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  1. sexta-feira, 29 de abril de 2011

    Muita ousadia de minha parte falar desse assunto, mas como foi um caso extremo, acho que to liberada.

    Era uma tarde nublada, clima agradável, dia sossegado.
    Estava na universidade e fui fazer um favor pra umas amigas: tirar xerox pra elas.
    Sim, eu estava de muito bom humor.
    Fui tranquilamente caminhando até a xerox, olhando as árvores, ouvindo os passarinhos cantarem, e respirando o aroma da natureza. Quase a Branca de Neve, só que sem cantar com os animaizinhos.

    Cheguei na xerox, mais próxima. 6 centavos. Uau, um centavo mais barato que as outras, legal. Parei no balcão. Tinha uma moça tirando xerox de um livro, outra escorada no balcão do lado de dentro, meio de lado, conversando com ela, e um moço varrendo o lugar.
    Esperei sossegadamente alguém me dar atenção.
    Pensei: "Acho que vou ter que esperar a moça terminar esse livro." Tudo bem, eu não estava com pressa. Não estava com calor, podia até me sentar.
    A moça que copiava o livro me olhou por cima da outra e perguntou: Diga?
    - Eu queria duas copias disso aqui, por favor.
    A moça que copiava olhou para a outra e fez: Vai, fulana.

    Certo, eu devia ter entendido.
    A Fulana trabalhava ali.
    Fulana estava a menos de meio metro de mim.
    Fulana me viu, não é possível!
    FULANA ME IGNOROU.
    Certo, parte do meu bom humor de Branca de Neve foi embora.

    Fulana pegou meu texto.
    Deixa eu descrever Fulana.
    Pouco mais alta que eu. Muito pouco. Cara de enjôo constante. Por algum motivo que eu não sei explicar, boca dela estava sempre levemente aberta. Tive medo de ela babar no meu texto. Uma pança grande, uma blusa curta. Combinação desagradável. Vejo pessoas com panças muito menores que evitam passear com as suas de fora assim. Um fone no ouvido. Ela cantava.
    Forró.
    Música internacional transformada em forró.
    Nem vou comentar o que penso sobre isso.

    Enfim.
    Fulana pegou meu texto. Falou com o moço que varria, com uma voz que parecia uma gosma escorrendo lentamente. Uma gosma verde:
    - Fulaaano, essa maquinan tá ocupadan?
    Fulano olhou pra ela impaciente.
    A máquina estava ligada. Xerocando montes de folhas. Dava pra ver aquilo.
    EU TAVA VENDO AQUILO.
    Fulano grita:
    - Tá sim, minha felha, e pode desistchir, viu? Vai usar a manual que essa daí tá fazendo cinco cópias, e começou agora, tá?

    Fulana remexeu a língua dentro da boca. Olhou para a máquina de xerox manual, antiga, no canto. Fez uma cara de abuso ainda maior.
    Quase vomitei nessa parte.
    Sério, aquela mulher inspirava ânsia de vômito.
    A pança mole, a voz pastosa, a boca que não fechava.
    E fora que todo esse diálogo já rendia uns bons 10 minutos.
    O clima parou de parecer tão agradável.

    Fulana resolveu que não ia usar a máquina manual. Apoiou-se no balcão e começou a ler meu texto.
    JURO.
    Começou a ler Freud.
    Luto e Melancolia, de Sigmund Freud, ao som de Luan Santana ou sei lá que merda era aquela.
    Surreal.
    Odeio essa palavra mas é a única que expressa minha sensação naquele momento.

    Eu tava tão perplexa que resolvi esperar pra ver no que ia dar.
    Mais ou menos como um experimento.
    Quantas eras Fulana levaria para tirar minha xerox?

    Fulana cansou de ler meu texto. Fulana resolveu cantar. Fulana cantava 'meu anjo azul, blablabla'.
    Acreditem ou não, Fulana esperou as CINCO cópias terminarem na máquina automática, porque aparentemente, Fulana ou não sabia usar a manual, ou tava com preguiça demais pra isso.
    Provavelmente a segunda opção, senão ela não trabalharia numa xerox, certo?

    Bom, Fulana foi tirar minha xerox afinal
    Fulana volta, com o texto original e UMA cópia na mão.
    Comecei a gargalhar por dentro, pelo ridículo da situação e por impaciência também.
    - Er... Moça... Eu pedi duas cópias.
    A mulher que ainda tava xerocando o livro olhou pra mim, com olhar de: "Eu sei, é terrível".

    Fulana sorriu, de uma maneira molenga:
    - Ah, mulher, era?
    Olhou para a máquina automática, já ocupada de novo.
    Pânico.
    Ela não vai esperar de novo, NÃÃO!
    - Então vou tirar tua xerox na manual, senão tu vai ficar aqui pra sempre he he he.
    Suspirei de alívio, discretamente, e dei um sorriso sem graça.

