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  1. sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

    1. Vou parar de roer as unhas, de verdade dessa vez. Eu sei que ficam tentandos em não acreditar, uma vez que essa já é a, não sei, 10ª vez que eu digo isso. Mas, por favor, se não me derem um voto de confiança, aí é que eu não paro mesmo.

    2. Não vou largar a academia na metade, porque, fala sério, vamo pelo menos brincar de ter força de vontade. Eu odeio academia, ODEIO mesmo. Da última vez que me propus a me enfiar naquele buraco dos infernos, cheio de gente suada e com o corpo perfeito, fazendo cara de sou-o-senhor-saúde e me olhando como se eu fosse uma baixinha gordinha ousada (ops, eu sou), eu fiquei deprimida e larguei tudo! Maaas, já que resolvi recomeçar, vamo pelo menos não desperdiçar o dinheiro.

    3. Não vou mais ser tão amarrada...

    4. E vou conseguir porque eu vou arrumar um emprego. PelamordeDeus, reza a lenda que uma pessoa que chega aos 20 anos desempregada é vagabunda e, cara, isso vai ser oficial daqui a 13 dias! TENSO.

    5. Não vou contrair dívidas por causa de a) livros, b) picolés de limão, c) picnics ou d) cinema.

    6. Não vou mais sair se eu não tiver dinheiro para tal.

    7. Serei mais paciente e bondosa, meiga, doce e menos assustadora.

    8. Não vou mais xingar as pessoas pelo puro prazer de xingá-las. Guardarei todas as formas de ofensa cuidadosamente cultivadas na minha mente doentia para momentos que em for impossível não falar nada. Tipo enquanto estiver dirigindo, ou com Taiane.

    9. Ah, eu não vou mais bater em Taiane também. Descobri que ela não gosta muito.

    10. Vou usar o meu óculos o tempo certo (contando de amanhã depois que eu acordar, porque festa de ano novo de óculos é pedir pra perder, quebrar ou achar em lugares obscuros).

    11. E vou TER UM PORQUINHO DA ÍNDIA!

    Feliz 2011, povo.
    Aproveitem a noite, mas não esqueçam que depois do dia 1º de janeiro existe todo um ano para se viver.
    Durem muito :D
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  2. quarta-feira, 22 de dezembro de 2010



    Então, os homens viviam em cavernas?
    Certo. Caçavam seus próprios animais, plantavam sua comida e viviam felizes, em harmonia com a mãe natureza.

    Quando eu era criança, eu sabia conviver com ela. A natureza, quer dizer.
    Eu fui uma criança que não tinha medo de subir em árvores, entrar no mar na maré cheia, pular no mangue pra catar caranguejos, dentre outras coisas. Eu e a mãe natureza tínhamos uma boa relação. Com um ou outro desentendimento, o que gerou algumas das minhas cicatrizes ou me fez beber água salgada até sentir que, se eu morresse, minha carne já estaria devidamente temperada, mas no geral, éramos boas amigas.

    Até que, aos poucos, eu fiquei mais velha (dizer que cresci é muita ousadia) e fui deixando de me jogar no mato e na terra e comecei a ficar enfiada no quarto comendo um livro depois do outro, ou na internet, feito um inseto colado na lâmpada. E pelo que eu percebi, a mãe natureza se ressentiu disso.

    Domingo fomos pra a granja de uns amigos dos meus pais. Nós e os amigos deles, com seus filhos, que são meus amigos de infância. Um bom pedaço da minha infância se passou naquela granja, naquelas mesmas árvores, no rio, e naquela terra preta que gruda nos seus pés até parecer que te jogaram num tonel de óleo de motor. Eu devia prever o que aconteceria...

    Da última vez que fomos lá, no começo desse ano, eu pude perceber um leve ressentimento do universo por ter deixado minhas brincadeiras de criança pra ficar dentro de casa onde tudo é tão limpo e nada pode arrancar um dedo meu. Algumas pessoas diriam que foi apenas porque eu fiz uma coisa que tinha perdido o costume de fazer. Mas não foi. Foi o Universo conspirando contra mim de novo.
    Naquele dia, em janeiro, eu acho, fui jogar futebol na areia preta com os outros. Chutei algo, ou alguém e uma coisa obscura ocorreu com o meu dedo mindinho, e este ficou doendo o resto do mês ou mais.
    Foi o primeiro aviso. Mas eu não dei atenção.

    Nesta última vez, pelo jeito, minha ousadia foi grande demais.
    Quando a gente chegou na granja, dei de cara com um pé de jambo, lindo e maravilhoso, com frutas roxinhas e brilhantes, que eu não comia há, sei lá, séculos. Olhei pra Talita, ela me olhou, jogamos a dignidade pro alto e subimos no pé de jambo, como a gente fazia quando tinha 10 anos e só davam pela nossa falta na hora de voltar pra casa.
    Agora, penso na impressão que passei pro meu namorado. Ele não gostou do jambo. Herege.


    Jambos *---*


    Sei que passamos a manhã inteira naquela árvore específica.
    Eu devia ter percebido que uma merda muito grande ia acontecer. É verdade que eu comi jambo até achar que meu estômago fosse dilatar e eu fosse ficar roxa, como a menina do chiclete, da Fantástica Fábrica de Chocolates. Em compensação, ganhei MUITOS arranhões, Yuri derrubou (ou jogou, ainda não tenho certeza) um jambo na minha cabeça, e eu achei que ia cair muitas vezes.

    Vacilo meu.
    Quando se tem 10 anos numa granja, você fica a 5 metros de altura, em pé, em um galho assustadoramente fino, segurando-se em outro galho ainda mais assustadoramente fino, pra pegar uma fruta que, vai saber, você nem gosta tanto assim, e não sente uma colher de chá de medo de cair. Embora as chances disso acontecer sejam muitas. Mas você não percebe.
    Mas eu tive medo.
    Devia ter reparado naquele minuto que eu não tinha mais 10 anos, e que alguma merda GRANDE ia acontecer.

    A gente tinha acabado de almoçar.
    Depois que tudo aconteceu, eu pensei: De quem foi essa ideia imbecil?
    Sinto dizer, foi minha.
    - Talita, duvido tu subir até aquele galho (aponto o galho) daquele cajueiro (aponto o cajueiro).
    Talita me olha com a cara que ela faz quando eu digo alguma coisa absurda e ela fica rindo e pensando: Será que ela tá falando sério? Isso vai dar em merda, mas eu vou.
    Conheço essa cara. Depois dela, sempre alguém se ferra.

    Corremos todos até a árvore, como se a gente tivesse 10 anos e não, como eu, há um mês de fazer 20.
    Até chegar lá, alguém falou, enquanto a gente atravessava um campo de matos e pedras que furavam os pés: Vocês deviam ter vindo de sandália.
    Respondi, orgulhosa:
    - Subir em árvore de sandália? Putz, não dá. Isso não é nada, nem dói.

    Eu pagaria por isso.

    Yuri foi na frente, com aquele seu desespero habitual, subindo loucamente no tronco enorme do cajueiro. Segui atrás dele. Me arranhei, mas nem percebi. Grudei o olho naquelas coisas gigantes e pretas que saíam de um buraco no tronco. Por um minuto pensei:
    - Hm, isso vai atrapalhar.

    Não me pergunte em que momento aquilo aconteceu. Quando doeu, eu gritei. Doeu de novo e eu gritei de novo. Na terceira, eu nem senti. Desci da árvore, não me lembro como. Andei até a casa. Também não faço ideia de como cheguei lá, mancando. Tudo o que eu lembro foi de, já no chão, arrancar um daqueles monstros da minha perna, que me mordeu por cima da bermuda jeans, e sair andando.
    Quando cheguei na casa e me sentei, foi que reparei Bob do meu lado. Mas infelizmente, as coisas tão tavam muito claras. Eu tava concentrada em não chorar, não gritar e conseguir respirar, tudo ao mesmo tempo.

    AQUELE INSETO DO HELL mordeu/ferroou um dedo do pé esquerdo, a sola do pé direito e minha perna esquerda por cima do jeans. Levantei a bermuda e limpei o sangue da perna. AQUELE MONSTRO TIROU MEU SANGUE POR CIMA DE UM TECIDO JEANS?? Falta o que pra usarem aquilo como arma de guerra?

    O pior de tudo era respirar. Porque se eu respirasse muito fundo, dava vontade de gritar, ou fazer aqueles ruídos de dor. Os meus dois pés doíam como se alguém tivesse enfiado um espeto neles e cutucado.
    Encheram um balde com água e pedras de gelo. Grandes. Se você já enfiou um membro do seu corpo em um balde de água e gelo sabe que dói. Eu não senti aquela dor. Foi um alívio sentir o pé dormente porque a dor da mordida era menor.

    FORMIGA DO CAPETA.

    O problema é que o gelo não dura pra sempre. Quando tudo virou água, a dor voltou.
    Sei que enfiaram na minha boca uns dois comprimidos diferentes. Um deles era um anti alérgico, porque aparentemente minha perna tava ficando com uma mancha de uma cor assustadora e aquilo não podia ser um bom sinal.

    Agradeço a quem me forneceu o comprimidinho branco mágico.
    Bateu uma lombra maravilhosa. Me arrastei/fui arrastada pra um quarto com uma rede e dormi aquele sono que só um comprimido dopante pode te proporcionar. Ainda senti dores, mas o sono foi ótimo. Tive uns sonhos malucos mas não lembro deles. E se lembrasse, desculpa, acho que já me queimei o suficiente pra um post só.

    Resultado: o efeito milagroso passou, lá pras 7h da noite. Fomos pra casa e minha mãe comprou na farmácia um comprimido amarelo ainda mais forte e mágico.
    Dormi tanto que tive medo de não acordar na segunda feira.

    O que eu tiro desta experiência: Se isso tudo foi ressentimento, Natureza, VAI TRABALHAR TEUS RELACIONAMENTOS, porque é por isso que tão acabando contigo.

    Ou isso, ou eu ainda tou sob efeito das drogas.
    :*

    P.S.: Você não imagina o arrepio que aquela foto me dá.
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  3. segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

    Um dos posts mais simples de se fazer nesse meu blog, foi aquele sobre os absurdos feitos e ditos pela minha irmã. Simples porque eu tenho MUITO material, que se renova a cada dia.
    Como tinha muita coisa, estou agora, depois de umas boas semanas, fazendo a parte dois desta restrospectiva da criatura curiosa que é a monstrinha que eu tenho em casa.
    Preparem-se:

    -

    Minha mãe uma vez limpou o telefone com alguma coisa cheirosa, e o cheiro persistiu por um bom tempo no aparelho.
    Um belo dia, minha tia liga pra a nossa casa.
    Taiane atende, conversa, desliga e exclama:
    - Oxe, dá pra sentir o perfume de tia pelo telefone!

