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  1. quinta-feira, 30 de setembro de 2010


    Um dia todos olham pra trás.

    Certas coisas incomodam
    Outras são boas de lembrar.

    Mas quando bater a dúvida:
    Será que eu podia ter feito mais?
    Ou pensado um pouco antes de fazer?

    Essa ideia vem junto com mau humor.
    Na maior parte do tempo
    Eu acho mais fácil deixar o sol bater no meu rosto
    Como se não houvesse amanhã.


    - TM.
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  2. quarta-feira, 15 de setembro de 2010

    Quando eu ando na rua, faço questão de não ser simpática.
    Aliás, faço o maior esforço do mundo pra todo mundo que me olhar, mesmo que de longe, sinta cheiro de mau humor e perceba que eu não sou uma pessoa de bem.

    Eu sou.
    Mas isso não vem ao caso.

    O negócio é que as pessoas continuam me olhando e pensando que eu sou legal. Olham pra mim como se tivesse escrito na minha testa:
    "- Oi, eu sou um amor de pessoa, adoro conversar e interagir com pessoas que eu não conheço. Por favor, fale comigo!"

    QUAL O PROBLEMA DESSA GALERA?
    Se vocês, pessoas do ônibus, não me conhecem, nunca me viram na vida, entendam uma coisa:
    Eu não quero que me achem legal, não quero que conversem comigo, contem sua vida e perguntem da minha. Não tem coisa mais desagrádavel do que alguém que nunca te viu e não sabe nada sobre você tentando puxar conversa. Em especial quando é dentro do ônibus.

    Quando eu pego ônibus, boto o fone de ouvido, mesmo que nada esteja tocando, e óculos escuros. Tenho uma teoria que afirma que as pessoas se sentem desencorajadas a falar com você quando você usa óculos escuros. Eu, pelo menos, reforço minha cara de antipática. Se isso não funciona, posso usar a desculpa do fone e fingir que não ouvi.

    Suspeito que toda a situação ocorreu porque eu não estava com meus óculos.
    Nesses dias, estava voltando pra casa. Entrei no ônibus carregando:
    1. Minha bolsa gigante, atolada de papéis e coisas inúteis [por que, santo Deus, eu não arrumo uma bolsa menor?]
    2. Caderno
    3. Pasta
    4. Celular [tanto ele quanto o fone de ouvido estavam nas últimas, então se eu não segurasse até encontrar um canto pra me acomodar, ele ia parar de tocar]

    Infelizmente, o ônibus tava cheio. Sofri pra me equilibrar e me segurar em algo. Até que um cara sentado na cadeira da janela me olha, dá um sorriso escancarado e pergunta se eu quero que ele segure meu caderno e a pasta.
    "Ufa, alguém educado." Algumas pessoas simplesmente olham você passando sufoco, desbancando as árvores de natal no quesito 'coisas penduradas', e nem se incomodam em dizer: "Quer que eu segure seu caderno, pra que você possa manter o mínimo de equilíbrio necessário para não cair, bater a cabeça em alguma quina e morrer?"

    De modo que entreguei as coisas ao cara.
    GRANDE ERRO.

    O moço pelo jeito compreendeu aquilo como um: "Oi, gato, conversa comigo."
    Posso só dizer o quanto eu não queria conversar?
    Eu REALMENTE não queria.

    Pra começar, ele ousadamente começou a analisar a parte transparente da minha pasta e a ler o que tinha em um dos papéis lá dentro. Foi quando o alarme soou na minha cabeça.
    "Epa, epa. Qual é a desse animal?"

    - Você faz administração?
    Tirei o fone de ouvido, já abismada com a ousadia dele.
    - ...o quê?
    - Você faz curso de administração?
    - Anh, não. Psicologia.
    OUTRO GRANDE ERRO.
    Por que motivo estúpido eu disse a ele o meu curso??
    - Ah, Psicologia, que bom. É que eu faço administração, na faculdade xxxxxx*, e aqui nesse papel tem escrito meu nome, eu me chamo xxxxxx*.
    "Certo, seu xxxxxx*, mas isso não é seu." pensei. Permaneci calada.
    - Em Campina Grande, psicologia é saúde, aqui é o quê?
    - ...humanas.
    - Ah, humanas, lá é saúde, não sei por quê, na maioria das universidades é saúde, por que aqui é humanas?
    Ele falava tudo como se tivesse um motor na língua. E um sorriso que me fazia temer que ele engolisse as próprias orelhas.
    - ...não sei.

