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  1. quinta-feira, 26 de agosto de 2010

    Chama-se conspiração.
    E não digam que eu estou louca. EU NÃO SOU LOUCA.
    As linhas de ônibus dessa cidade CONSPIRAM contra mim, sem dó nem piedade!

    Eu pego dois ônibus para ir da minha casa até praticamente qualquer canto da cidade. Ontem, quando tava voltando pra casa da aula, faminta e cansada, dei a sorte de o ônibus aparecer quando eu cheguei na parada. Pensei:

    - Nossa, nem tudo está perdido. Então eu não sou tão azarada assim.

    Tolinha.
    Peguei o primeiro ônibus, em paz.
    Desci para esperar o segundo, que, miraculosamente, apareceu rapidinho.
    Estendo o braço. Para o ônibus.

    Notei que algo não corria bem porque a porta da frente, por onde saem as pessoas, se abriu, como deveria fazer, e as pessoas saíram.
    Já a porta de trás não se abriu para que as pessoas pudessem entrar, de modo que eu e mais duas pessoas ficamos parados esperando que alguém se compadecesse e abrisse aquela porta. Do outro lado do vidro, eu pude vê-lo.

    Não gostei da cara de primeira. Era cara de encrenca. Cerca de 1,60m, velho, e tinha aquele bigode.
    NUNCA esquecerei aquele bigode.



    Era grande e escuro, e quase cobria a boca dele, e me dava a sensação de que ali existiam animais e plantas desconhecidos pelos cientistas, um bioma inteiro. E que a qualquer momento, um daqueles animais mutantes e pré-históricos saíria dali e morderia alguém. Digo isso porque combinava com o olhar psicótico que o dono do bigode me lançava através daquele vidro.

    A porta se abre.
    O cobrador e seu bigode parecem ainda mais assustadores.
    Entro no ônibus, passo o cartão.

    PASSE LEGAL um caramba.
    Não tem nada de legal naquele cartão.
    Minha irmã já teve bem uns 15 deles, porque eles sempre dão defeito, não importa o quão novos e bem cuidados eles sejam. Cuido muito bem do meu cartão, porque sem ele, pagaria 4 reais de ônibus pra ir e voltar da universidade, e não os 95 centavos que pago atualmente. E isso, caros amigos, seria o meu fim.
    Mas o meu cartão já deu chiliques suficientes para eu aprender todos os truques que os cobradores amigos usam para fazê-lo funcionar quando isso acontece.

    Aquele cobrador definitivamente NÃO era amigo.
    Quando o cartão surtou, ele não fez nada além de me olhar psicoticamente e, eu me arrisco a dizer, com um certo ar de satisfação.
    Desagradável.
    Com um caderno e uma pasta nas mãos, e uma bolsa onde caberiam dois cachorros, uma pessoa e um pacote de doritos pendurada no braço, entortei meu cartão para todos os lados, do jeitinho que os cobradores amigos faziam pra ele funcionar. Nada.
    Saí da frente e deixei que os dois coitados atrás de mim entrassem.
    Os cartões deles funcionaram rápida e tranquilamente.
    Tentei outra vez. Nada.
    O ar de satisfação do cobrador.
    Torturante.

    Perdi meu senso de economia. Catei a minha preciosa notinha de 2 reais e larguei no bigode do cobrador. Ele me deixou passar.
    Fui pra casa furiosa.
    APOSTO que aquele miserável com aquele bigode miseravelmente nojento não apertou o botãozinho que libera a passagem de estudante.


    Hoje foi um dia de sol.
    Minha mãe me acordou (teoricamente) de 6 e meia. Teoricamente, porque eu ouvi, mas não processei. Dormi até as 7h. O que foi um problema, porque 7h é a hora que eu saio pra a parada de ônibus.
    Triste.
    Troquei de roupa correndo, não comi, escovei os dentes e fui pra parada.
    Eu tava chegando lá, quando vejo meu ônibus indo embora.
    Juro, que na hora, meu primeiro impulso foi sentar e chorar. Chorar até me desmanchar em lágrimas e me juntar a uma das muitas poças que molhavam minhas havaianas devido as chuvas loucas que caem. DEPRIMENTE.

    Mas prossegui, firme e forte.
    Coisa de meia hora, e o ônibus aponta no horizonte. Dei um sorriso e abri a bolsa.
    O MEU CARTÃO NÃO ESTAVA LÁ.

    Toda força e firmeza me abandonaram naquele momento.
    Voltei pra casa, decidida a pegar a segunda aula, de 10h.

