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  1. quarta-feira, 10 de novembro de 2010

    Sabia que eu tenho medo de contar o que eu vejo no ônibus e alguém me ver zoando aqui, descobrir onde eu moro e, sei lá, me matar?

    Mas correrei o risco.

    Ontem não foi um dia muito fácil pra mim. Tive insônia a noite inteira. Juntamente com a minha dificuldade pra dormir, acrescente que o Universo conspirava de várias maneiras:
    1. Jogando rajadas de vento na minha janela, fazendo barulhos ensurdecedores;
    2. Parando o meu ventilador toda vez que eu ousasse conseguir cochilar;
    3. Me fazendo morder a língua...

    Logo, dá pra perceber que eu tive uma noite bem agitada.
    E não da maneira divertida.

    De modo que passei o resto do dia de mau humor.
    Fui na universidade encontrar Gabi pra fazer um trabalho, e estava voltando pra casa no ônibus quando aconteceu.

    Foi tenso e engraçado.
    Tenso porque se você olhasse bem a cena, perceberia que todas as pessoas ao redor daquela mulher queriam MUITO rir. Mas, por pura educação, estavam se contendo.
    Já observou bem uma pessoa prendendo o riso? Acho que prender o riso é ainda pior do que rir. As pessoas fazem caretas e se contorcem, e soltam aqueles sons típicos de riso preso, põem a mão na boca e tremem enquanto tentam desesperadamente não mostrar que querem rir. O problema é que fica ainda mais óbvio que elas querem rir.
    Eu tenho a teoria de que, nesses casos, é muito mais lucrativo rir de uma vez. De qualquer forma, todo mundo sempre percebe que você quer rir. Quando você ri, pode até ficar envergonhado, mas isso já ia acontecer de todo jeito.

    Estou, inclusive, juntando cara de pau pra testar essa teoria.

    Enfim, vamos à história:

    Eu odeio quando entro no ônibus razoavelmente cheio e tem alguém sentado na cadeira do corredor com um lugar vago do lado dela, na janela. Porque você vai sentar e a pessoa se afasta sofridamente, e você se espreme pra passar sem, sei lá, esfregar a bunda, ou a sua bolsa, na cara dela.

    E foi o que aconteceu. A mulher não tinha mais que 40 anos. Arrisco a dizer que tinha até menos. E nem sei dizer se tava bêbada. Ou só com sono. Se era sono, eu devia no mínimo ser solidária, uma vez que eu mesma estava meio zumbi.
    Me espremi e sentei na cadeira da janela, ao lado da mulher.
    Eram aqueles bancos altos, do final do ônibus. Do lado esquerdo.

    O ônibus fez uma curva. Meio forte. Mas nada que assustasse.
    Nunca vi daquilo.

    A mulher sentada do meu lado saiu derrapando na cadeira, passou pelo corredor e foi cair do outro lado, no colo de um menino, tudo isso acompanhado por um meio grito abafado de susto.
    Pobre rapaz.
    Não é todo dia que uma mulher cai no seu colo.
    Aposto que ficou pensando como o mundo é injusto, e que se alguém tinha que cair sentada no seu colo, porque não alguém com uma idade mais próxima da sua, ou no mínimo mais bonita. Ele olhou assustado ao redor, obviamente sem entender nada. Acho que pouca gente entendeu o que realmente aconteceu. Pouca gente viu a mulher derrapar. A maioria só reparou quando ela estava no colo do rapaz, se levantando indignada como se tivesse sido jogada ali, e ele tivesse dado uma mão boba nela.

    Aposto que o cara também teve essa sensação.
    De que alguém tinha jogado a mulher no colo dele, quero dizer.
    Aposto que ele nem teve tempo de pensar: Epa, melhor me organizar antes que essa dona pense que eu quero tirar uma casquinha dela.

    Foi tudo muito rápido.
    Logo, a metade final do ônibus prendia o riso, enquanto a mulher olhava furiosa, como se procurasse o responsável por jogá-la no colo do rapaz.
    Voltou a se sentar do meu lado, soltando fumaça pelas ventas e analisando a todos com um olhar de: Eu não sei como mas eu sei que foi você.

    Agora compreendam porque não me atrevi a rir. Quer dizer, no suposto devaneio dela, eu seria a criminosa perfeita. Estava no ponto estratégico pra empurra-la. Não que eu tenha feito isso. Juro. Se eu tivesse planejado não seria tão engraçado.

    Mal respirei o resto caminho.
    É verdade, não ri.
    Mas passei quase 10min soltando aqueles ruídos de riso engasgado e fingindo que tava tossindo, ou algo assim.

    Coitada.
    Talvez esteja até agora tentando entender o que aconteceu.
    Ou procurando o gatinho que ela quase esmagou no Orkut.

    Vai saber?


    UPDATE via j. felipe, chato.

    Fєℓιpє. diz:
    *teu ultimo post no blog
    *tem um equívoco
    @tuila_m diz:
    *qual?
    Fєℓιpє. diz:
    *n eh gravidade
    *é inércia
    *sem contar q inércia parece nome de mulher
    *daí ia parecer q era o nome da Vítima
    *do blog
    @tuila_m diz:
    *kkkkkkkkkkkkkkkkkk
    *gravidade puxa as pessoas pra baixo
    *faz as pessoas caírem e nao flutuarem
    Fєℓιpє. diz:
    *isso quando vc n está em um corpo em movimento
    *sendo vítima do movimento q ele fizer
    *amor, foi inércia
    @tuila_m diz:
    *droga
    Fєℓιpє. diz:
    *o nerd por aqui sou eu
    @tuila_m diz:
    *ah, eu sou de humanas, felipe
    Fєℓιpє. diz:
    *por isso meu chuchu
    *eu estou na razão
    @tuila_m diz:
    *chato.
    *vou colocar lá

    Agora vocês têm em primeira mão uma amostra da chatice das pessoas.
    Mas nem a pau que eu vou mexer no título ou tirar a figura, que eu adorei, desculpa; haha.


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  2. 2 comentários:

    1. Renan disse...

      Já eu sou mais filho da puta... na hora olho bem cínico como se nada tivesse acontecido, mas logo que a vitima sai, eu desando a gargalhar! =D hahahaahahahahaha

    2. Gostei do diálogo "gravidade x inércia". Massa e inteligente o modo de, ao mesmo tempo, submeter-se à correção e não dar o braço a torcer. KKKKKKKKKKKKK!!!