    -

    A cozinha aqui fica do lado do quarto onde fica o computador.
    Eu estava no computador, em paz, quando ouço minha mãe gritar:
    - Taiane, limpa a pia, guarda essas panelas e... PELO AMOR DE DEUS, PARE DE LAMBER ESSA COLHER!!
    Nem quis me virar pra ver a cena.

    -

    É bem verdade que adolescentes têm aquela mania de se rotular e de se considerar parte de um grupo. E quem sabe todo mundo até seja assim...

    A página do twitpic aberta.
    Na lateral, um anúncio: "Descubra se você é emo!"
    Taiane grita em desespero: CLICACLICA, PORFAVOOOOR!!

    ...você só não espera que sua irmã mais nova jogue fora uma vida dessa maneira.

    -

    Não me lembro o motivo, mas no meio de uma discussão acalorada aqui em casa, Taiane diz:
    - Peraí, né, gente? Leite não é de origem animal!
    - E é de origem o que, criatura?
    E pra mostrar que entende do assunto, ela diz:
    - LÍQUIDA, óbvio.
    Óbvio.

    -

    O que você faz com acetona?
    Bom, minha irmã derrama no celular e fica olhando ele derreter.
    Em pânico, e gritando.
    Mas sem tomar nenhuma atitude útil.
    Minha irmã não é alguém bom para se ter por perto em caso de uma calamidade.

    -

    Em uma bela manhã de sol, Taiane se empolga com alguma coisa pra me contar.
    Quer entrar no quarto correndo e mete a cara na parede.
    Olha pra mim desorientada e diz: Errei a mira.

    -

    Ela estava me mostrando um video no youtube, onde alguém chama uma menina de peculiar.
    Taiane vem, indignada, me dizer:
    - Como essa anta deixa fazerem um video com alguém chamando ela de peculiar?
    - E o que é que tem?
    - Peculiar, Tuíla?
    - O que tu acha que significa peculiar?
    - FÚTIL?

    -

    Nesse dia, meu mau humor tava atacando.
    Tava fazendo uns trabalhos, achei um texto com algo que eu precisava, mas como tava em .pdf. eu não podia fazer aquele bom e velho ctrl+c, ctrl+v pro meu trabalho. Me irritei e Taiane perguntou o motivo. Rosnei:
    - Não dá pra copiar essa merda direto do .pdf
    - Eita, Tuíla!
    - O que foi que eu disse?
    - PDF?
    - Qual o problema?
    - Anh... Er... Ah, esquece. Eu pensei que era o contrário de FDP.

    -

    Silêncio na casa. Taiane na cozinha.
    Ouço um grito:
    - BALCÃO FILHO DE UMA ÉGUA! DE OUTRA VEZ EU QUEBRO VOCÊ TODINHO DE UMA VEZ SÓ, QUER VER? QUER VER?
    Acho engraçado reclamarem da minha grosseria depois disso.

    -

    Taiane na aula de inglês.
    Professor: How old are you?
    Taiane: I'm fine, thanks.
    Ainda bem que ela não respondeu: É A MÃE.

    -

    Na escola:
    Professor: O que você entende por Revolução Russa?
    Taiane: Nada.
    E não consegue entender porque ele ficou tão bravo.

    -

    É, pelo jeito vai ter uma parte 3 porque tá me batendo aquela preguiça de digitar tudo.
    E eu também quero aproveitar a ideia pra quando eu tiver pouco inspirada ;]

    P.S.: Por que o gato? Veja o olhar insano = Taiane

    :*
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  4. sexta-feira, 26 de novembro de 2010

    Juro que pensei muito antes de escrever esse post.
    Foi uma situação tão constrangedora que eu não sei se deveria descrever em detalhes aqui. Sério.

    Mas, a vida não é só feita de situações engraçadinhas e bobinhas. Coisas toscas e gosmentas também.
    Enfim.

    Ontem eu estava numa escola, fazendo um trabalho.
    Eu não tinha nada a ver com aquela moça, é verdade. Eu nem tava falando com ela. A secretária tava me atendendo, com cara de poucos amigos, me dando as informações simples que eu precisava de uma forma tão confusa que eu me perdi um monte de vezes. Parecia o Plínio no debate. Sério, eu só precisava de um número. Algo tipo: Quantos dedos tem na sua mão? Aí a mulher me respondia algo como: Ah, se você olhar por esse ângulo só dá pra ver 4, porque o mindinho fica escondido, mas até hoje de manhã eu juro que vi 5.

    Ok, nada tão estúpido assim, mas bem perto.

    Daí que eu ouço a moça conversando com outra.
    Elas não conversavam num tom de voz normal. Até num tom de voz normal aquilo teria sido constrangedor. Ela falou alto. MUITO alto. Tive medo que as crianças inocentes brincando no recreio corressem pra verificar o que tava acontecendo. Ela disse mais ou menos assim:

    "MINHA FILHA, EU TENHO hemorróidas POR CAUSA DA prisão de ventre. VOCÊ ACHA QUE ERA PORQUÊ? EU FICO TRÊS SEMANAS sem ir no banheiro PORQUE SIMPLESMENTE NÃO SAI. EU COMPREI A P**** DO ACTIVIA, MINHA SOBRINHA TOMOU TAMBÉM E parecia que tava com diarréia E EU NADA..."

    Abaixei a cabeça. Tentei não rir. Fiz outra vez aquele som de balão vazando.
    Eu juro que transcrevi aqui de forma suave. Sério, não gosto de tá escrevendo coisa gosmenta no meu blog limpinho. Mas ninguém precisa de muito esforço pra deduzir o que a moça meiga e cheia de doçura falou na secretaria da escola, em alto e bom tom.

    Ninguém mais naquela sala pareceu achar a situação no mínimo estranha além de mim. O que só me leva a pensar que ou todas as pessoas ali compartilham da situação da moça, ou ela sempre fala daquele jeito, naquele tom, e eles já estão acostumados.
    Se a segunda opção for verdadeira, deve ser um lugar muito desagradável de se trabalhar. Quer dizer, imagina só a quantidade de informação sobre a vida pessoal e orgânica aquela mulher compartilha diariamente?
    Se for a primeira, Activia neles, uma hora vai dar jeito.


    Oi amigan, como vai o intestino?
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  5. terça-feira, 23 de novembro de 2010

    Devido ao fato citado no título, é uma ousadia imensa da minha parte estar aqui querendo escrever alguma coisa no blog.
    Aliás, só estou fazendo isso pra dar o mínimo de satisfação.

    Algumas coisas estão torrando meu cérebro ultimamente e eu não estou falando apenas do calor.
    Nem vou listar aqui a quantidade exacerbante [que tal a palavra?] de seminários, relatórios, pesquisas e trabalhos que tenho pra fazer. Seria muita crueldade. Pra vocês e pra mim. Teria gente chorando e sangrando pelo nariz antes de terminar de ler o post.

    Então, estou apenas comunicando o estado lastimável de sofrimento em que me encontro.
    Eu nem tava assim tão deprimida, sabia? Mas um fenômeno estranho atacou cerca de 90% das pessoas que eu sigo no twitter e tá todo mundo reclamando da vida, e chorando e ameaçando se matar, de modo que foi só um empurrãozinho pra eu lembrar dos meus problemas e vir aqui reclamar sobre eles.

    Mas no geral, estou viva.
    Daqui umas duas semanas serei uma pessoa livre e feliz.
    Me aguardem :*
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  6. quarta-feira, 10 de novembro de 2010

    Sabia que eu tenho medo de contar o que eu vejo no ônibus e alguém me ver zoando aqui, descobrir onde eu moro e, sei lá, me matar?

    Mas correrei o risco.

    Ontem não foi um dia muito fácil pra mim. Tive insônia a noite inteira. Juntamente com a minha dificuldade pra dormir, acrescente que o Universo conspirava de várias maneiras:
    1. Jogando rajadas de vento na minha janela, fazendo barulhos ensurdecedores;
    2. Parando o meu ventilador toda vez que eu ousasse conseguir cochilar;
    3. Me fazendo morder a língua...

    Logo, dá pra perceber que eu tive uma noite bem agitada.
    E não da maneira divertida.

    De modo que passei o resto do dia de mau humor.
    Fui na universidade encontrar Gabi pra fazer um trabalho, e estava voltando pra casa no ônibus quando aconteceu.

    Foi tenso e engraçado.
    Tenso porque se você olhasse bem a cena, perceberia que todas as pessoas ao redor daquela mulher queriam MUITO rir. Mas, por pura educação, estavam se contendo.
    Já observou bem uma pessoa prendendo o riso? Acho que prender o riso é ainda pior do que rir. As pessoas fazem caretas e se contorcem, e soltam aqueles sons típicos de riso preso, põem a mão na boca e tremem enquanto tentam desesperadamente não mostrar que querem rir. O problema é que fica ainda mais óbvio que elas querem rir.
    Eu tenho a teoria de que, nesses casos, é muito mais lucrativo rir de uma vez. De qualquer forma, todo mundo sempre percebe que você quer rir. Quando você ri, pode até ficar envergonhado, mas isso já ia acontecer de todo jeito.

    Estou, inclusive, juntando cara de pau pra testar essa teoria.

    Enfim, vamos à história:

    Eu odeio quando entro no ônibus razoavelmente cheio e tem alguém sentado na cadeira do corredor com um lugar vago do lado dela, na janela. Porque você vai sentar e a pessoa se afasta sofridamente, e você se espreme pra passar sem, sei lá, esfregar a bunda, ou a sua bolsa, na cara dela.

    E foi o que aconteceu. A mulher não tinha mais que 40 anos. Arrisco a dizer que tinha até menos. E nem sei dizer se tava bêbada. Ou só com sono. Se era sono, eu devia no mínimo ser solidária, uma vez que eu mesma estava meio zumbi.
    Me espremi e sentei na cadeira da janela, ao lado da mulher.
    Eram aqueles bancos altos, do final do ônibus. Do lado esquerdo.

    O ônibus fez uma curva. Meio forte. Mas nada que assustasse.
    Nunca vi daquilo.

    A mulher sentada do meu lado saiu derrapando na cadeira, passou pelo corredor e foi cair do outro lado, no colo de um menino, tudo isso acompanhado por um meio grito abafado de susto.
    Pobre rapaz.
    Não é todo dia que uma mulher cai no seu colo.
    Aposto que ficou pensando como o mundo é injusto, e que se alguém tinha que cair sentada no seu colo, porque não alguém com uma idade mais próxima da sua, ou no mínimo mais bonita. Ele olhou assustado ao redor, obviamente sem entender nada. Acho que pouca gente entendeu o que realmente aconteceu. Pouca gente viu a mulher derrapar. A maioria só reparou quando ela estava no colo do rapaz, se levantando indignada como se tivesse sido jogada ali, e ele tivesse dado uma mão boba nela.

