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  1. quarta-feira, 23 de junho de 2010


    Essa semana, quando reclamei de dor de cabeça pela milionésima vez, minha mãe me mandou tomar vergonha na cara e tirar os óculos da caixa e botar na cara, onde é o lugar dele.
    E foi o que eu fiz.

    Mas o meu óculos não tem essa utilidade toda, e eu consigo viver sem ele. Certo, só consigo identificar a linha do ônibus quando ele chega bem perto, e OK, mal consigo ler as placas de longe ou se tiverem letras fora da categoria garrafal para letras. Mas e daí? Dá pra viver assim perfeitamente. PERFEITAMENTE.

    E além disso, eu fico com cara de babaca de óculos.
    Não, não fico parecendo inteligente/doutora/alguém que vale a pena ouvir o que tem a dizer. Nem de nerd. Seria um elogio parecer nerd. Eu pareço só babaca.

    Outro problema, esses óculos me fazem perder toda minha visão periférica, coisa que atrapalha a minha locomoção. Eu já sou um desastre em movimento. Por onde passo deixo um rastro de destruição, casas em chamas e pessoas feridas. Imagina o terror que eu causo sem ter visão periférica?
    Meu namorado diz que é porque meus óculos são muito pequenos. Se fossem grandes, chamativos e tomassem metade do meu rosto como o dele faz, eu não teria esse problema. Mas meu namorado não tem nenhuma noção de como óculos tem que combinar com o rosto no qual eles estão alojados. Ele funciona com óculos grandes. Eu, por outro lado, ficaria com cara de babaca total, completa e colossal. E isso seria imensamente desagradável.

    E chego a conclusão de que o problema não é com o óculos.
    E com minha cara que não quer se ajustar a ele. Merda.
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  2. sábado, 5 de junho de 2010

    Dia 1
    Comprei os livros, lindos e absolutos, todos os 5, pela internet, numa promoção do Submarino. Foi um dos momentos mais gloriosos da minha vida, tirando o dia em que eu comprei a trilogia do Senhor dos Anéis por um preço que eu nunca achei que encontraria. E a vez que eu cheguei em casa, molhada e gelada de chuva, espirrando e fungando e minha mãe me fez pipocas.

    Dia 2
    Tava sem impressora. A coisa começou mal por aí. Tive que pedir ao meu namorado pra imprimir e só peguei o troço pra levar no banco e pagar [esqueci o nome agora, e tou com preguiça de lembrar] à noite, de modo que foi um dia a mais na minha espera de dor e tortura. Mas tudo bem, vale a pena explorar impressoras alheias, tudo vale a pena.

    Dia 3
    Por algum motivo que eu não me lembro mais [minha memória tá uma bosta], não tive metade das minhas aulas. Desabei pra casa com um único interesse em mente. Dois, aliás. Pagar os meus livros no banco e dormir. E foi o que eu fiz. Paguei os livros no banco, fiz uma pausa pra almoçar e dormi. Desnecessário dizer que sonhei com meus livros?

    Dia 4
    Acordei e fui olhar meu email. Quase choro de emoção ao ver o pedido confirmado. Eu tinha medo de que não confirmasse rápido, porque já era sexta feira, e essas coisas só acontecem em dias úteis, certo? Pois é. O email dizia que meus livros chegariam em 6 dias úteis, ou seja, até o dia 8 de Junho. Parei, abismada. OITO de JUNHO? Mais de uma semana daqui pra frente? Mas que merda. Utilizando minhas maravilhosas habilidades matemáticas, calculei:

    - Hoje é sexta. Certo. Sábado, domingo, não contam. Tá. Então. Hoje é dia... 28? É. Segunda... dia 31. Tá. Então. Segunda, terça, quarta, quinta e sexta. Eita, calma, Quita é feriado, não conta. Tá, então, dia 1, 2, 3 que é feriado, 4, o que já são exatamente 4 dias úteis. Sábado e domingo de novo. Segunda e terça, 7 e 8. 6 dias úteis. É, tá certo.

    A gente só percebe como esse raciocínio todo foi extremamente idiota quando escreve sobre ele.

    Dia 5 e 6
    Sábado e domingo. Não pensei muito sobre o assunto. Tinha um namorado e uma irmã pra me darem trabalho e me distrair de qualquer coisa que eu pudesse pensar. Inclusive de meus lindos trabalhos da universidade.

