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  1. domingo, 31 de outubro de 2010

    Quem vê meu blog uma vez ou outra na vida já percebeu que minha irmã é uma pessoa, digamos, peculiar. E que tem uma maneira, como posso dizer, diferente de ver o mundo. Sabe a Maísa? Que fala o que dá na telha? Pronto. Tenho uma criatura desse calibre vivendo comigo. A diferença é que minha irmã é bonita, desculpa.

    Então, eu decidi que para o bem de todos e felicidade geral da nação brasileira, seria uma boa ideia coletar alguns fatos interessantes e pedaços de ouro em forma de palavras que Taiane tem a nobreza de dividir com cada um de nós.
    Para tanto, usei e abusei da ajuda do meu twitter, aonde eu sempre coloco uma coisa ou outra, e que me ajudou muito a lembrar de coisas brilhantes que esta mente privilegiada decidiu me presentear.

    Vamos ao que interessa:

    Discutindo sobre determinado tema, eu digo:
    - Isso é coisa de acéfalo, Taiane.
    - Ai, burra. É incéfalo.
    - Sabe o que é acéfalo? É que não tem cérebro.
    - AH, por isso que incéfalo é que tem cérebro, porque IN é dentro. Quem não tem é outcéfalo.
    *
    silêncio constrangedor*

    -

    Taiane cozinhando:
    - Será que 3 colheres de sopa de sal já dá?
    - Quantas panelas de arroz você tá fazendo, animal!?
    - Uma, por que?
    - AI MEU DEUS!

    -

    Conhecem O Teatro Mágico? Estávamos falando sobre isso.
    Não me lembro exatamente o quê. Mas ela queria me mostrar algo, e disse:
    - Quer ver? Coloca no google.
    *digitando: teatro...
    - Ô animal, falta o acento.
    - Acento em teatro, Taiane? Aonde?
    - No A!
    *pausa*
    - Diz pra mim que você não tá falando sério.

    -

    Depois de gritar por cerca de 30min, a ponto de deixar a cadela do vizinho nervosa e chamar a atenção de metade do bairro, eu decido ir na sala, pegar a pirralha pelos cabelos:
    - Taiane, to te chamando a meia hora!
    - É que eu tava com o fone ligado.
    - E porque a TV também tá ligada?
    - Eu tou assistindo.
    - E ouvindo música?
    - Claro.

    -

    "As pessoas TOMAM ou FUMAM conhaque?"
    (MACIEL, Taiane)

    -

    A educação na minha casa funciona da seguinte forma. Minha irmã diz:
    - Volta o cão arrependido, com suas orelhas baixas,
    seu osso roído e com o rabo entre as patas. Volta o cão arrependido...
    E permanece repetindo isso loucamente. Até que minha mãe resolve se pronuncioar.
    -Repita isso mais uma vez vou te fazer falar até ficar rouca.
    A ousadia é uma coisa que impera na nossa família.
    - Volta o cão...
    - Ótimo, não pare.
    E isso rendeu por um booom tempo.

    -

    Minha irmã adora surrupiar minhas coisas. Mostrando como a discrição é uma qualidade dos glamourosos e cheios de classe, ela sai levando uma coisinha de cada vez, pra eu não
    perceber. Mas nenhum crime é perfeito.
    Tem um espelho de mais ou menos um metro de altura por uns 40cm de largura pendurado na parede do meu quarto. Taiane entra no meu quarto e tira ele de lá.
    E tem a audácia de supor que eu não vou sentir falta dele.
    O que ela acha que eu fiz com meus olhos? Guardei numa caixinha?

    -

    É de conhecimento de todos que visitam o meu blog que eu tenho algo desagradável na minha personalidade. Sou o que as pessoas costumam chamar de 'de lua', 'de fases'. E isso não é uma coisa bonita como as menininhas que escutam o refrão da música dos Raimundos e acham lindo se denominarem complicadas e perfeitinhas. Não é uma coisa boa. Taiane sabe disso melhor que ninguém:
    - Ah Tuíla, que saco, tu muda de humor toda hora,
    parece que é bi... bi... Como é o nome? BIOCIDENTAL?
    - É o que, Taiane?
    - É biocidental né? Quem tem um humor uma hora, depois
    fica com raiva? É assim né?
    - BIPOLAR, animal.
    - Ah, dá no mesmo, essa coisa de pólo, de frio...
    Tente compreender essa lógica.

