que obrigado por estar cuidando dele, mas porque... EU GOSTO! KKKKKKKKKKK!!!
      Já assistiu "Como treinar o seu dragão" ? É imperdível!

    2. Tuíla disse...

      Desenho é maravilhoso.
      E o filme do dragão é um dos melhores de animação que eu já vi *-----*

    3. Fingir? Essa palavra nunca esteve em seu vocabulário, dear.
      Nem no meu.

      Somos únicas, batxi o/

    4. Não é rasgação de seda (tu sabe que, fora do blog, eu mando umas...). Mas, sério, li esse post umas 3 vezes. O auto-escárnio, o humor cáustico de sempre estão presentes, mas, desta vez, o tom confessional me fez parar e pensar em mim mesmo, em meus próprios fingimentos... gosto de textos confessionais! É dos outros, mas fala muito de nós mesmos, denuncia quem realmente somos, e não quem fingimos ser...
      Seu fã fingido...

    5. errata:
      para o bem da língua-mãe, leia-se "São dos outros, mas falam..."

    6. Eliane disse...

      Tuíla você é linda e admirável, porque é sempre você mesma.