    Dia 7 e 8
    Foi quando começou meu desespero. Não que eu tivesse muitas esperanças de que meus livros chegassem nos primeiros dias possíveis. Mas, bom, era mais provável que chegassem agora do que ontem. De modo que eu fiquei alerta. Os porteiros me cumprimentavam quando eu chegava e saía de casa e eu os olhava com um olhar de esperança que se desmanchava logo que eles não falavam nada além de um, Bom Dia, Tarde ou Noite.
    Isso era desagradável.
    Mas não dava pra me conter, toda vez que eu ia sair, meu coraçãozinho se enchia de luz, pensando, por um momento de ilusão, que quando eu passasse pela portaria, meus livros estariam lá, lindamente empacotados e gritando; "Mamãe, mamãe, me leve para casa".
    Quem dera.

    Dia 9
    Quarta-feira. Nada ainda. A coisa tava começando a ficar tensa.
    Passei a entrar no prédio olhando a sala da portaria com cara de quem seria capaz de invadir aquilo ali, levar os livros e gritar: Meu PRECIOSO!
    Os porteiros não pareceram gostar da minha cara. Seguiam meu olhar até a salinha vazia da portaria, e voltavam a me encarar com uma interrogação. Eu me recuperava, levantando do chão, limpando as mãos e os joelhos, parando de rosnar e dando uma risadinha sem graça [brincadeira].

    Qual é o problema dessa empresa de entregas? Eles não sabem que as pessoas sofrem com isso? Quer dizer, seis dias úteis pra trazer livros? Eles querem o quê, copiar tudo antes de trazer pra mim? Ah, é melhor que ninguém tenha folheado meus livros antes de mim, senão eu juro como vou derramar sangue de alguém.
    *pausa pra parar de rosnar de novo*

    Dia 10
    O feriado. Tentei me conter, uma vez que provavelmente não fazem entregas nos feriados. Não querem me trazer nem nos dias úteis. Mas foi quando eu comecei a fica desconfiada. Aqueles porteiros me lançavam olhares estranhos. O que eles estavam escondendo? Será mesmo que seriam capazes?
    Ah, meus livrinhos. Pobrezinhos. Será que foram desviados de mim por alguém?
    O porteiro nº 1 nunca me enganou. Sempre achei o tipo de pessoa que seria capaz de esconder livros de uma pobre menininha, com seus Bom Dias educados, sempre segurando a porta pra mim quando eu chego suja e descabelada da universidade, carregando pencas de papéis e coisas. Ele deve pensar que eu sou boba, que não percebo que está sendo legal porque tem um plano pra desviar especificamente livros de séries para lê-los e depois me devolver com um olhar meigo, me convencendo de que entregaram realmente no último dia do prazo.

    Aposto que ele sabe qual é o último dia do prazo.

    Dia 11
    Sexta.
    Eles combinaram tudo. Aposto.
    Minha mãe, meu pai, o porteiro, minha irmã, até meu namorado que mora em outra cidade. Todos estão conspirando. Sabem que eu só vou largar os CINCO livros quando terminar todos e não querem que eu tenha todo esse tempo de alegria e diversão. Aposto que interceptaram os meus livros e estão fazendo um rodízio. Cada um lê e depois passa para o próximo, em meio a risadas de "Como é tonta, aquela menina, pensando que os livros só chegarão no último dia do prazo, hahaha"
    Estão todos conspirando. Mas eu sou mais esperta. Vou vasculhar toda casa, deve ter algum canto por aqui que eu ainda não procurei. Eles não vão me enrolar desse jeito.
    EU VOU ACHAR MEUS LIVROS NEM QUE EU DERRUBE ESSE PRÉDIO, TIJOLO A TIJOLO!

    Meu Deus, eu preciso de um banho.

    Dia 12
    Estou de luto pelos meus livros que devem ter sido confundidos.
    Pobrezinhos, no lar de alguém que nunca vai ser capaz de amá-los tanto quanto eu os amaria. Ou provavelmente caídos em alguma estrada deste grande Brasil, num embrulho que não será capaz de protege-los por muito tempo, e eles ficarão molhados e sujos, e ARG, nem quero pensar.

    Respeitem minha dor.
    Beijos deprimidos.
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