    -

    Sobre ditados e expressões populares:
    - Ah mais Fulano nem chove nem fede.
    - Você quis dizer: Não fede nem cheira. Certo?
    - Qual a diferença?
    +
    - Fulana tá com o couro no dente.
    - O quê?
    - Quando alguém tá irritado. É assim, né?
    - Não seria sangue no olho?
    - Ou isso!

    -

    Alguém pergunta:
    - E o que significa halo?
    E Taiane responde:
    - Areola.
    Percebi uma coisa estranha naquela pronúncia.
    - É auréola, Taiane. Com U.
    - U? Aonde?
    Escrevo pra mostrar.
    - Nada a ver. Só falta tu me dizer que tem acento também!

    *
    silêncio constrangedor*

    -


    Tem muito mais coisa de onde saiu isso. E como graças a geniosidade mal aproveitada dela, o meu estoque não para de ser renovar, não vou postar tudo hoje.
    Mas vai ter uma continuação. Prometo!


    P.S.: A menina da tirinha é cover PERFEITO de Taiane.
    :*
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  2. segunda-feira, 25 de outubro de 2010

    Adivinhe onde eu estava:

    a) no ônibus
    b) na parada do ônibus
    c) chegando na parada do ônibus
    d) correndo pra pegar o ônibus

    Acertou quem escolheu a alternativa a). Eu estava, que inusitado!, dentro do ônibus, voltando pra casa depois de uma manhã de sofrimento na universidade. Vinha de péssimo humor. Provavelmente, meu erro foi deixar o universo perceber isso.
    Uma pessoa de mal humor não pode ser deixada em paz, - pensaram - nem pode ter seu dia melhorado. Vamos mostrar a ela como as coisas sempre podem piorar!
    Então aconteceu.
    Tinha uma moça na minha frente. Ela tinha o cabelo ENORME. Enorme e fora de controle, se espalhava por todo o banco e se esparramava por trás, fazendo cosquinha no meu joelho. E eu não tinha pra onde me esquivar dele. Eu estava concentrada em fugir daquilo quando, sem que eu pudesse perceber, um cisco, vindo sabe-Deus-de-onde voou diretamente no meu olho esquerdo.

    Pulei da cadeira e soltei algo parecido com um guincho. O rapaz sentado do meu lado se assustou comigo, e se levantou. Me conforta acreditar que aquela era a parada dele em todo caso, e ele ia descer ali, quer eu tivesse um ataque ou não. Mas não consigo deixar de pensar que ele foi encorajado pelo meu pequeno surto, e que não se sentiu mal ao deixar o lugar.
    E eu não o culpo.

    Voltando.
    Aquela coisinha me acertou em cheio. Meu olho ardia. Eu tentei esfregar, mas só ardia mais. A dor me distraía de pensar em alguma solução mais lógica, e me impedia de parar de me comportar como uma louca.
    Pensei em pedir a Rapunzel na minha frente para soprar o meu olho. Graças a Deus tive presença de espírito para perceber que seria uma estupidez sem precedentes.
    Pensei em perguntar se alguém ali não teria, por favor, um pouco de água para me emprestar. Mas não seria higiênico. Sabe-se lá a procedência da água? Não se pede água a estranhos.

    Eu já não enxergava nada. Tudo estava embaçado, porque meu olho esquerdo lacrimejava demais, e o direito, provavelmente protestando, não trabalhava muito bem. Percebi minha parada se aproximando e desci sofridamente.

    A distância dali até a minha casa não é muita. Mas parecia uma viagem, especialmente pelo fato de que eu já não enxergava absolutamente nada. Chorava pelo olho esquerdo com se tivessem atropelado o cachorro que eu não tenho [não tenho coragem de citar os porquinhos da índia aqui, seria muito cruel], e a dor me fazia perder a noção de espaço.

