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  1. quarta-feira, 11 de agosto de 2010

    Tenso começar um post com esse título. Eu ficaria receosa de ler.
    Mas algumas pessoas não merecem ser chamadas de idosos, nem muito menos merecem qualquer tipo de respeito.

    Era um domingo a tarde. Como seria de se esperar, os bares da cidade estavam todos apinhados de gente, porque uma pessoa que gosta de ir a um bar beber, não perderia a oportunidade de fazer isso num domingo a tarde. E mais, era dia de jogo. Corinthians x Flamengo.

    Aproveito a oportunidade pra dizer que quem quiser fazer piadas com a marginalidade da torcida do flamengo, divirta-se. Mas quem falar do meu time, faça a gentileza de se retirar do meu blog, senão eu vou te perseguir e mandar a galera do ghetto acabar contigo, mano.

    Brincadeira, eu levo na esportiva.

    Bom, enfim. Eu detesto bares.
    Detesto bares por um motivo bem simples. Eles contém bêbados chatos.
    Acho que se eu detesto bêbados chatos o problema é meu, e eu que não deveria me aproximar de bares. Afinal, o bar é o habitat natural do bêbado chato e se eu me aproximo de um bar, eu sou a intrusa, certo?

    Estaria maravilhosamente certo se a parada de ônibus não fosse na frente do bar.
    E eu precisava pegar o ônibus.

    Gostaria de descrever a minha situação naquele momento, que eu creio que justifica qualquer reação minha:
    Eu tava doente. Uma crise de sinusite miserável, que mais tarde, naquela mesma noite, me arrastou para o hospital e me obrigou a tomar uma nebulização e uma injeção. TENSO. E eu tinha dormido muito pouco na noite anterior.

    Eu tava de péssimo humor.
    Seria capaz de arrancar a cabeça de alguém com uma lixa de unha e sair correndo pela rua e gritando This Is Sparta. E sem me sentir culpada por isso.
    Sentei na parada de ônibus. Olhei o horizonte. Nada de ônibus.

    Um velho se aproximou. Arredondando pra menos, ele tinha uns 60 anos.
    Eu tava espiando pra dentro do bar, admito. Eu precisava ver o jogo. Lembro que quando o velho entrou no meu campo do visão, eu tava refletindo sobre o que leva alguém a desenhar uma blusa amarelo-banana e azul cobalto pra um time reconhecidamente vermelho e preto. Ao menos o meu time, quando inventou aquela da blusa roxa, tinha um bom motivo e ao menos as nossas cores oficiais são preto e branco. É bem mais aceitável, todos têm que admitir. Quando eu vi o flamengo entrando em campo com aquela camisa, pensei que era alguma piada e que o Casseta e Planeta tava colocando o Tabajara Futebol Clube pra zoar comigo.

    Voltando ao velho.
    Sou desconfiada. Quando percebi aquela figura sentada nas redondezas e me olhando com um sorriso desagradável e vazio no rosto, um alarme soou na minha cabeça.
    Alguém iria me incomodar.

    Dito e feito.
    O velho olhou pra mim e soltou a seguinte frase, me envolvendo num bafo de cachaça, dor e desespero:
    - QUÉ UMA CERVEJINHA?

    *pausa pra vomitar*
    Sério, sério mesmo. Eu tenho cara de alguém que vai aceitar o convite de qualquer velho bêbado, fedorento e descarado pra TOMÁ UMA CERVEJINHA? Nesses dias o twitter me deprimiu com aquela porcaria de Who To Follow. Fiquei refletindo sobre o tipo de imagem que passo, para eles me sugerirem aquelas pessoas desagradáveis especificamente. Agora percebo que não só passo uma imagem duvidosa para o Twitter, como também para os velhos bêbados e fedorentos que estão desabados nos bares da vida.

    Nem vou especificar aqui as respostas que me passaram pela cabeça na fração de segundo antes de eu falar algo. Mas vale a pena dizer que eu vizualizei aquela criatura correndo pelo bar em pânico, fugindo de mim e gritando: ERA BRINCADEIRA, ERA BRINCADEIRA.

    Mas eu só respondi: Não.
    Ao que o velho respondeu: OXEE, PURQUÊ ELA TÁ TÃO BRABA?
    Se eu vivesse numa história em quadrinhos, o balão do velho sairia assim mesmo.

    Ignorei.
    Ele ainda repetiu umas 3 ou 4 vezes se eu queria uma maldita cervejinha. Passei bem perto de dizer a ele o que ele poderia fazer com a garrafa da cervejinha. Mas me contive.
    Não se dando por vencido, aquela criatura absurdamente irritante, tenta outra estratégia:

    - QUÉ UM REFIGERANTI ENTÃO?
    Olhei pra ele como se ele fosse uma bicicleta que tinha começado a falar, de tão surpreendente que tudo aquilo era.
    Sério, qual a idéia dele? Me pagar um refrigerante e garantir uma noitada? EU TENHO CARA DE QUEM SE VENDE POR UM REFRIGERANTE? Porque se por alguma infeliz piada do destino, algo em mim levar a crêr que eu me venderia por um refrigerante pra um velho tarado num bar, por favor, alguém me dê um tiro.

    Respondi um Não entre dentes trincados e implorei aos céus que mandassem o meu ônibus. Nem precisava ser o meu. Eu pegaria qualquer qualidade de ônibus naquele momento. Mas nenhum passava. Aposto que os motoristas de ônibus estavam todos escondidos na esquina querendo ver o quanto eu iria me ferrar com aquilo tudo.
    Ou não.

    Mas o velho tarado não se contentou. Repetiu a infame pergunta do refrigerante umas 3 vezes. Como eu continuava ignorando-o com todas as minhas forças, ele resolveu me cutucar. Estirou aquele bracinho magrelo consumido pelo álcool, cigarro e sabe mais que outros tipos de drogas, e cutucou a minha perna.

    JURO, que visualizei o quanto seria divertido arrancar o braço daquela alma sebosa enviada unicamente pra me tirar a paz, e bater no imbecil com o ele, até ele clamar por misericórdia. Pensei também em como seria gratificante derrubar aquela mesa de plástico fedorenta cheia de latas no chão e gritar como eu estava irritada, estressada, cansada e doente e como seria capaz de trancar uma pessoa numa salinha de 2m² com sistema de camêras de video e um patinho de borracha e deixá-la por umas duas semanas ali dentro e ficar assistindo enquanto comia doritos com coca-cola, sem sentir remorso.

    Mas tudo o que fiz foi bater com toda a minha força no banco onde eu tava sentada, há 3cm da mão do velho e falar com a voz do Gollum: Nããoooo encoste em miiiim...

    O velho tomou um susto tão grande que encolheu o braço, e ficou sentado na cadeira repetindo baixinho: Elá tá braba mermu.

    Meu ônibus surgiu e eu fui embora. E não agradeci ao motorista.

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  2. 1 comentários:

    1. Cynthia R. disse...

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK dessa vez eu ri meeesmo! LOL Que tenso!