    Nesse momento, o cara que tava sentado ao lado dele, na cadeira do corredor [eu tava em pé], cometeu o ato mais cruel que alguém poderia fazer. Levantou da cadeira, me deu um sorriso e disse:
    - Senta aí.
    - Nãããão, que é isso? Não precisa, obrigada.
    Ele não me deu ouvidos. Levantou-se e foi para a parte da frente do ônibus ficar em pé. Sentei, constrangida. Ficar em pé no ônibus lotado era melhor que ouvir aquele cara falar. Olhei pro cara, lá na frente. Ele baixou a cabeça e predeu o riso.
    ELE TAVA RINDO DE MIM.
    Não posso culpá-lo, minha situação era ridícula.
    Miserável.

    O tio continuou falando.
    - É, pois é. Sabia que vão construir uma rua ali, daquele outro lado? Vai ficar muito mais fácil pegar daqui direto pra xxxxxx* sem precisar rodar tanto, né?
    - ...unhum.
    - Essa área aqui é de preservação, sabia? Um xxxxxxx* meu comprou um terreno ali perto de xxxxxx* por 40mil reais, e eu disse, cara, tu foi roubado, um terreno desses por esse preço?...
    Nada, NADA, era capaz de fazê-lo parar. Eu tava com um fone de ouvido ainda, fazendo cara de tédio, respondendo monossilabicamente e nem assim ele calava a boca! O que dava pra fazer? Segurar a língua dele, cortar fora e jogar pela janela do ônibus em movimento gritando: "THIS IS SPARTA, AGORA FIQUE QUIETO."?
    - ...hm.
    - ... E tem gente que ainda cai nessa, acredita? Não é posssível que achem mesmo que xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx*...

    Minha parada surgiu.
    - Tchau.
    Desci do ônibus EXCESSIVAMENTE desconfiada, com medo de aquela figura bizarra descer do ônibus, me seguir até em casa e me dar umas facadas e gritar: "E OLHE PRA MIM QUANDO EU ESTIVER FALANDO COM VOCÊ!".
    Mas o Universo não faria tanto esforço assim pra a acabar com minha paciência, não é possível.




    *Coisas que ele falou e eu simplesmente não lembro porque tava pensando em como me livrar dele.
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  3. sexta-feira, 3 de setembro de 2010



    Eu não escrevo por obrigação.
    Já tenho coisas suficientes na minha vida pra fazer por obrigação. Escrever não é uma delas.
    Não me sinto bem me forçando a fazer isso. Dá pra notar, porque o blog, por exemplo, fica bons dias sem atualizações. Porque eu simplesmente não quero escrever.

    Ou não tenho tempo. O que acontece com frequência.

    Outras vezes porque o que eu quero escrever não se encaixa com a proposta do blog, que é contar uma ou outra história bizarra da minha vida, ou uma ou outra história que eu invento mesmo. Antes, quando o blog tinha cerca de nenhuma visita por dia, eu escrevia o que queria. Eu sabia que ninguém ia ler.
    Hoje não faço mais isso.
    Penso muitas vezes antes de postar algo. E as vezes posto e releio e penso: Meu Deus, que merda.

    Eu não deveria me importar. O blog não deixou de ser o meu lugar de soltar o verbo.

    Devido ao meu humor enlouquecidamente inconstante, não tenho a ousadia de dizer que acordei de mau humor. Na verdade, pra ser específica, hoje eu acordei ousada [ui], com uma idéia fixa na cabeça que morreu antes das 9h da manhã. Pra variar.
    Mas neste momento, falo com propriedade e segurança que estou reflexiva.
    É bem verdade que eu não sei muito bem sobre o que refletir; normalmente, minhas reflexões me deixam:

    1. Irritada
    2. Deprimida
    3. Com fome

    Como todos saíram, e eu tive que inventar uma janta, que foi bem precária devido aos meus dotes culinários, vale salientar, não estou em condições de provocar mais fome do que o mundo é capaz de saciar. Logo, não quero refletir.
    Quero descansar...

    O que você faz quando precisa esvaziar a cabeça?
    Não, você não pega um baseado, que isso faz mal, fede e queima neurônios.

    Você joga.
    De preferência, algo bem bobo, que é pra não ter que pensar demais.

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