    - MEU DEUS, essa porcaria vai infeccionar! Que merda será essa que caiu no meu olho? E se for um inseto? Não pode ser só poeira. No mínimo uma pedra. Cara, isso tá doendo muito! Ai, meu Deus, e se eu ficar cega? Deus, eu não posso ficar cega de um olho, eu não tenho coordenação motora nem quando posso usar os dois, imagina o desastre... *PUF - tropecei* Tá vendo??? Tá vendo?? Eu não consigo viver... *PUF - tropecei de novo* Ok, chega, já deu pra entender... *PUF - mais uma vez*...

    E foi assim minha caminhada até em casa, tropeçando a cada 5m mais ou menos, e cambaleando como uma bêbada. Me surpreendo como ninguém me parou pra perguntar se eu estava bem, se estava passando mal, se tinha levado um tiro na cara, e por que, pelo amor de Deus, eu estava chorando.

    Acho que a rua estava vazia.
    Não sei direito, porque não estava vendo muita coisa.

    Cheguei em casa, bati no portão.
    Bati outra vez.
    Esperei.
    Mas que merda, cadê o porteiro?
    Esfreguei os olhos. Vi uma mancha. Só podia ser ele.
    O porteiro me olhava confuso, provavelmente dividido entre o impulso de me perguntar se eu queria uma ambulância ou rir da minha cara.

    Entrei.
    Não queiram saber o terror que foi achar o chaveiro na bolsa, encontrar a chave certa, enfiá-la no buraco da fechadura e entrar em casa.
    Mas eu consegui.

    Corri até o banheiro e joguei água nos olhos. O ardor foi diminuindo, aos poucos. As coisas ficaram menos embaçadas. Olhei pela pia, procurando o inseto ou projétil que esteve no meu olho todo esse tempo. Nada. Nada digno de ser visto.
    Me olhei no espelho. Parecia uma vítma de sequestro, ou sobrevivente de um naufrágio.
    Triste.

    Mas espere...
    Eu consegui ver meu reflexo.
    O que só significava uma coisa: Tudo estava bem.
    Todo aquele desespero havia se resolvido da maneira mais estúpida possível.
    O universo só queria que sofresse um pouco.

    Lição do dia: Não ande de ônibus, enquanto puder evitar.
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  3. segunda-feira, 18 de outubro de 2010

    Totalmente não importante.
    Mas o blog é meu e eu quero falar sobre mim aqui, porque eu sou uma pessoa absurdamente egocêntrica e chata, e não tenho nada melhor pra fazer.

    1. Adoro meu cabelo cacheado.
    Alisei uma vez porque pegaram no meu pé pra isso. De modo que eu pensei, é, porque não? Afinal, a quantidade de pessoas que alisam seus cabelos é tão assustadora que não é possível que seja uma coisa tão ruim. Então alisei. Não foi uma coisa ruim. Era prático, e até bonito. Mas era muito... comum. Foi bom no começo porque todo mundo ficou: Oh, como tá diferente, tá lindo.
    Mas depois eu abusei. Deixei a raíz crescer e cortei. Resultado: fiquei com o cabelo minúsculo e enrolado outra vez. Foi quando eu percebi o quanto sentia saudade dos meus cachinhos. Agora, pareço um poodle.

    2. Fiz quase 3 anos de aula de piano.
    Juro.
    Eu era uma criança cult.
    Eu gostava muito, mas eu era muito nova também. Por muito nova, entenda: Muito irresponsável.
    O lugar onde eu fazia aulas cobrava um bocado da gente, e eu comecei a ficar meio surtada com isso. Ficava até tarde com estudando as partituras e cantando baixinho pra não fazer feio na prova prática diante da banca de professores. Imagine o que é isso pra uma menininha de 10, 11 anos? Era pressão psicológica pesada.
    Então, eu cheguei na minha mãe um belo dia, e disse a ela que não queria mais fazer aula de piano. Embora aquilo partisse meu coraçãozinho.
    Sei lá se eu devia ter desistido, ou retomado. Hoje não tenho mais tempo pra isso e tudo que me lembro são uma ou duas sequências que eu fazia pra descansar a mão. Mas eu parei de surtar de madrugada e ter pesadelos com um dos professores jogando as teclas do piano na minha cabeça.

