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  1. domingo, 27 de fevereiro de 2011



    1. Eu tenho uma agonia miserável com swingueira. E antes que se ofendam e digam que eu sou preconceituosa com ritmos, nem é isso. Nada contra o ritmo. Não gosto, mas não odeio. O que não entra na minha cabeça é alguém conseguir ouvir aquilo, entender o que o cantor tá dizendo e não sofrer um ataque nervoso e cair no chão se contorcendo. Passa do limite da estupidez: é irritante.

    Isso tem o ano todo. Certo. Mas isso, junto com as marchinhas de carnaval, que também não me agradam, parecem invadir a cidade de um jeito absurdo. Vizinhos que nunca te incomodaram começam subitamente a achar que todo mundo gostaria de saber o quanto ele é entusiasta do carnaval e abre o porta malas do carro e libera geral.

    Só um lembrete: espero que seus tímpanos estourem como o meu fez quando eu mergulhei fundo demais numa piscina funda demais quanto tinha, sei lá, 11 anos, e fique borbulhando e você tenha que colocar remédios dolorosos nele.
    Aliás, não. Espero só que sua caixa de som exploda.

    2. Pessoas peladas.
    POR QUE, pelo amor do pai, as pessoas acham que só por ser carnaval, em janeiro-fevereiro-março é aceitável colocar mulher pelada na tv a qualquer hora? Quer dizer: eu tou aqui, de férias, na boa, assistindo O Homem Aranha em paz, daí dá o intervalo e BAM, uma mulher numa começa a sambar na minha cara, freneticamente, antes mesmo que eu tenha tempo de encontrar o controle remoto e tirar aquilo dali.
    Quer dizer, não tem só gente da minha idade assistindo desenho de manhã. Eu assisto porque sou uma estudante desempregada, ferrada e de férias. Mas tem criança vendo aquilo. E o que eu posso esperar de crianças criadas por uma sociedade que não esquenta que eles fiquem vendo gente nua loucamente?
    Sabe por que os filhos de vocês acham tranquilo trepar com 15 pessoas em dois dias e ainda contar pros outros? É porque desde crianças as pessoas colocavam gente PELADA no intervalo do HOMEM ARANHA fazendo eles acharem que, ah, nada demais ficar pelado/se divertir com pessoas peladas sem critério nenhum, né?
    Porque tem uma época do ano em que as pessoas se aglomeram na rua pra isso!
    Aí depois me aparecem governos tentando impedir que doenças sejam espalhadas e mais crianças sejam geradas sem nenhum minuto de reflexão sobre o assunto, como se fosse o suficiente. Não passa pela cabeça de ninguém enfrentar a raiz do problema que é as coisas que vocês deixam colocarem na cabeça dessa pirralhada, pra começo de conversa?

    Gente, vocês querem ver galera pelada?
    PROBLEMA DE VOCÊS.
    Internet tá aí pra você ver a porcaria que você quiser sem incomodar os outros.

    Eu acho uma das coisas mais estúpidas do mundo toda essa banalização que o carnaval faz com o corpo das pessoas. Como se todo mundo precisasse ficar vendo gente nua o tempo inteiro e quem não achar isso SUPER interessante não é alguém normal. Não sou ingênua pra achar que não acontece no resto do ano. Mas o carnaval gira em torno disso. De bunda de mulher. E se me permitem dizer, eu acho um tema meio bobo pra uma festa que mobiliza o país inteiro durante tanto tempo.

    3.Álcool.
    Certo, tem o ano inteiro.
    Mas algo na aura do carnaval faz com que as pessoas bebam e sejam ainda mais imbecis.
    Não me incomodo quando tá naquele ponto que me faz, por exemplo, ver uma mulher de seus 40 anos de idade, usando uma saia havaiana e uma blusa amarrada, dançando alguma coisa indefinida na calçada, na frente de um carrinho de cd pirata. Eu não ligo. Eu acho ótimo ter as coisas estúpidas dessas pessoas pra comentar aqui. Inclusive, tou numa escassez de história ridícula (dos outros) que vocês nem imaginam.

    Não entra na minha cabeça que as pessoas achem divertido beber 15 latas de cerveja e sair andando como se tivesse algum problema nas pernas ou no cérebro. Não tem graça. Nem Coca-cola que, vamos ser honestos, veio do céu, carregada por anjinhos com harpas, a gente bebe 15 latas. Imagina uma coisa que parece mais com xixi?
    Outra vez, repito: cada um tem o direito de cagar na própria existência o quanto quiser. Mas deixe os outros.

