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  1. quarta-feira, 15 de setembro de 2010

    Quando eu ando na rua, faço questão de não ser simpática.
    Aliás, faço o maior esforço do mundo pra todo mundo que me olhar, mesmo que de longe, sinta cheiro de mau humor e perceba que eu não sou uma pessoa de bem.

    Eu sou.
    Mas isso não vem ao caso.

    O negócio é que as pessoas continuam me olhando e pensando que eu sou legal. Olham pra mim como se tivesse escrito na minha testa:
    "- Oi, eu sou um amor de pessoa, adoro conversar e interagir com pessoas que eu não conheço. Por favor, fale comigo!"

    QUAL O PROBLEMA DESSA GALERA?
    Se vocês, pessoas do ônibus, não me conhecem, nunca me viram na vida, entendam uma coisa:
    Eu não quero que me achem legal, não quero que conversem comigo, contem sua vida e perguntem da minha. Não tem coisa mais desagrádavel do que alguém que nunca te viu e não sabe nada sobre você tentando puxar conversa. Em especial quando é dentro do ônibus.

    Quando eu pego ônibus, boto o fone de ouvido, mesmo que nada esteja tocando, e óculos escuros. Tenho uma teoria que afirma que as pessoas se sentem desencorajadas a falar com você quando você usa óculos escuros. Eu, pelo menos, reforço minha cara de antipática. Se isso não funciona, posso usar a desculpa do fone e fingir que não ouvi.

    Suspeito que toda a situação ocorreu porque eu não estava com meus óculos.
    Nesses dias, estava voltando pra casa. Entrei no ônibus carregando:
    1. Minha bolsa gigante, atolada de papéis e coisas inúteis [por que, santo Deus, eu não arrumo uma bolsa menor?]
    2. Caderno
    3. Pasta
    4. Celular [tanto ele quanto o fone de ouvido estavam nas últimas, então se eu não segurasse até encontrar um canto pra me acomodar, ele ia parar de tocar]

    Infelizmente, o ônibus tava cheio. Sofri pra me equilibrar e me segurar em algo. Até que um cara sentado na cadeira da janela me olha, dá um sorriso escancarado e pergunta se eu quero que ele segure meu caderno e a pasta.
    "Ufa, alguém educado." Algumas pessoas simplesmente olham você passando sufoco, desbancando as árvores de natal no quesito 'coisas penduradas', e nem se incomodam em dizer: "Quer que eu segure seu caderno, pra que você possa manter o mínimo de equilíbrio necessário para não cair, bater a cabeça em alguma quina e morrer?"

    De modo que entreguei as coisas ao cara.
    GRANDE ERRO.

    O moço pelo jeito compreendeu aquilo como um: "Oi, gato, conversa comigo."
    Posso só dizer o quanto eu não queria conversar?
    Eu REALMENTE não queria.

    Pra começar, ele ousadamente começou a analisar a parte transparente da minha pasta e a ler o que tinha em um dos papéis lá dentro. Foi quando o alarme soou na minha cabeça.
    "Epa, epa. Qual é a desse animal?"

    - Você faz administração?
    Tirei o fone de ouvido, já abismada com a ousadia dele.
    - ...o quê?
    - Você faz curso de administração?
    - Anh, não. Psicologia.
    OUTRO GRANDE ERRO.
    Por que motivo estúpido eu disse a ele o meu curso??
    - Ah, Psicologia, que bom. É que eu faço administração, na faculdade xxxxxx*, e aqui nesse papel tem escrito meu nome, eu me chamo xxxxxx*.
    "Certo, seu xxxxxx*, mas isso não é seu." pensei. Permaneci calada.
    - Em Campina Grande, psicologia é saúde, aqui é o quê?
    - ...humanas.
    - Ah, humanas, lá é saúde, não sei por quê, na maioria das universidades é saúde, por que aqui é humanas?
    Ele falava tudo como se tivesse um motor na língua. E um sorriso que me fazia temer que ele engolisse as próprias orelhas.
    - ...não sei.

    Nesse momento, o cara que tava sentado ao lado dele, na cadeira do corredor [eu tava em pé], cometeu o ato mais cruel que alguém poderia fazer. Levantou da cadeira, me deu um sorriso e disse:
    - Senta aí.
    - Nãããão, que é isso? Não precisa, obrigada.
    Ele não me deu ouvidos. Levantou-se e foi para a parte da frente do ônibus ficar em pé. Sentei, constrangida. Ficar em pé no ônibus lotado era melhor que ouvir aquele cara falar. Olhei pro cara, lá na frente. Ele baixou a cabeça e predeu o riso.
    ELE TAVA RINDO DE MIM.
    Não posso culpá-lo, minha situação era ridícula.
    Miserável.

    O tio continuou falando.
    - É, pois é. Sabia que vão construir uma rua ali, daquele outro lado? Vai ficar muito mais fácil pegar daqui direto pra xxxxxx* sem precisar rodar tanto, né?
    - ...unhum.
    - Essa área aqui é de preservação, sabia? Um xxxxxxx* meu comprou um terreno ali perto de xxxxxx* por 40mil reais, e eu disse, cara, tu foi roubado, um terreno desses por esse preço?...
    Nada, NADA, era capaz de fazê-lo parar. Eu tava com um fone de ouvido ainda, fazendo cara de tédio, respondendo monossilabicamente e nem assim ele calava a boca! O que dava pra fazer? Segurar a língua dele, cortar fora e jogar pela janela do ônibus em movimento gritando: "THIS IS SPARTA, AGORA FIQUE QUIETO."?
    - ...hm.
    - ... E tem gente que ainda cai nessa, acredita? Não é posssível que achem mesmo que xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx*...

    Minha parada surgiu.
    - Tchau.
    Desci do ônibus EXCESSIVAMENTE desconfiada, com medo de aquela figura bizarra descer do ônibus, me seguir até em casa e me dar umas facadas e gritar: "E OLHE PRA MIM QUANDO EU ESTIVER FALANDO COM VOCÊ!".
    Mas o Universo não faria tanto esforço assim pra a acabar com minha paciência, não é possível.




    *Coisas que ele falou e eu simplesmente não lembro porque tava pensando em como me livrar dele.
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  2. 6 comentários:

    1. Mathews disse...

      Só quem tem sorte!!!
      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
      ô vida difícil essa de viver de busão, principalmente estando ele lotado. Eu sei o q é isso =x

    2. diana disse...

      bem vinda ao time amiga, eu convivo c bêbados, taradões da mão boba e malas todos os dias kkkkkkkkkkkkkk

    3. Brisa Lunar disse...

      Morro de rir com o que tu escreve!
      beeijo

    4. AlexGoblin disse...

      Isso acontece porque você é menina. Comigo ninguém puxa papo no ônibus. E se puxar, eu só ignoro por alguns segundos e a pessoa desiste. (E, sim, estou puxando conversa com você nesse exato momento.)

    5. Tuíla disse...

      Diana me compreende, ein?

      E, Alex, desculpe ignorar sua conversa, não sou muito simpática na maior parte do tempo ;]

    6. Edinara Ribeiro disse...

      as melhores historias..UASUAHS
      morro de rir
      ;*