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  1. quarta-feira, 14 de outubro de 2009

    Ah, as histórias da minha vida...

    A gente vê coisas realmente esquisitas no ônibus.
    Esqueci que dia foi isso. Deve ter sido na sexta passada.
    Tava saindo da universidade, indo pro ensaio. Estava cansada, porém feliz, afinal, Bob tinha me ligado dizendo que tava pegando a estrada pra vir me ver. Isso realmente me deixa feliz.

    Depois de esperar minutos que mais me pareceram ERAS pelo ônibus, eu peguei um que não costumo pegar, pois faz mais voltas. Mas eu já tinha esperado tanto que pensei: "Home, vai esse mesmo." E fui.

    Sabe os primeiros bancos do ônibus, os mais altos? Que são os da preferência, pra gestante, idosos e pessoas com bebês ou com deficiência. Pronto, eu não estava nesses. Tava num dos bancos normais, para pessoas sem nada de especial digno de ganhar um banco, como eu. E o ônibus tava relativamente vazio. Tanto que eu peguei um canto na janela, no ventinho e tudo mais. Bacana. Tudo estava indo bem.
    Até sentar uma senhora do meu lado.
    Os bancos altos estavam ocupados mas tinha trocentos outros lugares vazios. Ela era meio gorda. Não muito. Mas sentou do meu lado e fez questão de me espremer no canto. Eu, calada estava, calada permaneci. Não ia implicar com a senhora idosa por isso, né?
    Mas, como se não bastasse, ela ficou me olhando torto e fixamente. Me lembrou muito o bêbado psicótico no ônibus quando eu voltava de Patos, mas isso é outra história, outro dia eu conto.
    Enfim, a senhora idosa me olhava feio, como se eu não tivesse dado o lugar a ela. Mas poxa, ela não tava sentada? E tinham lugares vagos, porque eu me levantaria. E ela tava sentada num lugar bom, onde poderia sair com facilidade. Me avisem se eu tiver burlado alguma regra de etiqueta de Busão, porque eu não sei. Simplesmente ignorei o ódio que emanava daquela mulher pra mim. Mais ou menos assim:

    Sei que em uma certa altura do campeonato, surgiu um lugar no banco alto na frente do que eu estava, e a senhora idosa parou de me fuzilar e foi para lá. Maravilha.
    Só que o ônibus começou a encher, e entrou um casal de velhinhos muito fofinhos. A senhora sentou do meu lado, onde antes esteve O Poço de Ódio. Quando eu vi que tava cheio, me levantei pra dar lugar ao velhinho, que inclusive, segurou meus cadernos. Tão feliz.

    Quando o ônibus já ia saindo dessa parada, uma mulher estendeu o braço. Ela tava arrastando um mulequinho de seus 5 anos e uma menina pouco maior que ele. O babado aqui na minha cidade é que só entra pela frente [logicamente, sem pagar] criança com menos de 6 anos. Ou seja, só o pirralho entrava pela frente. Daí a tia sacudiu o menino no ônibus e correu pra porta de trás, pra passar na roleta e pagar as passagens.
    O menininho ficou ali, com os olhos arregalados sem saber o que fazia. O ônibus saiu andando e ele ficou olhando pra rua abismado, certo de que a mãe tinha ficado e ele tinha ido. Ele mal se segurava. Foi quando O Poço de Ódio deixou de ser considerado uma senhora idosa para ser chamado de Velha do Mal.

    Ela olhou para o mulequinho fofinho e em pânico e disse:
    - Hê hê hê, tua mãe ficou na rua e foi embora, hê hê.

    Doido.
    DOIDO!
    Os olhos da criança ficaram do tamalho de bolas de tênis e ele só conseguiu emitir um: - ANH?
    DOIDO.

    Minha vontade foi segurar os ombros daquela mulher e dizer: MAS QUAL É O SEU PROBLEMA, sua louca? Infelizmente não pude fazer isso, porque seria agredida por todas as pessoas no ônibus que não tinham visto aquele ser cruel me torturar psicológicamente e atacar uma criança.

    Acontece também que se eu perdesse tempo pensando em como eu poderia apagar a velhinha [ha ha ha] sem chamar atenção, o mulequinho ia cair no choro, e aí ninguém mais conseguiria trazer a criança de volta ao estado normal dela.
    O menininho tava chacoalhando no meio do ônibus, sem se segurar direito, chega dava dó. Peguei ele pelo braço e disse:
    - Nãããão, foi não! Olha tua mãe ali. - apontando pra o vácuo e pensando "Onde raios a mãe desse menino se enfiou?" Eu nem lembrava da cara dela.
    Logicamente, o menino lembrava. E viu logo.
    Saiu tropeçando no meio da galera e se agarrou na mãe.

    Olhei para a Velha do Mal com uma cara de vitoriosa, tipo: "Há, atrapalhei seus planos para perturbar psicológicamente aquela criança para sempre."
    Espero que ela tenha entendido o recado.



    Me senti uma heroína.
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  2. 2 comentários:

    1. Rayza disse...

      HAHAHAHA! Sou seguidora da velha do mal! Viva o terrorismo infantil!
      Eu assustaria o pirralho também lol.
      Mas eu sou legal.

    2. Tuíla disse...

      EU SABIA

      eu segurando uma placa.