    3. Tenho problemas com as variações do meu humor.
    Irrito as pessoas e sou desagradável com isso, mas é impossível mudar. Acordo feliz e viro monstro por causa de uma brisa que bateu no meu rosto de um jeito que eu não gostei. Uma conversa, uma música, uma balançada mais brusca no ônibus, tudo é motivo pra estragar o meu dia. Do mesmo jeito que um chocolate, uma piada, um livro, ou a cara de alguém pode me fazer rir como se não houvesse amanhã.
    É bom e é ruim.
    Quem convive simplesmente aprende a viver com isso.
    Mas eu forço o bom humor, na maior parte do tempo. Porque devido a agressividade que eu mantenho reprimida em mim, eu seria capaz de arrancar com uma pinça os cabelos de alguém que me desagradasse num dia ruim.

    4. Sempre quis fazer judô.
    Minha mãe nunca deixou. Dentre as muitas desculpas que ela me dava, acho que ela tinha medo de que eu saísse agredindo todos os meus coleguinhas por pura diversão, devido à, como já citei, toda agressividade que existe em mim, e que ela, como boa mãe, sempre conheceu muito bem.
    Mulher sábia, minha mãe. Muito sábia.

    5. Queria ser meteorologista quando crescesse.
    E cheguei a conclusão de que nunca vou crescer. Tenho um metro e meio e sempre terei, como um bom hobbit deve ser. [Nerd ON]
    Mas quando eu era criança, eu achava que bastava prestar atenção na direção que o vento estivesse soprando, olhar pro horizonte, dar aquela sacada na situação das nuvens e dar o veredicto: Vai chover.
    E pronto.
    Achava que eu seria uma meteorologista maravilhosa por ter percebido isso sozinha, tão jovem. "Pra quê as pessoas estudam? Que tontas. É tão óbvio."
    Como eu era inocente.

    6. Tenho fobia de agulhas.
    Desagradável.
    O sangue foge da cara e o coração acelera só de pensar que vou precisar tirar sangue ou tomar uma vacina.
    A última vez que tomei uma vacina, acho que tinha 10 anos de idade. Tirei sangue duas vezes, na minha vida todinha.
    Tive uma reação alérgica a um remédio uma vez, e minha garganta começou a fechar. A tia do hospital botou soro na minha veia e tascou uma injeção. Como eu mal conseguia respirar, avalie protestar, deixei. Resultado: minha vista escureceu, e eu comecei a me tremer toda. A enfermeira achou que era frio. Jogou duas colchas em cima de mim. Uma delas era... felpuda. Tenso.
    Mas não adiantou. Continuei tremendo loucamente. A tia teve que colocar algum remedinho misturado no soro, de modo que não só eu parei de tremer como fiquei o resto da noite na lombra. Foi delicioso. Devia ter pensado em pedir um pouco daquilo aquela moça. Brincadeira.

    7. Gosto de empilhar livros.
    Bob diz que eu tenho problemas, e que teria medo de morar comigo e um dia acordar no meio da noite e me ver tirando os livros da prateleira, separando em categorias incompreensíveis, juntando, separando, empilhando e guardando tudo de novo.
    Mas não há motivo para pânico.
    Mais ou menos a cada 15 dias, ou uma vez no mês, eu adoro tirar todos os meus livros da prateleira [não que sejam muitos, mas mesmo assim], separar por autor, ou série, ou cor, ou tamanho, olhar todos eles com um olhar maravilhado, chorar de emoção, dar amor, carinho e afeto, e depois colocar de volta no lugar. Não que eu seja louca. Não sou, eu acho. Mas só faço isso porque eles ficam numa prateleira do meu guarda-roupa e eu tenho medo que pegue mofo ou algo do tipo neles, de modo que eu tiro pra arejar um pouco. E porque eu gosto de empilhar.
    Ok, talvez eu seja louca.