    Pra comprovar meu raciocínio, digo só uma coisa:
    Quando alguém bêbado tirar a vida de alguém que você ama, porque achou que não tinha problema encher o rabo de cana e dirigir, você vai entender o que eu digo.

    4. Ala Ursa.
    É. Eu tinha medo daquilo.
    Hoje só me dá agonia.



    Quando eu era criança, sempre acontecia daquele mar de pirralho batendo em lata e berrando coisas incompreensíveis tocarem na campainha da nossa casa e soltar: TIA, DÁ DINHEIRO.
    Era só ouvir o batuque sem sentido nem ritmo nenhum, pra eu correr da sala pro meu quarto, ou enfiar a cabeça na almofada até eles irem embora.
    Eu não tinha medo do barulho. Eu não tinha medo da máscara de capeta do muleque.
    Eu tinha asco daquela roupa feita de saco plástico cortado, caindo em tiras, que eles usavam. Porque quando eu via aquilo, a única coisas em que eu conseguia pensar era: Deve tá quente ali dentro, aquilo deve grudar no corpo dele, deve grudar muito e quando ele tentar tirar não vai sair porque vai tá grudado e ele vai ficar preso e vai SUFOCAR E MORRER.

    E isso me dá horror até hoje.

    5. É feriado, e você pode viajar, mas não adianta, sabe por quê?
    Porque toda quina do país vira um pedaço do inferno.
    Cheio de gente bêbada e pelada, e música barulhenta, e cheiro ruim, e mais gente pelada, e mais gente bêbada, dançando swingueira, enquanto bebe e tira a roupa e se esfrega nos outros, pegando doenças, e espalhando herpes, enquanto bebe e dança swingueira, e não lembra onde deixou a roupa, nem se pegou dst, porque a música tava muito alta e ele tava bebendo e derrubou cerveja no outro que achou que era uma boa ideia tirar a roupa e sambar, e depois beber mais, e aumentar o volume da música porque tinha alguém ousado ali no meio que ainda CONSEGUIA PENSAR UM POUCO.

    -

    Desculpa, eu não ligo se você gosta de carnaval.
    Problema seu.
    É o meu blog.

    AH, obrigada painho, por ter mandado meu blog pro pessoal ler.
    E valeu Jair, pelos elogios. Painho me mandou seu email e, cara, nunca fiquei tão feliz por ter começado com esse blog.

    Obrigada, pessoas.
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  2. quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

    Pior que uma tristeza, é ter que sair de casa com ela. Mas pior ainda era sair triste num dia chuvoso. E aquela menina sentia na pele. Dava pra ler naquele rosto. Era o tipo de pessoa que tinha letreiros nos olhos. Não era necessária muita sensibilidade para perceber. Apenas uma vista medianamente boa, e pronto, estava ali.
    Tinha os olhos cansados, levemente avermelhados ao redor, com aquela cor bonita de castanho que a tristeza deixa em quem chora. Apesar de tudo, não dava pra ter pena. Algo nela mostrava uma força que ela nem notava que tinha. Um contraste com o cansaço do olhar.
    Ela, aliás, era toda contraste. Entre o que era e a ideia que tinha de si. Entre sua força e seu cansaço. Entre ela e aquele céu nublado.
    A chuva tinha parado, e ela esperava o ônibus sozinha. Respirava fundo, e esfregava o rosto como se assim pudesse apagar tudo o que via e ouvia. A ideia que as pessoas têm umas das outras podem ser cruéis, contém algumas verdades, mas raramente são exatas. E ela tinha aquela mania de guardar bem fundo as piores partes, como se lá não incomodassem ninguém.
    Entrou no ônibus e sentou ao lado de um cara. Ele devia ter uns 25 anos e não tinha nada de muito bonito ou que chamasse atenção. Mas tinha uma vista muito boa, e a menina ao seu lado foi percebida. E aqueles olhos de letreiro foram observados discretamente, e lidos com interesse.
    Mais uma parada para ele descer. O ônibus passou perto demais de uma árvore e suas folhas molhadas caíram dentro, pela janela. E entre elas, no colo dele, uma pequena flor amarela e úmida. Ele olhou a flor e a segurou. Cheia de pingos, parecia triste, como se tivesse chorado, mas ainda assim, bonita.
    Ele se levantou e pediu licença. Ela afastou. Ele puxou a corda, e parou. Tocou a menina no ombro. E seus olhos de letreiro se viraram, com uma interrogação meio apagada. Ele lhe entregou a flor, sorriu e foi embora.
    Nunca mais se encontraram. A flor murchou logo. Mas alguma mensagem foi passada, pois um instante depois, foi visto brilho naqueles olhos. Um brilho que contrastou com toda aquela ideia que ela tinha de si. E naquele dia, foi o bastante.
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  3. quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011


    Quando eu tinha 8 anos, na segunda série, eu descobri uma das coisas mais maravilhosas inventadas pelo homem: A bolinha de gude.