    Aposto que o cara também teve essa sensação.
    De que alguém tinha jogado a mulher no colo dele, quero dizer.
    Aposto que ele nem teve tempo de pensar: Epa, melhor me organizar antes que essa dona pense que eu quero tirar uma casquinha dela.

    Foi tudo muito rápido.
    Logo, a metade final do ônibus prendia o riso, enquanto a mulher olhava furiosa, como se procurasse o responsável por jogá-la no colo do rapaz.
    Voltou a se sentar do meu lado, soltando fumaça pelas ventas e analisando a todos com um olhar de: Eu não sei como mas eu sei que foi você.

    Agora compreendam porque não me atrevi a rir. Quer dizer, no suposto devaneio dela, eu seria a criminosa perfeita. Estava no ponto estratégico pra empurra-la. Não que eu tenha feito isso. Juro. Se eu tivesse planejado não seria tão engraçado.

    Mal respirei o resto caminho.
    É verdade, não ri.
    Mas passei quase 10min soltando aqueles ruídos de riso engasgado e fingindo que tava tossindo, ou algo assim.

    Coitada.
    Talvez esteja até agora tentando entender o que aconteceu.
    Ou procurando o gatinho que ela quase esmagou no Orkut.

    Vai saber?


    UPDATE via j. felipe, chato.

    Fєℓιpє. diz:
    *teu ultimo post no blog
    *tem um equívoco
    @tuila_m diz:
    *qual?
    Fєℓιpє. diz:
    *n eh gravidade
    *é inércia
    *sem contar q inércia parece nome de mulher
    *daí ia parecer q era o nome da Vítima
    *do blog
    @tuila_m diz:
    *kkkkkkkkkkkkkkkkkk
    *gravidade puxa as pessoas pra baixo
    *faz as pessoas caírem e nao flutuarem
    Fєℓιpє. diz:
    *isso quando vc n está em um corpo em movimento
    *sendo vítima do movimento q ele fizer
    *amor, foi inércia
    @tuila_m diz:
    *droga
    Fєℓιpє. diz:
    *o nerd por aqui sou eu
    @tuila_m diz:
    *ah, eu sou de humanas, felipe
    Fєℓιpє. diz:
    *por isso meu chuchu
    *eu estou na razão
    @tuila_m diz:
    *chato.
    *vou colocar lá

    Agora vocês têm em primeira mão uma amostra da chatice das pessoas.
    Mas nem a pau que eu vou mexer no título ou tirar a figura, que eu adorei, desculpa; haha.


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  7. domingo, 31 de outubro de 2010

    Quem vê meu blog uma vez ou outra na vida já percebeu que minha irmã é uma pessoa, digamos, peculiar. E que tem uma maneira, como posso dizer, diferente de ver o mundo. Sabe a Maísa? Que fala o que dá na telha? Pronto. Tenho uma criatura desse calibre vivendo comigo. A diferença é que minha irmã é bonita, desculpa.

    Então, eu decidi que para o bem de todos e felicidade geral da nação brasileira, seria uma boa ideia coletar alguns fatos interessantes e pedaços de ouro em forma de palavras que Taiane tem a nobreza de dividir com cada um de nós.
    Para tanto, usei e abusei da ajuda do meu twitter, aonde eu sempre coloco uma coisa ou outra, e que me ajudou muito a lembrar de coisas brilhantes que esta mente privilegiada decidiu me presentear.

    Vamos ao que interessa:

    Discutindo sobre determinado tema, eu digo:
    - Isso é coisa de acéfalo, Taiane.
    - Ai, burra. É incéfalo.
    - Sabe o que é acéfalo? É que não tem cérebro.
    - AH, por isso que incéfalo é que tem cérebro, porque IN é dentro. Quem não tem é outcéfalo.
    *
    silêncio constrangedor*

    -

    Taiane cozinhando:
    - Será que 3 colheres de sopa de sal já dá?
    - Quantas panelas de arroz você tá fazendo, animal!?
    - Uma, por que?
    - AI MEU DEUS!

    -

    Conhecem O Teatro Mágico? Estávamos falando sobre isso.
    Não me lembro exatamente o quê. Mas ela queria me mostrar algo, e disse:
    - Quer ver? Coloca no google.
    *digitando: teatro...
    - Ô animal, falta o acento.
    - Acento em teatro, Taiane? Aonde?
    - No A!
    *pausa*
    - Diz pra mim que você não tá falando sério.

    -

    Depois de gritar por cerca de 30min, a ponto de deixar a cadela do vizinho nervosa e chamar a atenção de metade do bairro, eu decido ir na sala, pegar a pirralha pelos cabelos:
    - Taiane, to te chamando a meia hora!
    - É que eu tava com o fone ligado.
    - E porque a TV também tá ligada?
    - Eu tou assistindo.
    - E ouvindo música?
    - Claro.

    -

    "As pessoas TOMAM ou FUMAM conhaque?"
    (MACIEL, Taiane)

    -

    A educação na minha casa funciona da seguinte forma. Minha irmã diz:
    - Volta o cão arrependido, com suas orelhas baixas,
    seu osso roído e com o rabo entre as patas. Volta o cão arrependido...
    E permanece repetindo isso loucamente. Até que minha mãe resolve se pronuncioar.
    -Repita isso mais uma vez vou te fazer falar até ficar rouca.
    A ousadia é uma coisa que impera na nossa família.
    - Volta o cão...
    - Ótimo, não pare.
    E isso rendeu por um booom tempo.

    -

    Minha irmã adora surrupiar minhas coisas. Mostrando como a discrição é uma qualidade dos glamourosos e cheios de classe, ela sai levando uma coisinha de cada vez, pra eu não
    perceber. Mas nenhum crime é perfeito.
    Tem um espelho de mais ou menos um metro de altura por uns 40cm de largura pendurado na parede do meu quarto. Taiane entra no meu quarto e tira ele de lá.
    E tem a audácia de supor que eu não vou sentir falta dele.
    O que ela acha que eu fiz com meus olhos? Guardei numa caixinha?

    -

    É de conhecimento de todos que visitam o meu blog que eu tenho algo desagradável na minha personalidade. Sou o que as pessoas costumam chamar de 'de lua', 'de fases'. E isso não é uma coisa bonita como as menininhas que escutam o refrão da música dos Raimundos e acham lindo se denominarem complicadas e perfeitinhas. Não é uma coisa boa. Taiane sabe disso melhor que ninguém:
    - Ah Tuíla, que saco, tu muda de humor toda hora,
    parece que é bi... bi... Como é o nome? BIOCIDENTAL?
    - É o que, Taiane?
    - É biocidental né? Quem tem um humor uma hora, depois
    fica com raiva? É assim né?
    - BIPOLAR, animal.
    - Ah, dá no mesmo, essa coisa de pólo, de frio...
    Tente compreender essa lógica.

    -

    Sobre ditados e expressões populares:
    - Ah mais Fulano nem chove nem fede.
    - Você quis dizer: Não fede nem cheira. Certo?
    - Qual a diferença?
    +
    - Fulana tá com o couro no dente.
    - O quê?
    - Quando alguém tá irritado. É assim, né?
    - Não seria sangue no olho?
    - Ou isso!

    -

    Alguém pergunta:
    - E o que significa halo?
    E Taiane responde:
    - Areola.
    Percebi uma coisa estranha naquela pronúncia.
    - É auréola, Taiane. Com U.
    - U? Aonde?
    Escrevo pra mostrar.
    - Nada a ver. Só falta tu me dizer que tem acento também!

    *
    silêncio constrangedor*

    -


    Tem muito mais coisa de onde saiu isso. E como graças a geniosidade mal aproveitada dela, o meu estoque não para de ser renovar, não vou postar tudo hoje.
    Mas vai ter uma continuação. Prometo!


    P.S.: A menina da tirinha é cover PERFEITO de Taiane.
    :*
    |


  8. segunda-feira, 25 de outubro de 2010

    Adivinhe onde eu estava:

    a) no ônibus
    b) na parada do ônibus
    c) chegando na parada do ônibus
    d) correndo pra pegar o ônibus

    Acertou quem escolheu a alternativa a). Eu estava, que inusitado!, dentro do ônibus, voltando pra casa depois de uma manhã de sofrimento na universidade. Vinha de péssimo humor. Provavelmente, meu erro foi deixar o universo perceber isso.
    Uma pessoa de mal humor não pode ser deixada em paz, - pensaram - nem pode ter seu dia melhorado. Vamos mostrar a ela como as coisas sempre podem piorar!
    Então aconteceu.
    Tinha uma moça na minha frente. Ela tinha o cabelo ENORME. Enorme e fora de controle, se espalhava por todo o banco e se esparramava por trás, fazendo cosquinha no meu joelho. E eu não tinha pra onde me esquivar dele. Eu estava concentrada em fugir daquilo quando, sem que eu pudesse perceber, um cisco, vindo sabe-Deus-de-onde voou diretamente no meu olho esquerdo.

    Pulei da cadeira e soltei algo parecido com um guincho. O rapaz sentado do meu lado se assustou comigo, e se levantou. Me conforta acreditar que aquela era a parada dele em todo caso, e ele ia descer ali, quer eu tivesse um ataque ou não. Mas não consigo deixar de pensar que ele foi encorajado pelo meu pequeno surto, e que não se sentiu mal ao deixar o lugar.
    E eu não o culpo.

    Voltando.
    Aquela coisinha me acertou em cheio. Meu olho ardia. Eu tentei esfregar, mas só ardia mais. A dor me distraía de pensar em alguma solução mais lógica, e me impedia de parar de me comportar como uma louca.
    Pensei em pedir a Rapunzel na minha frente para soprar o meu olho. Graças a Deus tive presença de espírito para perceber que seria uma estupidez sem precedentes.
    Pensei em perguntar se alguém ali não teria, por favor, um pouco de água para me emprestar. Mas não seria higiênico. Sabe-se lá a procedência da água? Não se pede água a estranhos.

    Eu já não enxergava nada. Tudo estava embaçado, porque meu olho esquerdo lacrimejava demais, e o direito, provavelmente protestando, não trabalhava muito bem. Percebi minha parada se aproximando e desci sofridamente.

    A distância dali até a minha casa não é muita. Mas parecia uma viagem, especialmente pelo fato de que eu já não enxergava absolutamente nada. Chorava pelo olho esquerdo com se tivessem atropelado o cachorro que eu não tenho [não tenho coragem de citar os porquinhos da índia aqui, seria muito cruel], e a dor me fazia perder a noção de espaço.