    Fulana volta com a minha cópia. Diz:
    - R$ 2,10, as duas.
    Entrego uma nota de 10.
    A mulher olha para a nota.
    Um medo súbito de que ela entrasse em pane e ficasse ali, travada na conta, pra sempre, tomou conta de mim.
    Fulana tira, lentamente, uma calculadora debaixo do balcão.
    Alívio.

    Só pra resumir, ela levou quase o tempo de tirar a xerox pra me dar o troco.
    Saí de lá em desespero.
    Branca de Neve é o caramba, meu humor tava mais pra qualquer coisa perto de uma daquelas pessoas que fugiam do Pânico, de tanto medo que eu tava de a lerdeza da Fulana ser contagiosa.

    p.s.: morro de agonia de lesma, arg.



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  2. quinta-feira, 7 de abril de 2011

    Não é um post, não é uma história. É um momento babaca.

    Acho que todo mundo devia dedicar alguns momentos da própria vida pra aprender a não fingir.
    Eu tenho mania de tentar fingir, mas não consigo.
    E eu achava que isso era um defeito.

    Fingir, no meu caso, não funciona. Nunca vai convencer ninguém.
    Porque eu falo demais, então todo mundo sabe quem eu sou.

    Já me disseram que eu era "fria e calculista", e que eu nunca falava sobre mim, sobre as minhas coisas, sobre o que eu tava pensando. Eu não acredito nisso, sinceramente. É muito raro que eu consiga guardar uma coisa minha. Tudo que me acontece, ou que eu penso, eu preciso contar pra pelo menos uma pessoa. Ou escrever no blog.

    Calma, deixa eu me organizar:
    É aquela velha história clichê de fingir ser alguém que você não é pra agradar os outros. Não funciona comigo. E eu tinha raiva de não conseguir fazer isso. De não saber calar minha boca. Ainda tenho. Mas desisti de tentar ser outra pessoa. Eu nunca conseguia mesmo.

    Uma vez, quando eu tinha 11 anos, minhas amigas resolveram que estavam cansadas de ser criança.
    Deixa eu dizer que, naquela idade, esse conceito não entrava na minha cabeça. Eu só tinha 11 anos. O que aquelas meninas queriam ser, pelo amor de Deus?
    Naquele tempo, no colégio, a gente passava o intervalo:
    a) Passando trote no orelhão
    b) Jogando qualquer coisa
    c) Brincando de compasso
    d) Arrancando flores do jardim e pingando aquela seiva nas pálpebras das outras e dizendo que a pessoa pra quem ela olhasse ia se apaixonar por ela, e rindo quando ela acreditava.
    e) Subindo no muro e gritando: "Ei laranja, né tu não, bagaço" pra quem passasse na rua.

    Mas elas não queriam mais. Queriam ser como as meninas das turmas mais pra frente da nossa. Ou mesmo como aquelas da nossa turma que a gente costumava zoar internamente por serem pequenas aprendizes de prostitutas, mas por quem os meninos eram loucos. A gente não se incomodava com aquilo.
    Bom, pelo menos eu não.

    E quando elas quiseram agir daquele jeito, elas sabiam que eu não concordaria. E não me contaram.
    Só passaram a me evitar.
    E quando eu perguntei o que estava acontecendo, foi que me disseram.
    Se eu não tivesse passado um dia inteiro (e na época, pra mim, isso era muito tempo) pra descobrir o que elas tinham, o meu impulso seria rir.
    Mas elas estavam falando sério.

    Eu deveria ter rido. Sei que deveria.
    Não sei o que teria acontecido se eu tivesse agido como tive vontade. Talvez o resultado não fosse tão bom (elas cansaram da tentativa e voltaram ao normal em, no máximo, dois dias depois). Mas hoje eu não ia olhar pra trás e lembrar daquele episódio como o momento em que eu me senti mais babaca na minha vida inteira.

    Eu concordei.

    Cada fibra do meu ser gritava pra eu deixar de ser imbecil, e não fazer aquilo.
    Mas eu não fiz.
    Pensei: Bom, talvez elas estejam certas. Talvez eu seja só muito tonta e infantil, e deva crescer então.

    Incrível como essa palavra me persegue.
    In-fan-til.

    Eu sempre fui considerada infantil.
    Pelos outros.
    E acabei me considerando assim também.

    1. Eu era infantil porque aos 13 anos, nunca tinha beijado. Então eu fingia já ter, pra ninguém pensar assim.

    2. Era infantil porque não usava maquiagem, mesmo com 14 ou 15 anos.

    3. Infantil porque pediam pra ficar comigo e eu dizia não.

    4. Porque adoro desenho animado.

    5. Por causa das coisas que eu leio.

    6. Dos jogos.

    7. Da coisa da maquiagem, que me persegue ainda hoje.

    Entre outros motivos.
    Mas vou falar a verdade:

    Eu tenho 20 anos, eu assisto desenho animado, eu jogo Sonic no computador, disputo BattlePaint como se minha vida dependesse disso, leio gibi da Mônica quando tou entediada, tenho medo de andar pela casa quando todo mundo já dormiu, ODEIO me arrumar e me incomodo, sim, com o que pensam de mim.