    8. Queria ter um porquinho da índia.
    Mas minha mãe acha que eu sou louca por querer ter um porco em casa.
    Eu disse a ela que um porquinho da índia é um roedor e não um porco propriamente dito.
    Ela continua achando que sou louca.
    Que culpa eu tenho? Acho os porquinhos da índia os animaizinhos mais lindos do mundo. E corro o risco de parecer uma surtada falando isso. Mas é mais forte do que eu.
    Quer me fazer feliz? Me dê um porquinho da índia.
    E arrume um jeito de impedir que minha mãe o expulse de casa. Nós dois, aliás. Eu e o porquinho.

    9. Tenho uma queda por gente inteligente.
    Isso não quer dizer que eu me apaixone por qualquer cara metido a nerd.
    Significa que eu gosto de ouvir gente inteligente falando. Ou ler o que escrevem. Mesmo que eu me sinta um animal irracional, ou um porquinho da índia de roupinha quando isso acontece. Mas pessoas inteligentes me tranquilizam. Me dão a sensação de que existe solução para a vida, o universo e tudo mais.
    Uma vez eu sentei atrás de dois caras no ônibus. Não lembro exatamente sobre o que eles estavam falando. Só sei que elogiavam uma terceira pessoa, que tinha escrito algo sobre algum assunto que eles gostavam. E falaram tão bem do tal texto da tal pessoa que eu virei fã dela sem nem ao menos ter visto. Desenvolvi uma paixão pela criatura. E olhe que nem lembro o nome.
    Ainda bem, porque provavelmente eu colocaria o nome no google para achar a tal pessoa e ia perseguir loucamente por aí gritando, EU SOU SUA FÃ, até ser presa por isso.
    Brincadeira. JURO.

    E com essa lista corro o risco de ser encarada como uma maluca problemática e assustadora e perder todos os poucos leitores do meu blog.
    Mas a vida é assim mesmo.
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  4. segunda-feira, 11 de outubro de 2010

    Um dia, quando acordou, o sol já ia alto e estava quente. Olhou ao redor no quarto vazio e brigou para pensar. Fosse quem fosse que estava brigando com ela, era bem forte e ganhou aquela. Deixou seu corpo ficar largado na cama, olhando o teto branco. Branco, exceto por aquela mancha esquisita no canto esquerdo. Nunca soube o que raios era aquilo.

    Provavelmente porque não tinha importância alguma.
    Esse era o seu normal. Buscando qualquer tipo de futilidade para desviar sua atenção do óbvio. Fazia isso com tanta frequência que deixara de ser uma defesa para ser o seu normal. E a pior parte: aquele tipo de normal incomodava.

    Levantou, afinal.
    Abriu a janela e deixou o barulho da rua entrar. O barulho entrou no quarto, fugiu pro resto da casa e pra dentro da sua cabeça. E tudo virou barulho lá dentro, fazendo pensar em como seria bom sair, andar um pouco, ver o sol e sentir um vento na cara. Foi pra cozinha pensando nisso.

    Fez café.
    Comeu.
    Escovou os dentes.
    E teve preguiça.

    A ideia de andar desapareceu como se nunca houvesse estado ali.
    E ela tratou de não procurá-la mais.
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  5. sexta-feira, 1 de outubro de 2010

    Destruída, deprimida, irritada e de TPM: foi assim que eu acordei hoje.
    Eram 6 e meia da madrugada. O despertador gritava no meu ouvido como se a casa tivesse pegando fogo. Só pra deixar claro, não estava.

    Abri os olhos com muito esforço e pensei:
    "Eu não preciso levantar. Quer dizer, eu não preciso encarar ninguém esta manhã. Posso ficar aqui e dormir até que algum familiar meu volte pra casa e jogue água na minha cama e me chame de folgada. Mas isso demoraria umas 6h pra acontecer. E daí que eu levaria 4 faltas em uma única cadeira..."

    O último pensamento me fez levantar.
    Fiz todas aquelas coisas que a gente faz quando acorda. Não vou descrever meu café da manhã ou minha higiene pessoal, isso não teria graça. Mas basta deixar claro que fiz tudo isso com um mau humor que meteria medo em 90% das pessoas que eu conheço.

    E então começaram minhas desventuras em série.