    - MEU DEUS, essa porcaria vai infeccionar! Que merda será essa que caiu no meu olho? E se for um inseto? Não pode ser só poeira. No mínimo uma pedra. Cara, isso tá doendo muito! Ai, meu Deus, e se eu ficar cega? Deus, eu não posso ficar cega de um olho, eu não tenho coordenação motora nem quando posso usar os dois, imagina o desastre... *PUF - tropecei* Tá vendo??? Tá vendo?? Eu não consigo viver... *PUF - tropecei de novo* Ok, chega, já deu pra entender... *PUF - mais uma vez*...

    E foi assim minha caminhada até em casa, tropeçando a cada 5m mais ou menos, e cambaleando como uma bêbada. Me surpreendo como ninguém me parou pra perguntar se eu estava bem, se estava passando mal, se tinha levado um tiro na cara, e por que, pelo amor de Deus, eu estava chorando.

    Acho que a rua estava vazia.
    Não sei direito, porque não estava vendo muita coisa.

    Cheguei em casa, bati no portão.
    Bati outra vez.
    Esperei.
    Mas que merda, cadê o porteiro?
    Esfreguei os olhos. Vi uma mancha. Só podia ser ele.
    O porteiro me olhava confuso, provavelmente dividido entre o impulso de me perguntar se eu queria uma ambulância ou rir da minha cara.

    Entrei.
    Não queiram saber o terror que foi achar o chaveiro na bolsa, encontrar a chave certa, enfiá-la no buraco da fechadura e entrar em casa.
    Mas eu consegui.

    Corri até o banheiro e joguei água nos olhos. O ardor foi diminuindo, aos poucos. As coisas ficaram menos embaçadas. Olhei pela pia, procurando o inseto ou projétil que esteve no meu olho todo esse tempo. Nada. Nada digno de ser visto.
    Me olhei no espelho. Parecia uma vítma de sequestro, ou sobrevivente de um naufrágio.
    Triste.

    Mas espere...
    Eu consegui ver meu reflexo.
    O que só significava uma coisa: Tudo estava bem.
    Todo aquele desespero havia se resolvido da maneira mais estúpida possível.
    O universo só queria que sofresse um pouco.

    Lição do dia: Não ande de ônibus, enquanto puder evitar.
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  9. segunda-feira, 18 de outubro de 2010

    Totalmente não importante.
    Mas o blog é meu e eu quero falar sobre mim aqui, porque eu sou uma pessoa absurdamente egocêntrica e chata, e não tenho nada melhor pra fazer.

    1. Adoro meu cabelo cacheado.
    Alisei uma vez porque pegaram no meu pé pra isso. De modo que eu pensei, é, porque não? Afinal, a quantidade de pessoas que alisam seus cabelos é tão assustadora que não é possível que seja uma coisa tão ruim. Então alisei. Não foi uma coisa ruim. Era prático, e até bonito. Mas era muito... comum. Foi bom no começo porque todo mundo ficou: Oh, como tá diferente, tá lindo.
    Mas depois eu abusei. Deixei a raíz crescer e cortei. Resultado: fiquei com o cabelo minúsculo e enrolado outra vez. Foi quando eu percebi o quanto sentia saudade dos meus cachinhos. Agora, pareço um poodle.

    2. Fiz quase 3 anos de aula de piano.
    Juro.
    Eu era uma criança cult.
    Eu gostava muito, mas eu era muito nova também. Por muito nova, entenda: Muito irresponsável.
    O lugar onde eu fazia aulas cobrava um bocado da gente, e eu comecei a ficar meio surtada com isso. Ficava até tarde com estudando as partituras e cantando baixinho pra não fazer feio na prova prática diante da banca de professores. Imagine o que é isso pra uma menininha de 10, 11 anos? Era pressão psicológica pesada.
    Então, eu cheguei na minha mãe um belo dia, e disse a ela que não queria mais fazer aula de piano. Embora aquilo partisse meu coraçãozinho.
    Sei lá se eu devia ter desistido, ou retomado. Hoje não tenho mais tempo pra isso e tudo que me lembro são uma ou duas sequências que eu fazia pra descansar a mão. Mas eu parei de surtar de madrugada e ter pesadelos com um dos professores jogando as teclas do piano na minha cabeça.

    3. Tenho problemas com as variações do meu humor.
    Irrito as pessoas e sou desagradável com isso, mas é impossível mudar. Acordo feliz e viro monstro por causa de uma brisa que bateu no meu rosto de um jeito que eu não gostei. Uma conversa, uma música, uma balançada mais brusca no ônibus, tudo é motivo pra estragar o meu dia. Do mesmo jeito que um chocolate, uma piada, um livro, ou a cara de alguém pode me fazer rir como se não houvesse amanhã.
    É bom e é ruim.
    Quem convive simplesmente aprende a viver com isso.
    Mas eu forço o bom humor, na maior parte do tempo. Porque devido a agressividade que eu mantenho reprimida em mim, eu seria capaz de arrancar com uma pinça os cabelos de alguém que me desagradasse num dia ruim.

    4. Sempre quis fazer judô.
    Minha mãe nunca deixou. Dentre as muitas desculpas que ela me dava, acho que ela tinha medo de que eu saísse agredindo todos os meus coleguinhas por pura diversão, devido à, como já citei, toda agressividade que existe em mim, e que ela, como boa mãe, sempre conheceu muito bem.
    Mulher sábia, minha mãe. Muito sábia.

    5. Queria ser meteorologista quando crescesse.
    E cheguei a conclusão de que nunca vou crescer. Tenho um metro e meio e sempre terei, como um bom hobbit deve ser. [Nerd ON]
    Mas quando eu era criança, eu achava que bastava prestar atenção na direção que o vento estivesse soprando, olhar pro horizonte, dar aquela sacada na situação das nuvens e dar o veredicto: Vai chover.
    E pronto.
    Achava que eu seria uma meteorologista maravilhosa por ter percebido isso sozinha, tão jovem. "Pra quê as pessoas estudam? Que tontas. É tão óbvio."
    Como eu era inocente.

    6. Tenho fobia de agulhas.
    Desagradável.
    O sangue foge da cara e o coração acelera só de pensar que vou precisar tirar sangue ou tomar uma vacina.
    A última vez que tomei uma vacina, acho que tinha 10 anos de idade. Tirei sangue duas vezes, na minha vida todinha.
    Tive uma reação alérgica a um remédio uma vez, e minha garganta começou a fechar. A tia do hospital botou soro na minha veia e tascou uma injeção. Como eu mal conseguia respirar, avalie protestar, deixei. Resultado: minha vista escureceu, e eu comecei a me tremer toda. A enfermeira achou que era frio. Jogou duas colchas em cima de mim. Uma delas era... felpuda. Tenso.
    Mas não adiantou. Continuei tremendo loucamente. A tia teve que colocar algum remedinho misturado no soro, de modo que não só eu parei de tremer como fiquei o resto da noite na lombra. Foi delicioso. Devia ter pensado em pedir um pouco daquilo aquela moça. Brincadeira.

    7. Gosto de empilhar livros.
    Bob diz que eu tenho problemas, e que teria medo de morar comigo e um dia acordar no meio da noite e me ver tirando os livros da prateleira, separando em categorias incompreensíveis, juntando, separando, empilhando e guardando tudo de novo.
    Mas não há motivo para pânico.
    Mais ou menos a cada 15 dias, ou uma vez no mês, eu adoro tirar todos os meus livros da prateleira [não que sejam muitos, mas mesmo assim], separar por autor, ou série, ou cor, ou tamanho, olhar todos eles com um olhar maravilhado, chorar de emoção, dar amor, carinho e afeto, e depois colocar de volta no lugar. Não que eu seja louca. Não sou, eu acho. Mas só faço isso porque eles ficam numa prateleira do meu guarda-roupa e eu tenho medo que pegue mofo ou algo do tipo neles, de modo que eu tiro pra arejar um pouco. E porque eu gosto de empilhar.
    Ok, talvez eu seja louca.

    8. Queria ter um porquinho da índia.
    Mas minha mãe acha que eu sou louca por querer ter um porco em casa.
    Eu disse a ela que um porquinho da índia é um roedor e não um porco propriamente dito.
    Ela continua achando que sou louca.
    Que culpa eu tenho? Acho os porquinhos da índia os animaizinhos mais lindos do mundo. E corro o risco de parecer uma surtada falando isso. Mas é mais forte do que eu.
    Quer me fazer feliz? Me dê um porquinho da índia.
    E arrume um jeito de impedir que minha mãe o expulse de casa. Nós dois, aliás. Eu e o porquinho.

    9. Tenho uma queda por gente inteligente.
    Isso não quer dizer que eu me apaixone por qualquer cara metido a nerd.
    Significa que eu gosto de ouvir gente inteligente falando. Ou ler o que escrevem. Mesmo que eu me sinta um animal irracional, ou um porquinho da índia de roupinha quando isso acontece. Mas pessoas inteligentes me tranquilizam. Me dão a sensação de que existe solução para a vida, o universo e tudo mais.
    Uma vez eu sentei atrás de dois caras no ônibus. Não lembro exatamente sobre o que eles estavam falando. Só sei que elogiavam uma terceira pessoa, que tinha escrito algo sobre algum assunto que eles gostavam. E falaram tão bem do tal texto da tal pessoa que eu virei fã dela sem nem ao menos ter visto. Desenvolvi uma paixão pela criatura. E olhe que nem lembro o nome.
    Ainda bem, porque provavelmente eu colocaria o nome no google para achar a tal pessoa e ia perseguir loucamente por aí gritando, EU SOU SUA FÃ, até ser presa por isso.
    Brincadeira. JURO.

    E com essa lista corro o risco de ser encarada como uma maluca problemática e assustadora e perder todos os poucos leitores do meu blog.
    Mas a vida é assim mesmo.
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  10. segunda-feira, 11 de outubro de 2010

    Um dia, quando acordou, o sol já ia alto e estava quente. Olhou ao redor no quarto vazio e brigou para pensar. Fosse quem fosse que estava brigando com ela, era bem forte e ganhou aquela. Deixou seu corpo ficar largado na cama, olhando o teto branco. Branco, exceto por aquela mancha esquisita no canto esquerdo. Nunca soube o que raios era aquilo.

    Provavelmente porque não tinha importância alguma.
    Esse era o seu normal. Buscando qualquer tipo de futilidade para desviar sua atenção do óbvio. Fazia isso com tanta frequência que deixara de ser uma defesa para ser o seu normal. E a pior parte: aquele tipo de normal incomodava.