    Mas uma coisa eu aprendi nesse meio tempo:
    Eu prefiro fingir que não me incomodo, e ser eu como eu quiser, do que fingir ser de outro jeito, pra não me incomodarem por isso.

    Uma pessoa me disse uma vez pra eu tomar cuidado, porque quando se chega nos 20, as pessoas começam a supor que se é adulto.
    Acho que ele sabia do que tava falando.


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  3. sexta-feira, 1 de abril de 2011

    Certo, agora todo mundo sabe a minha altura.
    É.

    Míseros 1m e 54cm.
    Um metro e meio, pra ficar prático.
    Sei o que vão dizer: Mas você desse tamanho e ainda fica desprezando 4cm inteirinhos?
    Já me frustrei muito com pedaços de centímetros que me diziam que eu tinha e depois sumiam misteriosamente.
    Acho que eu tava no 2º ano quando me medi na academia: 1m e 53 e meio.
    Ótimo, sinto-me enorme.
    No 3º ano, 1,55m.
    Juro como me senti monstruosamente imensa. O chão até parecia mais distante.
    Foi emocionante.
    Daí, no começo desse ano, na academia, fui me medir. Um metro, e cinquenta e quatro centímetros.

    Certo.
    Não tou nem aí pra quem pegou meu centímetro, MAS EU QUERO ELE DE VOLTA.

    Olha, eu não tou reclamando por ser baixinha. Na verdade, eu até gosto.
    Eu pareço um hobbit, se você ignorar os pés e as orelhas. Mas todo o resto, aqui estou eu. Um hobbit. Pequena, de cabelos cacheados, e tudo mais. Não me incomodo com isso.
    Mas veja bem, você também iria surtar se começasse a DIMINUIR. Ninguém quer diminuir. Sabe por quê? Porque vai saber se você vai simplesmente sair encolhendo até sumir?
    EU NÃO QUERO SUMIR.

    Mas ser pequena é bom.
    Tem um cara que pega o mesmo ônibus que eu com frequência. Ele é tão alto, e tem pernas tão compridas que sempre senta na cadeira do corredor, meio de lado, porque as pernas dele simplesmente não cabem no espaço entre os bancos.
    Eu sento na cadeira da janela, com as pernas cruzadas e ainda escorrego no banco pro meu joelho encostar na cadeira da frente e eu poder me apoiar, pra não escorregar até a morte no chão do ônibus.
    Isso é uma vantagem pra mim.

    Por outro lado, eu preciso ficar na ponta do pé pra puxar a cordinha.
    É.
    Aqueles malditos botões NUNCA funcionam.
    Isso é muito injusto porque eu aposto que qualquer dia vou ficar na ponta do pé, perder o equilíbrio e cair para a morte.

    Certo, tem mais coisa boa.
    Eu sempre posso me esconder na sombra dos outros.
    O sol de 40ºC torrando os circuitos, vocês todos lá sofrendo, e eu escondida na sombra de algum amigo. Tem que ser de amigo, porque eu preciso me apoiar nele, pra aproveitar a sombra toda. Mas funciona.

    Porém, se um dia eu precisar alcançar um remédio, ou alguma coisa alta numa prateleira pra salvar uma vida, pode ter certeza, é game over.
    MAS, se eu for andar de navio um dia, quando gritarem MULHERES E CRIANÇAS PRIMEIRO, eu vou ter dupla chance de sobreviver. Porque se os botes de mulheres ficarem lotados, eu posso entrar nos botes para crianças.
    Não sei se isso ia funcionar, foi só uma coisa que eu pensei.
    Ignorem.

    Eu sempre perco aquele jogo dos polegares.
    Sabe, aquele que você segura a mão da pessoa e tem que segurar o polegar dela com o seu. Meu polegar é pequeno demais pra segurar o polegar das pessoas normais. E é muito fácil de ser segurado pelo mesmo motivo.
    Ou talvez eu seja só descoordenada e precise de uma desculpa.
    Enfim.

    No colégio que eu estudava quando era criança, antes de começar a aula, a gente fazia fila na quadra.
    As filas eram divididas por série, e organizadas do menor para o maior.
    Adivinha quem foi a primeira da fila desde que aprendeu a andar e foi pra escola, até a quinta série, quando pararam com aquela coisa de fila?
    É.

    Adivinha quem sempre teve os seguintes apelidos:
    Formiguinha (como se não fosse o suficiente ser um inseto, era no diminutivo), Tampinha, Tamborete de Forró (detestava esse mais que tudo), Toco (porque além de tudo, eu era grossa), Rodapé (eles tinham preguiça de dizer "pintora de rodapé)...
    Isso sem mencionar as piadas tipo: Como anda o clima aí embaixo?
    Ha ha, hilários.

    Mas eu não ligava muito.
    Ser pequena é bom.
    Ray dizia que era terrível encontrar um namorado que fosse maior que ela.
    Bom, nunca tive esse problema, se é que isso conta.

    :]
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