    1. Cadê meu fone de ouvido?
    Depois de estufar minha bolsa-sacola-poço sem fundo de coisas absolutamente desnecessárias, passou pela minha cabeça pegar logo o fone de ouvido. Bom, ele não estava na bolsa.
    Não estava no computador. Nem no meu quarto. Nem na sala, no quarto da minha mãe, muito menos na geladeira. O que me levou ao único lugar onde ele poderia estar: O quarto da minha irmã.

    Taiane ri na cara do perigo. É sério. Aqui em casa tem uma média de uns 30 fones de ouvido. Apenas o meu funciona. Considerando que eu pego uma hora de ônibus pra ir e outra pra voltar da universidade, eu sou a pessoa que devia ter preferência no uso do fone. Principalmente pelo fato de ele ser meu, o que eu acho que conta muito.

    Não estava no quarto dela. Estranho.
    Até a resposta pra esse enigma brilhar na minha cara:
    AQUELA MONSTRINHA LEVOU MEU FONE PRA ESCOLA.

    Quando isso me ocorreu, contei até dez e saí.
    Mas quando ela chegar em casa, estarei na porta, esperando.
    Com um punhal na mão.

    2. A nova parada de ônibus não fica mais na frente do bar.
    Fica num terreno baldio.
    NO SOL.
    No bar tinha bêbados. Mas também tinha sombra.

    Nada mais a falar sobre isso.

    3. Na segunda parada de ônibus:
    Cheguei nela umas 7 e 15.

    Hoje até o clima tava sacaneando comigo.
    Um calor from hell, me consumindo e me irritando, e me dando a sensação de que a qualquer momento eu ia começar a arder em chamas como aquele pirralhinho encapetado dOs Incríveis.
    Eu tava tão desesperada de raiva, TPM, calor e mau humor [mistura explosiva, run to the hills] que tava me controlando pra não gritar e arrancar os cabelos.
    Mantive a pose.
    Os óculos escuros ajudaram. Eu parecia apenas antipática.


    7:20.
    Nada do ônibus
    7:25.
    7:30.
    7:40
    Ah, motorista, queria ter uma arma. Atolava teu ônibus de bala assim que ele aparecesse na esquina e iria pra casa andando.
    7:41 - Surge o ônibus.
    O motorista não sabe como escapou por pouco.

    4. Como os meus professores zoam da minha cara.
    O ônibus já ia na metade do caminho.
    E embora eu não tivesse fones de ouvido para curtir um pouco da paz e da tranquilidade das minhas músicas que me impediriam de ouvir a voz de alguém, ou qualquer outro ruído da rua, e ter um colapso nervoso, eu estava relativamente calma.

    O celular toca. A seguinte conversa se segue:
    - Oi Gabi - eu disse.
    - Tuíla, você tá aonde?
    Deu merda, pensei, ou a professora tá na sala fazendo chamada e eu levei falta, ou...
    -
    Na metade do caminho, por que?
    - Faça meia volta. Não vai ter aula.

    Não me pergunte o que eu falei.
    Não me pergunte que pragas gritei, de que chamei a professora, eu não sei.
    E dá licença, eu estava no limite da razão humana, qualquer pessoa que respirasse de maneira incômoda num raio de 5m de mim, eu seria capaz de esquartejar usando apenas uma faca de pão, imagina saber que todo esse sofrimento foi em vão?

    A única coisa que eu conseguia pensar era:
    POR QUE, PELAMORDEDEUS, EU NÃO ESCUTO OS MEUS INSTINTOS?

    Desci do ônibus.

    5. BÔNUS EXTRA: A volta.

    Peguei o ônibus mais lotado ever, cheio de tias gordas e ousadas que acham que por serem gordas merecem o direito de passar por ali como se estivessem caminhando da sala pro quarto, no maior conforto.
    Dá licença, minha senhora? Nem uma anoréxica passaria por este espaço em paz, avalie a senhora! Aonde você quer que eu me encolha pra você passar? No colo deste moço? Desculpa, mas não é assim que a banda toca. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, embora, pelo olhar comedor de alguns cidadãos aqui presentes, seja exatamente isso que eles gostariam que ocorresse.

    Cheguei em casa.
    Viva, na medida do possível.



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