    Levantou, afinal.
    Abriu a janela e deixou o barulho da rua entrar. O barulho entrou no quarto, fugiu pro resto da casa e pra dentro da sua cabeça. E tudo virou barulho lá dentro, fazendo pensar em como seria bom sair, andar um pouco, ver o sol e sentir um vento na cara. Foi pra cozinha pensando nisso.

    Fez café.
    Comeu.
    Escovou os dentes.
    E teve preguiça.

    A ideia de andar desapareceu como se nunca houvesse estado ali.
    E ela tratou de não procurá-la mais.
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  11. sexta-feira, 1 de outubro de 2010

    Destruída, deprimida, irritada e de TPM: foi assim que eu acordei hoje.
    Eram 6 e meia da madrugada. O despertador gritava no meu ouvido como se a casa tivesse pegando fogo. Só pra deixar claro, não estava.

    Abri os olhos com muito esforço e pensei:
    "Eu não preciso levantar. Quer dizer, eu não preciso encarar ninguém esta manhã. Posso ficar aqui e dormir até que algum familiar meu volte pra casa e jogue água na minha cama e me chame de folgada. Mas isso demoraria umas 6h pra acontecer. E daí que eu levaria 4 faltas em uma única cadeira..."

    O último pensamento me fez levantar.
    Fiz todas aquelas coisas que a gente faz quando acorda. Não vou descrever meu café da manhã ou minha higiene pessoal, isso não teria graça. Mas basta deixar claro que fiz tudo isso com um mau humor que meteria medo em 90% das pessoas que eu conheço.

    E então começaram minhas desventuras em série.

    1. Cadê meu fone de ouvido?
    Depois de estufar minha bolsa-sacola-poço sem fundo de coisas absolutamente desnecessárias, passou pela minha cabeça pegar logo o fone de ouvido. Bom, ele não estava na bolsa.
    Não estava no computador. Nem no meu quarto. Nem na sala, no quarto da minha mãe, muito menos na geladeira. O que me levou ao único lugar onde ele poderia estar: O quarto da minha irmã.

    Taiane ri na cara do perigo. É sério. Aqui em casa tem uma média de uns 30 fones de ouvido. Apenas o meu funciona. Considerando que eu pego uma hora de ônibus pra ir e outra pra voltar da universidade, eu sou a pessoa que devia ter preferência no uso do fone. Principalmente pelo fato de ele ser meu, o que eu acho que conta muito.

    Não estava no quarto dela. Estranho.
    Até a resposta pra esse enigma brilhar na minha cara:
    AQUELA MONSTRINHA LEVOU MEU FONE PRA ESCOLA.

    Quando isso me ocorreu, contei até dez e saí.
    Mas quando ela chegar em casa, estarei na porta, esperando.
    Com um punhal na mão.

    2. A nova parada de ônibus não fica mais na frente do bar.
    Fica num terreno baldio.
    NO SOL.
    No bar tinha bêbados. Mas também tinha sombra.

    Nada mais a falar sobre isso.

    3. Na segunda parada de ônibus:
    Cheguei nela umas 7 e 15.

    Hoje até o clima tava sacaneando comigo.
    Um calor from hell, me consumindo e me irritando, e me dando a sensação de que a qualquer momento eu ia começar a arder em chamas como aquele pirralhinho encapetado dOs Incríveis.
    Eu tava tão desesperada de raiva, TPM, calor e mau humor [mistura explosiva, run to the hills] que tava me controlando pra não gritar e arrancar os cabelos.
    Mantive a pose.
    Os óculos escuros ajudaram. Eu parecia apenas antipática.


    7:20.
    Nada do ônibus
    7:25.
    7:30.
    7:40
    Ah, motorista, queria ter uma arma. Atolava teu ônibus de bala assim que ele aparecesse na esquina e iria pra casa andando.
    7:41 - Surge o ônibus.
    O motorista não sabe como escapou por pouco.

    4. Como os meus professores zoam da minha cara.
    O ônibus já ia na metade do caminho.
    E embora eu não tivesse fones de ouvido para curtir um pouco da paz e da tranquilidade das minhas músicas que me impediriam de ouvir a voz de alguém, ou qualquer outro ruído da rua, e ter um colapso nervoso, eu estava relativamente calma.

    O celular toca. A seguinte conversa se segue:
    - Oi Gabi - eu disse.
    - Tuíla, você tá aonde?
    Deu merda, pensei, ou a professora tá na sala fazendo chamada e eu levei falta, ou...
    -
    Na metade do caminho, por que?
    - Faça meia volta. Não vai ter aula.

    Não me pergunte o que eu falei.
    Não me pergunte que pragas gritei, de que chamei a professora, eu não sei.
    E dá licença, eu estava no limite da razão humana, qualquer pessoa que respirasse de maneira incômoda num raio de 5m de mim, eu seria capaz de esquartejar usando apenas uma faca de pão, imagina saber que todo esse sofrimento foi em vão?

    A única coisa que eu conseguia pensar era:
    POR QUE, PELAMORDEDEUS, EU NÃO ESCUTO OS MEUS INSTINTOS?

    Desci do ônibus.

    5. BÔNUS EXTRA: A volta.

    Peguei o ônibus mais lotado ever, cheio de tias gordas e ousadas que acham que por serem gordas merecem o direito de passar por ali como se estivessem caminhando da sala pro quarto, no maior conforto.
    Dá licença, minha senhora? Nem uma anoréxica passaria por este espaço em paz, avalie a senhora! Aonde você quer que eu me encolha pra você passar? No colo deste moço? Desculpa, mas não é assim que a banda toca. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, embora, pelo olhar comedor de alguns cidadãos aqui presentes, seja exatamente isso que eles gostariam que ocorresse.

    Cheguei em casa.
    Viva, na medida do possível.



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  12. quinta-feira, 30 de setembro de 2010


    Um dia todos olham pra trás.

    Certas coisas incomodam
    Outras são boas de lembrar.

    Mas quando bater a dúvida:
    Será que eu podia ter feito mais?
    Ou pensado um pouco antes de fazer?

    Essa ideia vem junto com mau humor.
    Na maior parte do tempo
    Eu acho mais fácil deixar o sol bater no meu rosto
    Como se não houvesse amanhã.


    - TM.
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  13. quarta-feira, 15 de setembro de 2010

    Quando eu ando na rua, faço questão de não ser simpática.
    Aliás, faço o maior esforço do mundo pra todo mundo que me olhar, mesmo que de longe, sinta cheiro de mau humor e perceba que eu não sou uma pessoa de bem.

    Eu sou.
    Mas isso não vem ao caso.

    O negócio é que as pessoas continuam me olhando e pensando que eu sou legal. Olham pra mim como se tivesse escrito na minha testa:
    "- Oi, eu sou um amor de pessoa, adoro conversar e interagir com pessoas que eu não conheço. Por favor, fale comigo!"

    QUAL O PROBLEMA DESSA GALERA?
    Se vocês, pessoas do ônibus, não me conhecem, nunca me viram na vida, entendam uma coisa:
    Eu não quero que me achem legal, não quero que conversem comigo, contem sua vida e perguntem da minha. Não tem coisa mais desagrádavel do que alguém que nunca te viu e não sabe nada sobre você tentando puxar conversa. Em especial quando é dentro do ônibus.

    Quando eu pego ônibus, boto o fone de ouvido, mesmo que nada esteja tocando, e óculos escuros. Tenho uma teoria que afirma que as pessoas se sentem desencorajadas a falar com você quando você usa óculos escuros. Eu, pelo menos, reforço minha cara de antipática. Se isso não funciona, posso usar a desculpa do fone e fingir que não ouvi.

    Suspeito que toda a situação ocorreu porque eu não estava com meus óculos.
    Nesses dias, estava voltando pra casa. Entrei no ônibus carregando:
    1. Minha bolsa gigante, atolada de papéis e coisas inúteis [por que, santo Deus, eu não arrumo uma bolsa menor?]
    2. Caderno
    3. Pasta
    4. Celular [tanto ele quanto o fone de ouvido estavam nas últimas, então se eu não segurasse até encontrar um canto pra me acomodar, ele ia parar de tocar]

    Infelizmente, o ônibus tava cheio. Sofri pra me equilibrar e me segurar em algo. Até que um cara sentado na cadeira da janela me olha, dá um sorriso escancarado e pergunta se eu quero que ele segure meu caderno e a pasta.
    "Ufa, alguém educado." Algumas pessoas simplesmente olham você passando sufoco, desbancando as árvores de natal no quesito 'coisas penduradas', e nem se incomodam em dizer: "Quer que eu segure seu caderno, pra que você possa manter o mínimo de equilíbrio necessário para não cair, bater a cabeça em alguma quina e morrer?"

    De modo que entreguei as coisas ao cara.
    GRANDE ERRO.

    O moço pelo jeito compreendeu aquilo como um: "Oi, gato, conversa comigo."
    Posso só dizer o quanto eu não queria conversar?
    Eu REALMENTE não queria.

    Pra começar, ele ousadamente começou a analisar a parte transparente da minha pasta e a ler o que tinha em um dos papéis lá dentro. Foi quando o alarme soou na minha cabeça.
    "Epa, epa. Qual é a desse animal?"

    - Você faz administração?
    Tirei o fone de ouvido, já abismada com a ousadia dele.
    - ...o quê?
    - Você faz curso de administração?
    - Anh, não. Psicologia.
    OUTRO GRANDE ERRO.
    Por que motivo estúpido eu disse a ele o meu curso??
    - Ah, Psicologia, que bom. É que eu faço administração, na faculdade xxxxxx*, e aqui nesse papel tem escrito meu nome, eu me chamo xxxxxx*.
    "Certo, seu xxxxxx*, mas isso não é seu." pensei. Permaneci calada.
    - Em Campina Grande, psicologia é saúde, aqui é o quê?
    - ...humanas.
    - Ah, humanas, lá é saúde, não sei por quê, na maioria das universidades é saúde, por que aqui é humanas?
    Ele falava tudo como se tivesse um motor na língua. E um sorriso que me fazia temer que ele engolisse as próprias orelhas.
    - ...não sei.

    Nesse momento, o cara que tava sentado ao lado dele, na cadeira do corredor [eu tava em pé], cometeu o ato mais cruel que alguém poderia fazer. Levantou da cadeira, me deu um sorriso e disse:
    - Senta aí.
    - Nãããão, que é isso? Não precisa, obrigada.
    Ele não me deu ouvidos. Levantou-se e foi para a parte da frente do ônibus ficar em pé. Sentei, constrangida. Ficar em pé no ônibus lotado era melhor que ouvir aquele cara falar. Olhei pro cara, lá na frente. Ele baixou a cabeça e predeu o riso.
    ELE TAVA RINDO DE MIM.
    Não posso culpá-lo, minha situação era ridícula.
    Miserável.

