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  1. domingo, 25 de julho de 2010

    Eu sou uma pessoa extremamente impaciente, egoísta e intolerante. Algumas pessoas consideram essas coisas como qualidades. E na dose certa elas talvez sejam. Mas eu considero defeitos. E não me orgulho disso.

    Ok, só as vezes.

    Mas enfim.
    Atualmente, me considero uma pessoa bastante tranquila. Eu costumava dar respostas malcriadas a qualquer cidadão que me contrariasse, menos aos meus pais, porque aqui em casa a política sempre foi bem clara: menino malcriado é menino sem dentes, figurativamente falando. Eu levei umas boas surras, e muito merecidas, quando era mais nova. Merecidas mesmo, porque eu era daqueles pirralhas bem pestes.

    A prova disso é a quantidade constrangedora de cicatrizes que eu tenho espalhadas pelo meu corpo. Sempre tive o azar de ficar com marca de tudo quanto era machucado. Tudo em mim vira uma cicatriz tosca, o que não me deixa esquecer de nenhuma das presepadas que eu aprontei. E eu tinha o costume feio de querer esconder da minha mãe o motivo daquele corte sangrendo, ou do arranhão monstruoso porque eu tinha medo de ganhar um castigo bem bacana e ficar curando o machucado dentro de casa.

    Hoje, posso rasgar tudo aqui, porque já contei a ela a origem de todas as marquinhas simpáticas que eu tenho.

    Uma delas, inclusive, uma no pulso direito, que tem formato de um besouro, minha mãe descobriu porque eu tenho amigos linguarudos que adoram relembrar essa história no orkut, porque foi hilária mesmo.
    Eu tinha uns 15 pra 16 anos, eu acho. Era uma quinta-feira. Eu lembro porque na quarta teve uma festa de São João no colégio que eu estudava. Daí no outro dia, um caminhão veio buscar as cadeiras que tinham sido usadas na festa para levá-las para o lugar aonde levam as cadeiras depois de usadas.
    Bom, o fato é que as nossas aulas terminaram bem cedo, e estávamos nós todos largados na calçada da frente do colégio. Porque ninguém ainda tinha se mandado pra casa, ou pra qualquer lugar mais agradável que uma rua quente às 10h da manhã, eu não me lembro. Sei que a gente tava lá. E meus santos amigos começaram a falar sobre pegar bigu no caminhão das cadeiras.

    Por Bigu, entenda: Se pendurar no parachoque traseiro do caminhão pra pegar carona.

    Pra quê? você me pergunta? E eu sei? Pra apostar, eu acho. Ver quem era o muleque mais corajoso-duvida-que-eu-vou. Pra passar o tempo de nossas vidinhas vazias e cheias de tédio. Ou pra ver se alguém caía e se rasgava todo no calçamento.

    Eu, particularmente, chuto na última opção, porque foi o que aconteceu.
    Comigo.

    Eu sempre fui meio muleque, tá? E qual o problema? Não é nenhum pecado. Eu era uma criança feliz. Adorava video game, carrinho e subir em árvore. Inclusive, uma das cicatrizes que mais doeu foi a de um arame farpado que eu pulei de uma casa que tinha uma árvore bacana de subir. Isso, e uma de uma ostra que afundou no meio joelho e sangrou como se eu tivesse acabado de parir uma criança no mar, e era fundo que cabia a ponta do meu dedo dentro. Mas isso são outras histórias.

    Enfim. Eu entrei na brincadeira. Corremos, uma pá de muleques pra pegar bigu no caminhão. Uma pá é exagero. Eu e mais 3, eu acho. Até hoje não tenho certeza de como aquilo aconteceu. Eu subi no caminhão linda e absoluta, com os pés no parachoque e uma das mãos na trava da porta de trás.

    É. Você leu certo.
    UMA das mãos.
    UMA.
    Porque a outra simplesmente não tinha onde segurar. Não tinha mesmo.
    Então eu fiquei lá, linda e absoluta segurando unicamente por uma mão, quando, suspeito eu, que alguém quis se segurar no mesmo canto que eu. O que, particularmente, eu achei uma falta de sacanagem muito grande. Pô, eu era a única menina na brincadeira, podiam ao menos fingir serem cavalheiros e liberar aquela trava pra mim, né? E não disputarem comigo por ela, me fazendo cair do caminhão e sair rolando no calçamento bem quando o motorista passou a segunda marcha.