    Foi quando eu tava passando por uma banca de revista, eu acho, e vi um saco amarelo furadinho com umas 15 bolinhas pretas dentro. Eram lindas, bem escuras. Meu pai comprou pra mim e eu fiquei maravilhada com aquilo.
    Passava meus dias em casa jogando as bolinhas no rodapé que, diferente dos rodapés comuns, não formava uma quina com o chão, era arredondado, formando uma rampinha. Era minha glória. As bolinhas eram os skatistas num campeonato. Ou os carros numa corrida. Enfim...
    Na escola, os meninos jogavam bolinha de gude no intervalo. Não daquele jeito tradicional, com o desenho do círculo no chão e tal. Eles se sentavam a um metro um do outro, mais ou menos, escolhiam uma de suas bolinhas, e o outro tinha que acertá-la. Era bem simples, mas virou uma mania no colégio, porque cada um que escolhesse a bolinha menor pro adversário tentar acertar. E cada um que escolhesse a bolinha mais específica para acertar a bolinha escolhida pelo outro. Teorias sobre as combinações de bolinhas eram criadas e campeonatos eram disputados.
    Então, eis que a menina da 2ª série, com seu saco de bolinhas pretas, descobre que até leva jeito pra o jogo.

    Foi minha glória.
    Quando eu percebi que eu sabia fazer aquilo, e que era até melhor que alguns meninos, passei a jogar viciadamente. Se você acertasse a bolinha do outro, ela era sua. Minha coleção foi aumentando, e a gente trocava bolinhas bonitas por bolinhas feias, as grandes pelas menorzinhas, as muito leves pelas mais pesadas. Era um tráfico de bolinhas de gude. Era o império das crianças e as bolinhas eram o nosso dinheiro. Crianças enlouqueciam pelas bolinhas. Inimizades eram feitas por causa das bolinhas. Brigas começavam pelas bolinhas. Crianças ficavam sem intervalo porque estavam trocando bolinhas na aula. Era o capitalismo infantil reinando. E era perigosamente levado a sério.
    Eu juntei uma coleção grande o suficiente pra guardar numa garrafa de um litro de coca-cola (não era muito prático, porque pegar as bolinhas do fundo era absurdamente difícil, mas era aonde cabia, e quem liga pra praticidade quando se tem 8 anos?), o que me deixava orgulhosa. Das poucas meninas que jogavam, a minha coleção era tranquilamente a melhor. E comparada aos meninos, estava entre as coleções consideráveis. Claro, que tinham aqueles miseráveis com garrafas de 2 litros cheias de bolinhas, mas eles não traziam sempre pra escola, só as vezes, pra impressionar e meter medo nos outros. Eles eram os reis da escola.

    Enfim.
    Eu lembro daquele dia nitidamente.
    A aula tinha terminado e a pirralhada estava no pátio, cada um esperando seus pais. Eu sempre demorava pra ir pra casa porque minha mãe trabalhava no colégio, mas eu não me importava. Eu estava jogando com um menino, minha garrafa do lado, feliz como um animal bem alimentado. E estava tão concentrada que me assustei quando senti alguém cutucar meu ombro.

    Era um menino, provavelmente da 3ª série, porque eu nunca tinha visto na minha sala e não era grande o suficiente pra ser da 4ª série. Nunca tinha visto ele antes, aliás. Não tinha prestado atenção. Ele se abaixou e falou no meu ouvido:
    - Aqueles meninos da 4ª vão chutar tua garrafa, presta atenção.
    Levantou, sorriu pra mim, e saiu.