    O tio continuou falando.
    - É, pois é. Sabia que vão construir uma rua ali, daquele outro lado? Vai ficar muito mais fácil pegar daqui direto pra xxxxxx* sem precisar rodar tanto, né?
    - ...unhum.
    - Essa área aqui é de preservação, sabia? Um xxxxxxx* meu comprou um terreno ali perto de xxxxxx* por 40mil reais, e eu disse, cara, tu foi roubado, um terreno desses por esse preço?...
    Nada, NADA, era capaz de fazê-lo parar. Eu tava com um fone de ouvido ainda, fazendo cara de tédio, respondendo monossilabicamente e nem assim ele calava a boca! O que dava pra fazer? Segurar a língua dele, cortar fora e jogar pela janela do ônibus em movimento gritando: "THIS IS SPARTA, AGORA FIQUE QUIETO."?
    - ...hm.
    - ... E tem gente que ainda cai nessa, acredita? Não é posssível que achem mesmo que xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx*...

    Minha parada surgiu.
    - Tchau.
    Desci do ônibus EXCESSIVAMENTE desconfiada, com medo de aquela figura bizarra descer do ônibus, me seguir até em casa e me dar umas facadas e gritar: "E OLHE PRA MIM QUANDO EU ESTIVER FALANDO COM VOCÊ!".
    Mas o Universo não faria tanto esforço assim pra a acabar com minha paciência, não é possível.




    *Coisas que ele falou e eu simplesmente não lembro porque tava pensando em como me livrar dele.
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  14. sexta-feira, 3 de setembro de 2010



    Eu não escrevo por obrigação.
    Já tenho coisas suficientes na minha vida pra fazer por obrigação. Escrever não é uma delas.
    Não me sinto bem me forçando a fazer isso. Dá pra notar, porque o blog, por exemplo, fica bons dias sem atualizações. Porque eu simplesmente não quero escrever.

    Ou não tenho tempo. O que acontece com frequência.

    Outras vezes porque o que eu quero escrever não se encaixa com a proposta do blog, que é contar uma ou outra história bizarra da minha vida, ou uma ou outra história que eu invento mesmo. Antes, quando o blog tinha cerca de nenhuma visita por dia, eu escrevia o que queria. Eu sabia que ninguém ia ler.
    Hoje não faço mais isso.
    Penso muitas vezes antes de postar algo. E as vezes posto e releio e penso: Meu Deus, que merda.

    Eu não deveria me importar. O blog não deixou de ser o meu lugar de soltar o verbo.

    Devido ao meu humor enlouquecidamente inconstante, não tenho a ousadia de dizer que acordei de mau humor. Na verdade, pra ser específica, hoje eu acordei ousada [ui], com uma idéia fixa na cabeça que morreu antes das 9h da manhã. Pra variar.
    Mas neste momento, falo com propriedade e segurança que estou reflexiva.
    É bem verdade que eu não sei muito bem sobre o que refletir; normalmente, minhas reflexões me deixam:

    1. Irritada
    2. Deprimida
    3. Com fome

    Como todos saíram, e eu tive que inventar uma janta, que foi bem precária devido aos meus dotes culinários, vale salientar, não estou em condições de provocar mais fome do que o mundo é capaz de saciar. Logo, não quero refletir.
    Quero descansar...

    O que você faz quando precisa esvaziar a cabeça?
    Não, você não pega um baseado, que isso faz mal, fede e queima neurônios.

    Você joga.
    De preferência, algo bem bobo, que é pra não ter que pensar demais.

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  15. quinta-feira, 26 de agosto de 2010

    Chama-se conspiração.
    E não digam que eu estou louca. EU NÃO SOU LOUCA.
    As linhas de ônibus dessa cidade CONSPIRAM contra mim, sem dó nem piedade!

    Eu pego dois ônibus para ir da minha casa até praticamente qualquer canto da cidade. Ontem, quando tava voltando pra casa da aula, faminta e cansada, dei a sorte de o ônibus aparecer quando eu cheguei na parada. Pensei:

    - Nossa, nem tudo está perdido. Então eu não sou tão azarada assim.

    Tolinha.
    Peguei o primeiro ônibus, em paz.
    Desci para esperar o segundo, que, miraculosamente, apareceu rapidinho.
    Estendo o braço. Para o ônibus.

    Notei que algo não corria bem porque a porta da frente, por onde saem as pessoas, se abriu, como deveria fazer, e as pessoas saíram.
    Já a porta de trás não se abriu para que as pessoas pudessem entrar, de modo que eu e mais duas pessoas ficamos parados esperando que alguém se compadecesse e abrisse aquela porta. Do outro lado do vidro, eu pude vê-lo.

    Não gostei da cara de primeira. Era cara de encrenca. Cerca de 1,60m, velho, e tinha aquele bigode.
    NUNCA esquecerei aquele bigode.



    Era grande e escuro, e quase cobria a boca dele, e me dava a sensação de que ali existiam animais e plantas desconhecidos pelos cientistas, um bioma inteiro. E que a qualquer momento, um daqueles animais mutantes e pré-históricos saíria dali e morderia alguém. Digo isso porque combinava com o olhar psicótico que o dono do bigode me lançava através daquele vidro.

    A porta se abre.
    O cobrador e seu bigode parecem ainda mais assustadores.
    Entro no ônibus, passo o cartão.

    PASSE LEGAL um caramba.
    Não tem nada de legal naquele cartão.
    Minha irmã já teve bem uns 15 deles, porque eles sempre dão defeito, não importa o quão novos e bem cuidados eles sejam. Cuido muito bem do meu cartão, porque sem ele, pagaria 4 reais de ônibus pra ir e voltar da universidade, e não os 95 centavos que pago atualmente. E isso, caros amigos, seria o meu fim.
    Mas o meu cartão já deu chiliques suficientes para eu aprender todos os truques que os cobradores amigos usam para fazê-lo funcionar quando isso acontece.

    Aquele cobrador definitivamente NÃO era amigo.
    Quando o cartão surtou, ele não fez nada além de me olhar psicoticamente e, eu me arrisco a dizer, com um certo ar de satisfação.
    Desagradável.
    Com um caderno e uma pasta nas mãos, e uma bolsa onde caberiam dois cachorros, uma pessoa e um pacote de doritos pendurada no braço, entortei meu cartão para todos os lados, do jeitinho que os cobradores amigos faziam pra ele funcionar. Nada.
    Saí da frente e deixei que os dois coitados atrás de mim entrassem.
    Os cartões deles funcionaram rápida e tranquilamente.
    Tentei outra vez. Nada.
    O ar de satisfação do cobrador.
    Torturante.

    Perdi meu senso de economia. Catei a minha preciosa notinha de 2 reais e larguei no bigode do cobrador. Ele me deixou passar.
    Fui pra casa furiosa.
    APOSTO que aquele miserável com aquele bigode miseravelmente nojento não apertou o botãozinho que libera a passagem de estudante.


    Hoje foi um dia de sol.
    Minha mãe me acordou (teoricamente) de 6 e meia. Teoricamente, porque eu ouvi, mas não processei. Dormi até as 7h. O que foi um problema, porque 7h é a hora que eu saio pra a parada de ônibus.
    Triste.
    Troquei de roupa correndo, não comi, escovei os dentes e fui pra parada.
    Eu tava chegando lá, quando vejo meu ônibus indo embora.
    Juro, que na hora, meu primeiro impulso foi sentar e chorar. Chorar até me desmanchar em lágrimas e me juntar a uma das muitas poças que molhavam minhas havaianas devido as chuvas loucas que caem. DEPRIMENTE.

    Mas prossegui, firme e forte.
    Coisa de meia hora, e o ônibus aponta no horizonte. Dei um sorriso e abri a bolsa.
    O MEU CARTÃO NÃO ESTAVA LÁ.

    Toda força e firmeza me abandonaram naquele momento.
    Voltei pra casa, decidida a pegar a segunda aula, de 10h.

    Para concluir, só tenho uma coisa a dizer:
    O ônibus que peguei, mais tarde, era O MESMO da véspera. Com O MESMO cobrador bigodudo. Que me olhou estranho.
    E te digo mais: meu cartão funcionou DE PRIMEIRA!
    NOS DOIS ÔNIBUS.

    Quando eu pegar aquele cobrador bigodudo, encho ele de porrada e raspo aquele bigode com uma pedra.

    JURO.
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  16. quarta-feira, 11 de agosto de 2010

    Tenso começar um post com esse título. Eu ficaria receosa de ler.
    Mas algumas pessoas não merecem ser chamadas de idosos, nem muito menos merecem qualquer tipo de respeito.

    Era um domingo a tarde. Como seria de se esperar, os bares da cidade estavam todos apinhados de gente, porque uma pessoa que gosta de ir a um bar beber, não perderia a oportunidade de fazer isso num domingo a tarde. E mais, era dia de jogo. Corinthians x Flamengo.

    Aproveito a oportunidade pra dizer que quem quiser fazer piadas com a marginalidade da torcida do flamengo, divirta-se. Mas quem falar do meu time, faça a gentileza de se retirar do meu blog, senão eu vou te perseguir e mandar a galera do ghetto acabar contigo, mano.

    Brincadeira, eu levo na esportiva.

    Bom, enfim. Eu detesto bares.
    Detesto bares por um motivo bem simples. Eles contém bêbados chatos.
    Acho que se eu detesto bêbados chatos o problema é meu, e eu que não deveria me aproximar de bares. Afinal, o bar é o habitat natural do bêbado chato e se eu me aproximo de um bar, eu sou a intrusa, certo?

    Estaria maravilhosamente certo se a parada de ônibus não fosse na frente do bar.
    E eu precisava pegar o ônibus.

    Gostaria de descrever a minha situação naquele momento, que eu creio que justifica qualquer reação minha:
    Eu tava doente. Uma crise de sinusite miserável, que mais tarde, naquela mesma noite, me arrastou para o hospital e me obrigou a tomar uma nebulização e uma injeção. TENSO. E eu tinha dormido muito pouco na noite anterior.

    Eu tava de péssimo humor.
    Seria capaz de arrancar a cabeça de alguém com uma lixa de unha e sair correndo pela rua e gritando This Is Sparta. E sem me sentir culpada por isso.
    Sentei na parada de ônibus. Olhei o horizonte. Nada de ônibus.