    Mas eu não posso acusar ninguém. Eu realmente não sei como a coisa aconteceu. Sei que eu caí e ainda rolei no calçamento. Quente. Sujo e cheio de pedrinhas desagradáveis. E fiquei caída lá no chão.

    Ah, me perdoem os que correram pra me ver, mortos de preocupação e me encontraram rindo.
    Eu ri! Foi engraçado, cara. Eu tava sangrando, torrando e preocupada com a minha calça jeans e em como ia explicar aquilo pra minha mãe, mas eu só conseguia pensar em como eu devia ter parecido uma boneca de pano desabando do caminhão na frente de metade da minha sala.

    Bom, vamos ao saldo da aventura.
    Meu braço direito ganhou montes e montes de arranhões vermelhos. Quem visse, pensaria que eu tinha me envolvido em uma briga com algum gato de rua. Tenso.
    A perna direita da minha calça jeans quase rasgou e meus joelhos ficaram meio roxos.
    Minhas costas doíam.
    E mais ou menos uma semana depois, eu vi uma marca meio roxa ali perto da orelha direita quase sumindo.

    Em resumo, eu era um trapo humano.
    E só conseguia rir da situação toda.
    Quando cheguei em casa, devidamente limpa e com meus machucados já organizados e disfarçados, minha mãe reparou minha mão direita machucada e perguntou o que era. Eu disse que tinha caído do skate do meu ex. Aposto que ela percebeu que não era verdade, mãe é mãe. Mas vai saber.
    Foi mal, mãe, desculpa por essa.

    A cicatriz em cima do pulso ficou por causa de uma pedrinha. Uma pedrinha do calçamento que entrou mesmo. Sério. Eu arraquei ela da minha mão logo que levantei, daí ficou um buraquinho minúsculo em diâmetro, mas bem fundo.

    Meu Deus, eu era ridícula!
    :*
    |


  2. 6 comentários:

    1. Gabi Machado disse...

      Tuílaa, adorei o blog! Principalmente o título! Ah e morri de rir da história. =D
      Pegadora de bigu! =P

    2. Tuíla disse...

      kkkkkkkkkkk
      Valeu gabii :D

    3. Renan disse...

      Lembro como se fosse ontém: Corri também, tentei o meu espaço na única porta aberta(já que assim estava uma aberta e uma fechada) mas já não havia espaço pra mim, fiquei pelo caminho... tinha um sentado(Isaac), e em pé(Lucas) no canto, e tu tentando segurar no meio, até que Isaac mesmo sentado segurou onde tu tentava segurar... e de longe(meio da rua entre a frente da escola e o fato) eis que cai em pézinho e depois deita(se estira e estraçalha no chão), meigamente feito uma boneca de pano! =D hahahahahahahahahha

    4. Tuíla disse...

      A única coisa que eu lembro como se fosse ontem são os meus machucados. Como faço pra ter uma memória feito essa? Vende aonde?

    5. Rafael disse...

      Eu não lembro de Isaac O_O kkkkkkkkkk
      lembro que tinha uma porta aberta, e quando caiu, todos q estavam sentandos ficaram: OMG, ELA TA BEM? (momento comoção nacional). Ai gayucho corre pra "socorrer" e quando levanta, ta ela morrendo de rir kkkkkkkkkkkk ai qm não tinha rido achando q era sério, começou a rir :x

    6. Renan disse...

      E o pior é que eu já fui naquele meio passo, algo entre o caminhar e a corrida, já bem desconfiado... até pq ela caiu primeiro em pé, pra depois cair deitada - de FRENTE - E chegar preocupado(até pq era o mais próximo) e vê-la rindo - além da sua própria queda - da minha cara da preocupação, algo em torno do:- AAAhhhh otáááriooo! hihihihihihihihihi