    Para concluir, só tenho uma coisa a dizer:
    O ônibus que peguei, mais tarde, era O MESMO da véspera. Com O MESMO cobrador bigodudo. Que me olhou estranho.
    E te digo mais: meu cartão funcionou DE PRIMEIRA!
    NOS DOIS ÔNIBUS.

    Quando eu pegar aquele cobrador bigodudo, encho ele de porrada e raspo aquele bigode com uma pedra.

    JURO.
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  2. quarta-feira, 11 de agosto de 2010

    Tenso começar um post com esse título. Eu ficaria receosa de ler.
    Mas algumas pessoas não merecem ser chamadas de idosos, nem muito menos merecem qualquer tipo de respeito.

    Era um domingo a tarde. Como seria de se esperar, os bares da cidade estavam todos apinhados de gente, porque uma pessoa que gosta de ir a um bar beber, não perderia a oportunidade de fazer isso num domingo a tarde. E mais, era dia de jogo. Corinthians x Flamengo.

    Aproveito a oportunidade pra dizer que quem quiser fazer piadas com a marginalidade da torcida do flamengo, divirta-se. Mas quem falar do meu time, faça a gentileza de se retirar do meu blog, senão eu vou te perseguir e mandar a galera do ghetto acabar contigo, mano.

    Brincadeira, eu levo na esportiva.

    Bom, enfim. Eu detesto bares.
    Detesto bares por um motivo bem simples. Eles contém bêbados chatos.
    Acho que se eu detesto bêbados chatos o problema é meu, e eu que não deveria me aproximar de bares. Afinal, o bar é o habitat natural do bêbado chato e se eu me aproximo de um bar, eu sou a intrusa, certo?

    Estaria maravilhosamente certo se a parada de ônibus não fosse na frente do bar.
    E eu precisava pegar o ônibus.

    Gostaria de descrever a minha situação naquele momento, que eu creio que justifica qualquer reação minha:
    Eu tava doente. Uma crise de sinusite miserável, que mais tarde, naquela mesma noite, me arrastou para o hospital e me obrigou a tomar uma nebulização e uma injeção. TENSO. E eu tinha dormido muito pouco na noite anterior.

    Eu tava de péssimo humor.
    Seria capaz de arrancar a cabeça de alguém com uma lixa de unha e sair correndo pela rua e gritando This Is Sparta. E sem me sentir culpada por isso.
    Sentei na parada de ônibus. Olhei o horizonte. Nada de ônibus.

    Um velho se aproximou. Arredondando pra menos, ele tinha uns 60 anos.
    Eu tava espiando pra dentro do bar, admito. Eu precisava ver o jogo. Lembro que quando o velho entrou no meu campo do visão, eu tava refletindo sobre o que leva alguém a desenhar uma blusa amarelo-banana e azul cobalto pra um time reconhecidamente vermelho e preto. Ao menos o meu time, quando inventou aquela da blusa roxa, tinha um bom motivo e ao menos as nossas cores oficiais são preto e branco. É bem mais aceitável, todos têm que admitir. Quando eu vi o flamengo entrando em campo com aquela camisa, pensei que era alguma piada e que o Casseta e Planeta tava colocando o Tabajara Futebol Clube pra zoar comigo.

    Voltando ao velho.
    Sou desconfiada. Quando percebi aquela figura sentada nas redondezas e me olhando com um sorriso desagradável e vazio no rosto, um alarme soou na minha cabeça.
    Alguém iria me incomodar.

    Dito e feito.
    O velho olhou pra mim e soltou a seguinte frase, me envolvendo num bafo de cachaça, dor e desespero:
    - QUÉ UMA CERVEJINHA?

    *pausa pra vomitar*
    Sério, sério mesmo. Eu tenho cara de alguém que vai aceitar o convite de qualquer velho bêbado, fedorento e descarado pra TOMÁ UMA CERVEJINHA? Nesses dias o twitter me deprimiu com aquela porcaria de Who To Follow. Fiquei refletindo sobre o tipo de imagem que passo, para eles me sugerirem aquelas pessoas desagradáveis especificamente. Agora percebo que não só passo uma imagem duvidosa para o Twitter, como também para os velhos bêbados e fedorentos que estão desabados nos bares da vida.

    Nem vou especificar aqui as respostas que me passaram pela cabeça na fração de segundo antes de eu falar algo. Mas vale a pena dizer que eu vizualizei aquela criatura correndo pelo bar em pânico, fugindo de mim e gritando: ERA BRINCADEIRA, ERA BRINCADEIRA.

    Mas eu só respondi: Não.
    Ao que o velho respondeu: OXEE, PURQUÊ ELA TÁ TÃO BRABA?
    Se eu vivesse numa história em quadrinhos, o balão do velho sairia assim mesmo.