    Um velho se aproximou. Arredondando pra menos, ele tinha uns 60 anos.
    Eu tava espiando pra dentro do bar, admito. Eu precisava ver o jogo. Lembro que quando o velho entrou no meu campo do visão, eu tava refletindo sobre o que leva alguém a desenhar uma blusa amarelo-banana e azul cobalto pra um time reconhecidamente vermelho e preto. Ao menos o meu time, quando inventou aquela da blusa roxa, tinha um bom motivo e ao menos as nossas cores oficiais são preto e branco. É bem mais aceitável, todos têm que admitir. Quando eu vi o flamengo entrando em campo com aquela camisa, pensei que era alguma piada e que o Casseta e Planeta tava colocando o Tabajara Futebol Clube pra zoar comigo.

    Voltando ao velho.
    Sou desconfiada. Quando percebi aquela figura sentada nas redondezas e me olhando com um sorriso desagradável e vazio no rosto, um alarme soou na minha cabeça.
    Alguém iria me incomodar.

    Dito e feito.
    O velho olhou pra mim e soltou a seguinte frase, me envolvendo num bafo de cachaça, dor e desespero:
    - QUÉ UMA CERVEJINHA?

    *pausa pra vomitar*
    Sério, sério mesmo. Eu tenho cara de alguém que vai aceitar o convite de qualquer velho bêbado, fedorento e descarado pra TOMÁ UMA CERVEJINHA? Nesses dias o twitter me deprimiu com aquela porcaria de Who To Follow. Fiquei refletindo sobre o tipo de imagem que passo, para eles me sugerirem aquelas pessoas desagradáveis especificamente. Agora percebo que não só passo uma imagem duvidosa para o Twitter, como também para os velhos bêbados e fedorentos que estão desabados nos bares da vida.

    Nem vou especificar aqui as respostas que me passaram pela cabeça na fração de segundo antes de eu falar algo. Mas vale a pena dizer que eu vizualizei aquela criatura correndo pelo bar em pânico, fugindo de mim e gritando: ERA BRINCADEIRA, ERA BRINCADEIRA.

    Mas eu só respondi: Não.
    Ao que o velho respondeu: OXEE, PURQUÊ ELA TÁ TÃO BRABA?
    Se eu vivesse numa história em quadrinhos, o balão do velho sairia assim mesmo.

    Ignorei.
    Ele ainda repetiu umas 3 ou 4 vezes se eu queria uma maldita cervejinha. Passei bem perto de dizer a ele o que ele poderia fazer com a garrafa da cervejinha. Mas me contive.
    Não se dando por vencido, aquela criatura absurdamente irritante, tenta outra estratégia:

    - QUÉ UM REFIGERANTI ENTÃO?
    Olhei pra ele como se ele fosse uma bicicleta que tinha começado a falar, de tão surpreendente que tudo aquilo era.
    Sério, qual a idéia dele? Me pagar um refrigerante e garantir uma noitada? EU TENHO CARA DE QUEM SE VENDE POR UM REFRIGERANTE? Porque se por alguma infeliz piada do destino, algo em mim levar a crêr que eu me venderia por um refrigerante pra um velho tarado num bar, por favor, alguém me dê um tiro.

    Respondi um Não entre dentes trincados e implorei aos céus que mandassem o meu ônibus. Nem precisava ser o meu. Eu pegaria qualquer qualidade de ônibus naquele momento. Mas nenhum passava. Aposto que os motoristas de ônibus estavam todos escondidos na esquina querendo ver o quanto eu iria me ferrar com aquilo tudo.
    Ou não.

    Mas o velho tarado não se contentou. Repetiu a infame pergunta do refrigerante umas 3 vezes. Como eu continuava ignorando-o com todas as minhas forças, ele resolveu me cutucar. Estirou aquele bracinho magrelo consumido pelo álcool, cigarro e sabe mais que outros tipos de drogas, e cutucou a minha perna.

    JURO, que visualizei o quanto seria divertido arrancar o braço daquela alma sebosa enviada unicamente pra me tirar a paz, e bater no imbecil com o ele, até ele clamar por misericórdia. Pensei também em como seria gratificante derrubar aquela mesa de plástico fedorenta cheia de latas no chão e gritar como eu estava irritada, estressada, cansada e doente e como seria capaz de trancar uma pessoa numa salinha de 2m² com sistema de camêras de video e um patinho de borracha e deixá-la por umas duas semanas ali dentro e ficar assistindo enquanto comia doritos com coca-cola, sem sentir remorso.

    Mas tudo o que fiz foi bater com toda a minha força no banco onde eu tava sentada, há 3cm da mão do velho e falar com a voz do Gollum: Nããoooo encoste em miiiim...

    O velho tomou um susto tão grande que encolheu o braço, e ficou sentado na cadeira repetindo baixinho: Elá tá braba mermu.

    Meu ônibus surgiu e eu fui embora. E não agradeci ao motorista.

    .
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  17. segunda-feira, 9 de agosto de 2010

    Gabi me lembrou, esse fim de semana, da história que eu não tinha terminado de postar.

    Segunda parte aqui.

    -

    Todos os amigos reunidos, conversando e comendo pizza na casa de Leo. Costumavam chamar de reunião de pizza. Todo mundo tinha preguiça de cozinhar. Pedir uma pizza era mais simples. Quem perguntasse a Allan qual o assunto, ele não se lembraria, mesmo tendo emitido uma opinião ou duas. Estava pensativo, distraído. Embora se esforçasse para não demonstrar. Sabia que perguntariam o motivo. Não que tivesse algum problema em contar algo para as outras quatro pessoas ali, o problema era outro: ele não sabia o que contar.

    - O Allan sabe, aposto que ele sabe! Vocês não entendem nada disso!

    Nada melhor para despertar de um pensamento que o nome da gente sendo dito inesperadamente.

    - Eu sei o que?

    - Onde você tava esse tempo todo, cara? Do que é que a gente tava falando? – disse Marcos.

    - Viajei. Fala, o que é que eu sei?

    - Pelo jeito, nada.

    - Engraçado, diz logo!

    - O nome do vocalista do Guns. Tem “e”?

    - É o que?

    - Ai, Allan, presta atenção. – Thaís achou melhor explicar – O Axl Rose? O nome dele. Escreve como? A-X-L ou A-X-E-L?

    - Essa era a discussão? Minha nossa, não, não tem “e”. Vocês sabiam disso. O Leo sabia disso, pelo amor de Deus. Todo mundo sabe disso.

    - E esse mau humor, seu chato, se deve a que?

    - TPM, a Aline entende bem disso.

    - Cala a boca, chato. – Aline se defendeu, brilhantemente. – O que você tem? Tá quieto demais hoje.

    - Não sei. Só pensando.

    O grupo ficou em silêncio. Sabiam que não adiantava insistir quando ele dava respostas assim. Allan tinha o tipo de maneira de se comunicar que era extremamente prático. Não costumava dizer um “não sei”, sabendo. Nem um “não quero falar”, querendo. As coisas com ele eram simples. Práticas.

    Depois de comer e de muita conversa besta, combinaram onde seria a próxima reunião da pizza, se despediram e cada um tomou seu caminho. Menos Aline.

    Aline não nasceu com a capacidade de deixar as coisas se resolverem sozinhas, ou deixar o tempo se encarregar de tudo e todos esses clichês que as pessoas falam o tempo todo. Ela tinha que resolver tudo. Ou no mínimo, saber exatamente o que se passava na cabeça de todo mundo, mesmo quando as pessoas deixavam explícito que não queriam dividir. Tinha o tipo de personalidade de mãe. Conversava com delicadeza, aconselhava, se metia. Reclamava e brigava e dava lição de moral quando algo não estava correndo como ela queria. Era explosiva e de vez em quando alguém tinha que lembrá-la de que todos ali tinham idade pra se cuidar. Não que ela se importasse muito, ou fizesse algum esforço pra pegar mais leve. Não era o tipo de pessoa que ligava para isso, mais ou menos como as mães.

    - Alan, espera.

    - Aline, eu tou legal, ta? Melhor você ir que já é tarde.

    - Não pense que vai escapar, todo mundo vê que você não ta bem. Por que você acha que pode me enrolar desse jeito? O que aconteceu?

    - Não aconteceu nada – Foi a melhor resposta, a mais completa e verdadeira que ele conseguiria dar naquela ocasião.

    - Olha, ninguém aqui ta entendendo nada. Espero que dê pra lembrar que pode contar com a gente. Comigo.

    Alan respirou fundo.

    - Desculpa, Aline. Foi mal toda essa grosseria, e ficar distraído a noite toda. O trabalho tá tirando meu sossego. Só preciso dormir um pouco. E pensar.

    - Você não quer mesmo dizer o que aconteceu, né?

    Uma vitória considerável ela ter percebido isso.

    - Não, Aline. Mas valeu a preocupação.

    Aline ficou em silêncio, pensativa. Ponderando se devia falar ou não.

    - Você quem sabe. Mas dá pra perceber uma coisa em você. Chato ou não, o que quer que tenha te afetado só tá te incomodando porque te tirou do tédio. E você, apesar de tudo, não tá com cara de quem odiou isso. E pra mim, isso tem um nome.

    - É? E qual é?

    - Ah, isso aí você me pergunta quando quiser conversar sobre o assunto. – Respondeu Aline, vitoriosa. Allan riu.

    - Ok, Aline. Você venceu. Eu te ligo outro dia, pode ser.

    - Tá bom. Até mais.

    Allan foi pra casa mais relaxado. A conversa o acalmou. Ele sabia que Aline estava certa. Se incomodava em não saber por que estava incomodado, aliás, afetado. Mas gostava de pensar sobre o assunto. Gostava de lembrar da garota. Era como sentir o perfume dela outra vez, ver aquele sorriso de quem tem um segredo pra contar, mas não pode. Aquela menina, sem dizer nada, tinha despertado nele algo que tinha nome, segundo Aline. Riu, pensando na ingenuidade dela. Aline queria viver no mundo perfeito.

    E rindo, pensou no sorriso de Julia. E se sentiu um babaca. Sensação essa que acabou se instalando nele como chiclete recém mastigado gruda na sola de sapato novo, e gruda no chão limpo de casa e sai deixando marcas chatas por toda a casa. E gruda nos seus dedos ou no que quer que você use pra tirar aquilo dali, mostrando que de jeito nenhum vai sair dali e que vai te dar trabalho até você aprender a olhar onde pisa. E que nunca sai completamente, deixando sempre pequenos vestígios na sola do sapato até você acostumar com aquilo ali e não se incomodar mais.

    Allan se sentia babaca com freqüência. Mas não daquela forma. O sorriso de uma garota certamente não era um motivo aceitável para se sentir babaca. E isso porque quando lembrava que estava se sentindo babaca por causa do sorriso de Julia, além de se sentir mais babaca, ele se sentia relativamente bem.