    Ele sabia que eu tinha entendido.
    Qualquer jogador compulsivo de bolinha de gude entenderia. Era como sua mãe dizer: Tá de castigo. Ela não precisa dizer o motivo, ou qual o castigo. O dia a dia já te ensinou aquilo. Tá tudo implícito.
    Eu tinha cometido um erro simples: minha garrafa estava aberta.
    Os meninos da 4ª série iam chutar, derrubar todas as minhas bolinhas no pátio, e sumir com metade delas antes que eu conseguisse entender o que tinha acontecido. E fala sério, eram os meninos da 4ª série! Eu era apenas da segunda, com meu um metro de altura, magrela como um palito de dente, e com meus cabelos arrepiados. Eu ia concluir o ensino médio antes de recuperar todas as minhas bolinhas daqueles monstros. E quando não conseguisse, ia me jogar no chão, arrancar os cabelos e gritar até enlouquecer.

    Agarrei minha garrafa no mesmo instante e tampei.
    Não me lembro se ganhei mais alguma bolinha naquele dia. Mas sei que o susto foi grande.
    Naquela época, se alguém me oferecesse 20 reais pelas minhas bolinhas, eu riria na cara dele. Elas eram meu brinquedo preferido, que tipo de pessoa estúpida poderia imaginar que eu iria vendê-las? Só muito tempo depois eu me toquei que se eu vendesse, poderia comprar outras, mas isso não vem ao caso.

    Aquilo ficou na minha cabeça.
    O menino correu o risco de enfrentar a fúria dos meninos da 4ª série, bem maiores que ele, inclusive, pra proteger as minhas preciosas bolinhas de gude. As minhas bolinhas.
    Foi a primeira prova de amizade que eu me lembro.
    É, aquilo era claro:
    Amizade é alguém proteger suas bolinhas de gude só porque sabe que você gosta muito delas.

    Hoje eu percebo uma lição absurdamente simples disso daí, mas que as pessoas parecem ter uma tendência a esquecer.
    Amizade é quando alguém cuida dos seus interesses sem ganhar nada em troca. Simplesmente porque sabe a importância daquilo pra você. É quando uma pessoa se coloca no seu lugar e percebe o seu ponto de vista, mesmo que pra ela, aquilo talvez seja bobo ou estúpido. Um amigo é quem considera importante ver você feliz.

    Depois daquele dia, eu não lembro muito bem do menino.
    Mas ele foi o primeiro amigo que eu tive.


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    Minha nossa, como eu tou fofa. O que tá acontecendo comigo?
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  4. terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

    1. As ideias que você tem quando ainda não acordou exatamente, mas também não está mais dormindo. Mesmo que você elabore o plano de ação completo e pareça ser perfeito e fazer todo sentido. Espere algumas horas e você verá que não, não faz sentido algum.

    2. O mesmo vale para ideias que você tem quando sonha.

    3. O que eu digo quando to nervosa ou com raiva. Mesmo que eu diga: eu estou falando sério, isso vai funcionar, vai resolver tudo! Não me escute. Pode agir como se concordasse, pra evitar que eu continue argumentando, mas por favor, não faça nada do que eu digo.

    4. Também é válido ignorar minhas ideias nos momentos de agitação intensa. Ou em qualquer momento, aliás. Eu raramente sei do que estou falando.

    5. Nenhuma proposta de Taiane deve ser aceita sem uma cuidadosa inspeção de todos os aspectos envolvidos. Por mais que ela fique indignada. As consequências nunca cairão sobre ela, acredite. Então, adivinhe quem será o(a) feliz contemplado(a) pra resolver a merda toda.

    6. As coisas que passam pela cabeça de alguém desesperada como eu quando tem insônia devem ser não somente ignoradas como esquecidas e não devem ser compartilhadas com ninguém.

    7. PelamordeDeus, deixe as ideias usadas nos filmes/seriados/desenhos animados/gibis para os próprios personagens. Lembre-se, eles caem de penhascos e saem andando tranquilamente depois. Você não. Adaptar as situações deles pro seu cotidiano não é só absurdo. É meio... imbecil.

    8. Pessoas que escutam o forró da tarraxinha e acham que a letra da música é muito legal, e "Ai Meu Deus, é a minha música!". Olha, eu consigo entender que as pessoas ouçam forró e gostem de forró por ter um ritmo bom de dançar e adorarem se agarrar em outras pessoas as vezes até desconhecidas e se esfregar até todo mundo ficar bem fedorento e suado. Ok, é um direito delas. Mas querer me convencer que têm uma poesia ou uma letra ao menos interessante por trás daquilo, ah, vão pra merda.

    9. Gente bêbada.

    10. Este blog.
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