    Ignorei.
    Ele ainda repetiu umas 3 ou 4 vezes se eu queria uma maldita cervejinha. Passei bem perto de dizer a ele o que ele poderia fazer com a garrafa da cervejinha. Mas me contive.
    Não se dando por vencido, aquela criatura absurdamente irritante, tenta outra estratégia:

    - QUÉ UM REFIGERANTI ENTÃO?
    Olhei pra ele como se ele fosse uma bicicleta que tinha começado a falar, de tão surpreendente que tudo aquilo era.
    Sério, qual a idéia dele? Me pagar um refrigerante e garantir uma noitada? EU TENHO CARA DE QUEM SE VENDE POR UM REFRIGERANTE? Porque se por alguma infeliz piada do destino, algo em mim levar a crêr que eu me venderia por um refrigerante pra um velho tarado num bar, por favor, alguém me dê um tiro.

    Respondi um Não entre dentes trincados e implorei aos céus que mandassem o meu ônibus. Nem precisava ser o meu. Eu pegaria qualquer qualidade de ônibus naquele momento. Mas nenhum passava. Aposto que os motoristas de ônibus estavam todos escondidos na esquina querendo ver o quanto eu iria me ferrar com aquilo tudo.
    Ou não.

    Mas o velho tarado não se contentou. Repetiu a infame pergunta do refrigerante umas 3 vezes. Como eu continuava ignorando-o com todas as minhas forças, ele resolveu me cutucar. Estirou aquele bracinho magrelo consumido pelo álcool, cigarro e sabe mais que outros tipos de drogas, e cutucou a minha perna.

    JURO, que visualizei o quanto seria divertido arrancar o braço daquela alma sebosa enviada unicamente pra me tirar a paz, e bater no imbecil com o ele, até ele clamar por misericórdia. Pensei também em como seria gratificante derrubar aquela mesa de plástico fedorenta cheia de latas no chão e gritar como eu estava irritada, estressada, cansada e doente e como seria capaz de trancar uma pessoa numa salinha de 2m² com sistema de camêras de video e um patinho de borracha e deixá-la por umas duas semanas ali dentro e ficar assistindo enquanto comia doritos com coca-cola, sem sentir remorso.

    Mas tudo o que fiz foi bater com toda a minha força no banco onde eu tava sentada, há 3cm da mão do velho e falar com a voz do Gollum: Nããoooo encoste em miiiim...

    O velho tomou um susto tão grande que encolheu o braço, e ficou sentado na cadeira repetindo baixinho: Elá tá braba mermu.

    Meu ônibus surgiu e eu fui embora. E não agradeci ao motorista.

    .
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  3. segunda-feira, 9 de agosto de 2010

    Gabi me lembrou, esse fim de semana, da história que eu não tinha terminado de postar.

    Segunda parte aqui.

    -

    Todos os amigos reunidos, conversando e comendo pizza na casa de Leo. Costumavam chamar de reunião de pizza. Todo mundo tinha preguiça de cozinhar. Pedir uma pizza era mais simples. Quem perguntasse a Allan qual o assunto, ele não se lembraria, mesmo tendo emitido uma opinião ou duas. Estava pensativo, distraído. Embora se esforçasse para não demonstrar. Sabia que perguntariam o motivo. Não que tivesse algum problema em contar algo para as outras quatro pessoas ali, o problema era outro: ele não sabia o que contar.

    - O Allan sabe, aposto que ele sabe! Vocês não entendem nada disso!

    Nada melhor para despertar de um pensamento que o nome da gente sendo dito inesperadamente.

    - Eu sei o que?

    - Onde você tava esse tempo todo, cara? Do que é que a gente tava falando? – disse Marcos.

    - Viajei. Fala, o que é que eu sei?

    - Pelo jeito, nada.

    - Engraçado, diz logo!

    - O nome do vocalista do Guns. Tem “e”?

    - É o que?

    - Ai, Allan, presta atenção. – Thaís achou melhor explicar – O Axl Rose? O nome dele. Escreve como? A-X-L ou A-X-E-L?

    - Essa era a discussão? Minha nossa, não, não tem “e”. Vocês sabiam disso. O Leo sabia disso, pelo amor de Deus. Todo mundo sabe disso.

    - E esse mau humor, seu chato, se deve a que?

    - TPM, a Aline entende bem disso.

    - Cala a boca, chato. – Aline se defendeu, brilhantemente. – O que você tem? Tá quieto demais hoje.

    - Não sei. Só pensando.