    “Não sei qual é o problema dessa garota, mas quando eu a encontrar, quero saber mais que um nome. Se eu vou me sentir idiota, quero ao menos ter motivos para isso.”

    -

    :*
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  18. quarta-feira, 4 de agosto de 2010


    As outras eu não sei, mas eu seria capaz disso. Tranquilamente. E colocaria mel nele, e provocaria uma colméia de abelhas que, coincidentemente, estaria nesta árvore em especial.

    (via @oshomens)
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  19. domingo, 25 de julho de 2010

    Eu sou uma pessoa extremamente impaciente, egoísta e intolerante. Algumas pessoas consideram essas coisas como qualidades. E na dose certa elas talvez sejam. Mas eu considero defeitos. E não me orgulho disso.

    Ok, só as vezes.

    Mas enfim.
    Atualmente, me considero uma pessoa bastante tranquila. Eu costumava dar respostas malcriadas a qualquer cidadão que me contrariasse, menos aos meus pais, porque aqui em casa a política sempre foi bem clara: menino malcriado é menino sem dentes, figurativamente falando. Eu levei umas boas surras, e muito merecidas, quando era mais nova. Merecidas mesmo, porque eu era daqueles pirralhas bem pestes.

    A prova disso é a quantidade constrangedora de cicatrizes que eu tenho espalhadas pelo meu corpo. Sempre tive o azar de ficar com marca de tudo quanto era machucado. Tudo em mim vira uma cicatriz tosca, o que não me deixa esquecer de nenhuma das presepadas que eu aprontei. E eu tinha o costume feio de querer esconder da minha mãe o motivo daquele corte sangrendo, ou do arranhão monstruoso porque eu tinha medo de ganhar um castigo bem bacana e ficar curando o machucado dentro de casa.

    Hoje, posso rasgar tudo aqui, porque já contei a ela a origem de todas as marquinhas simpáticas que eu tenho.

    Uma delas, inclusive, uma no pulso direito, que tem formato de um besouro, minha mãe descobriu porque eu tenho amigos linguarudos que adoram relembrar essa história no orkut, porque foi hilária mesmo.
    Eu tinha uns 15 pra 16 anos, eu acho. Era uma quinta-feira. Eu lembro porque na quarta teve uma festa de São João no colégio que eu estudava. Daí no outro dia, um caminhão veio buscar as cadeiras que tinham sido usadas na festa para levá-las para o lugar aonde levam as cadeiras depois de usadas.
    Bom, o fato é que as nossas aulas terminaram bem cedo, e estávamos nós todos largados na calçada da frente do colégio. Porque ninguém ainda tinha se mandado pra casa, ou pra qualquer lugar mais agradável que uma rua quente às 10h da manhã, eu não me lembro. Sei que a gente tava lá. E meus santos amigos começaram a falar sobre pegar bigu no caminhão das cadeiras.

    Por Bigu, entenda: Se pendurar no parachoque traseiro do caminhão pra pegar carona.

    Pra quê? você me pergunta? E eu sei? Pra apostar, eu acho. Ver quem era o muleque mais corajoso-duvida-que-eu-vou. Pra passar o tempo de nossas vidinhas vazias e cheias de tédio. Ou pra ver se alguém caía e se rasgava todo no calçamento.

    Eu, particularmente, chuto na última opção, porque foi o que aconteceu.
    Comigo.

    Eu sempre fui meio muleque, tá? E qual o problema? Não é nenhum pecado. Eu era uma criança feliz. Adorava video game, carrinho e subir em árvore. Inclusive, uma das cicatrizes que mais doeu foi a de um arame farpado que eu pulei de uma casa que tinha uma árvore bacana de subir. Isso, e uma de uma ostra que afundou no meio joelho e sangrou como se eu tivesse acabado de parir uma criança no mar, e era fundo que cabia a ponta do meu dedo dentro. Mas isso são outras histórias.

    Enfim. Eu entrei na brincadeira. Corremos, uma pá de muleques pra pegar bigu no caminhão. Uma pá é exagero. Eu e mais 3, eu acho. Até hoje não tenho certeza de como aquilo aconteceu. Eu subi no caminhão linda e absoluta, com os pés no parachoque e uma das mãos na trava da porta de trás.

    É. Você leu certo.
    UMA das mãos.
    UMA.
    Porque a outra simplesmente não tinha onde segurar. Não tinha mesmo.
    Então eu fiquei lá, linda e absoluta segurando unicamente por uma mão, quando, suspeito eu, que alguém quis se segurar no mesmo canto que eu. O que, particularmente, eu achei uma falta de sacanagem muito grande. Pô, eu era a única menina na brincadeira, podiam ao menos fingir serem cavalheiros e liberar aquela trava pra mim, né? E não disputarem comigo por ela, me fazendo cair do caminhão e sair rolando no calçamento bem quando o motorista passou a segunda marcha.

    Mas eu não posso acusar ninguém. Eu realmente não sei como a coisa aconteceu. Sei que eu caí e ainda rolei no calçamento. Quente. Sujo e cheio de pedrinhas desagradáveis. E fiquei caída lá no chão.

    Ah, me perdoem os que correram pra me ver, mortos de preocupação e me encontraram rindo.
    Eu ri! Foi engraçado, cara. Eu tava sangrando, torrando e preocupada com a minha calça jeans e em como ia explicar aquilo pra minha mãe, mas eu só conseguia pensar em como eu devia ter parecido uma boneca de pano desabando do caminhão na frente de metade da minha sala.

    Bom, vamos ao saldo da aventura.
    Meu braço direito ganhou montes e montes de arranhões vermelhos. Quem visse, pensaria que eu tinha me envolvido em uma briga com algum gato de rua. Tenso.
    A perna direita da minha calça jeans quase rasgou e meus joelhos ficaram meio roxos.
    Minhas costas doíam.
    E mais ou menos uma semana depois, eu vi uma marca meio roxa ali perto da orelha direita quase sumindo.

    Em resumo, eu era um trapo humano.
    E só conseguia rir da situação toda.
    Quando cheguei em casa, devidamente limpa e com meus machucados já organizados e disfarçados, minha mãe reparou minha mão direita machucada e perguntou o que era. Eu disse que tinha caído do skate do meu ex. Aposto que ela percebeu que não era verdade, mãe é mãe. Mas vai saber.
    Foi mal, mãe, desculpa por essa.

    A cicatriz em cima do pulso ficou por causa de uma pedrinha. Uma pedrinha do calçamento que entrou mesmo. Sério. Eu arraquei ela da minha mão logo que levantei, daí ficou um buraquinho minúsculo em diâmetro, mas bem fundo.

    Meu Deus, eu era ridícula!
    :*
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  20. quinta-feira, 15 de julho de 2010

    Um idiota ligou pra cá.
    Eu atendo; o silêncio reina.
    Achei que fosse um dos amigos da minha irmã, meio tapados, que passam uns trotes fracos e sem graça. No meu tempo, os trotes eram mais divertidos. Uma vez a gente inclusive descobriu o número de uma central pra se filiar ao PT, algo assim. E passávamos o intervalo inteiro por umas duas semanas fazendo isso. Até cansar. Tinha um orelhão dentro do colégio, vizinho a portaria, e o porteiro via, mas acho que ele gostava do PSDB, por isso nunca incomodou nossa brincadeira.

    Enfim, eu até me divirto com trotes.
    As crianças atualmente não são muito criativas.

    Sei que, depois que o idiota ligou e ficou em silêncio umas 3 ou 4 vezes [não que eu desligasse. Eu deixei. Quem paga a ligação é ele mesmo], resolveu falar.

    Idiota: Isabela?
    Eu: Não
    Idiota: Ela está?

    Quase digo: Desculpa, uns imbecis jogaram da janela faz um tempinho já...
    Mas não gosto de humor negro.

    Eu: Não
    Idiota: Ahn, e a dona Tereza?
    Eu: Não
    Idiota: Mas ela está?
    Eu: Não
    Idiota: Mas é da casa dela?
    Eu: Não
    Idiota: Ahn... Tá, desculpa.


    E acabou que o problema é comigo.
    Eu que sempre penso o pior das pessoas. Acho que nem era trote. Só engano.
    Ah, e o cidadão não era lá muito esperto.

    O que foi muito chato, devo dizer.
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  21. terça-feira, 13 de julho de 2010

    Embora eu esteja de péssimo humor hoje, sem paciência e cansada, não dá pra passar sem deixar pelo menos um Top Five meu, né?

    Então, lá vão. As minhas 5 músicas favoritas em matéria de Rock.

    1. Sweet Child O' Mine - Guns 'n Roses



    Digam o que quiserem, mas essa é a minha música preferida de todos os tempos.

    2. Back in Black - AC/DC



    A intro dessa música já tá batida, eu sei, especialmente depois daquela propaganda babaca de um carro lá, mas quem se importa? É boa mesmo.

    3. Jailhouse Rock - Elvis Presley



    Sabe o que é o melhor dessa música? Você ouve, sente uma vontade louca de dançar estupidamente pela sala, assiste o video e pensa: Se eles podem, eu posso. E libera geral. Ok, menos.

    4. I want to hold your hand - The Beatles



    Essa música gruda na cabeça que é uma coisa. Você eu não sei, mas não importa quantas músicas eu ouça hoje, eu vou passar a noite cantando 'i wanna hold your haaaaand'. Eu costumo pensar nessa música quando ouço qualquer forró safado e grudento, e começo a me irritar por ficar cantarolando aquilo. Essa música é mais grudenta que qualquer uma delas. É um ótimo remédio.

    5. The Masterplan - Oasis



    Tá, é um rock mais alternativo, mas e daí? Oasis é de longe minha banda favorita de todos os tempos. E essa música, pra mim, é uma das melhores deles. Junto com Let there be love e Roll with it.

    Bom, tá aí MEU Top Five. Claro que essas coisas de música sempre tem muito a ver com humor, especialmente numa pessoa instável como eu. Então, no momento, escolho essas. Quem sabe daqui a 5min quais seriam, mas, tanto faz.

    Ah, outra coisa.
    Um filme, super old, mas que tem tudo a ver com o assunto. É também um dos meus filmes preferidos. Assisti o filme dublado [com a minha irmã, odeio filme dublado. Só desenho animado], legendado, sem legenda [pra dar uma treinadinha na merda do meu inglês], os extras, making of, e tudo mais.

    Considero uma vitória pessoal conseguir fazer um post inteirinho falando de um assunto só, sem me perder e começar a viajar, ou colocar videos nada a ver, imagens sem sentido, e etc, como eu costumo fazer.


    É isso.
    Então, Feliz Dia do Rock, everybody.
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