    O grupo ficou em silêncio. Sabiam que não adiantava insistir quando ele dava respostas assim. Allan tinha o tipo de maneira de se comunicar que era extremamente prático. Não costumava dizer um “não sei”, sabendo. Nem um “não quero falar”, querendo. As coisas com ele eram simples. Práticas.

    Depois de comer e de muita conversa besta, combinaram onde seria a próxima reunião da pizza, se despediram e cada um tomou seu caminho. Menos Aline.

    Aline não nasceu com a capacidade de deixar as coisas se resolverem sozinhas, ou deixar o tempo se encarregar de tudo e todos esses clichês que as pessoas falam o tempo todo. Ela tinha que resolver tudo. Ou no mínimo, saber exatamente o que se passava na cabeça de todo mundo, mesmo quando as pessoas deixavam explícito que não queriam dividir. Tinha o tipo de personalidade de mãe. Conversava com delicadeza, aconselhava, se metia. Reclamava e brigava e dava lição de moral quando algo não estava correndo como ela queria. Era explosiva e de vez em quando alguém tinha que lembrá-la de que todos ali tinham idade pra se cuidar. Não que ela se importasse muito, ou fizesse algum esforço pra pegar mais leve. Não era o tipo de pessoa que ligava para isso, mais ou menos como as mães.

    - Alan, espera.

    - Aline, eu tou legal, ta? Melhor você ir que já é tarde.

    - Não pense que vai escapar, todo mundo vê que você não ta bem. Por que você acha que pode me enrolar desse jeito? O que aconteceu?

    - Não aconteceu nada – Foi a melhor resposta, a mais completa e verdadeira que ele conseguiria dar naquela ocasião.

    - Olha, ninguém aqui ta entendendo nada. Espero que dê pra lembrar que pode contar com a gente. Comigo.

    Alan respirou fundo.

    - Desculpa, Aline. Foi mal toda essa grosseria, e ficar distraído a noite toda. O trabalho tá tirando meu sossego. Só preciso dormir um pouco. E pensar.

    - Você não quer mesmo dizer o que aconteceu, né?

    Uma vitória considerável ela ter percebido isso.

    - Não, Aline. Mas valeu a preocupação.

    Aline ficou em silêncio, pensativa. Ponderando se devia falar ou não.

    - Você quem sabe. Mas dá pra perceber uma coisa em você. Chato ou não, o que quer que tenha te afetado só tá te incomodando porque te tirou do tédio. E você, apesar de tudo, não tá com cara de quem odiou isso. E pra mim, isso tem um nome.

    - É? E qual é?

    - Ah, isso aí você me pergunta quando quiser conversar sobre o assunto. – Respondeu Aline, vitoriosa. Allan riu.

    - Ok, Aline. Você venceu. Eu te ligo outro dia, pode ser.

    - Tá bom. Até mais.

    Allan foi pra casa mais relaxado. A conversa o acalmou. Ele sabia que Aline estava certa. Se incomodava em não saber por que estava incomodado, aliás, afetado. Mas gostava de pensar sobre o assunto. Gostava de lembrar da garota. Era como sentir o perfume dela outra vez, ver aquele sorriso de quem tem um segredo pra contar, mas não pode. Aquela menina, sem dizer nada, tinha despertado nele algo que tinha nome, segundo Aline. Riu, pensando na ingenuidade dela. Aline queria viver no mundo perfeito.

    E rindo, pensou no sorriso de Julia. E se sentiu um babaca. Sensação essa que acabou se instalando nele como chiclete recém mastigado gruda na sola de sapato novo, e gruda no chão limpo de casa e sai deixando marcas chatas por toda a casa. E gruda nos seus dedos ou no que quer que você use pra tirar aquilo dali, mostrando que de jeito nenhum vai sair dali e que vai te dar trabalho até você aprender a olhar onde pisa. E que nunca sai completamente, deixando sempre pequenos vestígios na sola do sapato até você acostumar com aquilo ali e não se incomodar mais.

    Allan se sentia babaca com freqüência. Mas não daquela forma. O sorriso de uma garota certamente não era um motivo aceitável para se sentir babaca. E isso porque quando lembrava que estava se sentindo babaca por causa do sorriso de Julia, além de se sentir mais babaca, ele se sentia relativamente bem.

    “Não sei qual é o problema dessa garota, mas quando eu a encontrar, quero saber mais que um nome. Se eu vou me sentir idiota, quero ao menos ter motivos para isso.”

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    :*
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  4. quarta-feira, 4 de agosto de 2010


    As outras eu não sei, mas eu seria capaz disso. Tranquilamente. E colocaria mel nele, e provocaria uma colméia de abelhas que, coincidentemente, estaria nesta árvore em especial.

    (via @oshomens)
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